19 de out. de 2016

Teu canto, meu silêncio

             


                    Teu canto, meu silêncio
               






      É tarde
  Roupa no varal
  Pele de nomes,
  de almas amantes
  Mãos tateiam
  seu nome
  num fiapo qualquer
  Canta um pássaro
  lá no beiral
  do quintal,
  musicando
  meu sentir.
  Poesia que
  seca as lágrimas,
  aquece lembranças


  É  Madrugada
  Meu silêncio
  Teu canto
  Vida e solidão
  Lirismo na noite
  ao som de uma
  flauta doce
  Estavas na tarde
  Estás na noite
  Ainda escuro
  cantas,
   no vazio
  de um nome

olyndabassan

Primavera peregrina


     









                  





Primavera peregrina



  Caminho abraçada às flores
  da bordadura dos meus canteiros.
   Ouço na brisa o ruído das cores,
  nos pés o estalar das folhas
  secas do outono, nas mãos
  colhedeiras minha primavera.
  No néctar que deixo, pousa em
  mistérios, borboletas sonhadoras

  Nas pegadas, ramalhete de
  sonhos em botões, espalho,
  como peregrina sementeira.
  Voa o pólen de flores
  parasitas, que enlaçam a alma
  de amores e aromas.

  Sou poema das cores
  da montanha que transponho,
  do orvalho azul da paz,
  das águas que cantam.
  Sou esperança que hiberna
  no inverno como videira,
  e floresce na primavera

  Nos galhos secos retorcidos implodem
  flores frisadas em sensibilidade,
  como a pele que me veste.
     Sou Primavera!

      Olynda Bassan

Águas da chuva, você





   Sentada à beira do caminho
   seco, empoeirado.
   Até o  vento sente sede.
   O rio em seu remanso indolente
   clama pelas águas
   que a nuvem guarda.
   Chove aqui, acolá.
   Cheiro de terra molhada,
   de mato, de infância.
   Lava telhados e calçadas
  Desincarde o ar, florescência
  de cores e aromas.
  E vida! É Graça! É colheita
  E você, como as águas entranhadas
  nas nuvens, sempre volta.
  Respinga amores, provoca sorrisos
  Lava a alma, escorre alegria
  na corredeira da magia.

                                       Olyndabassan

Dá série.... Poesia instantânea. Senti saudade da chalana, descendo o rio carregada de palavras, querendo se arranjar em versos de um jeito qualquer.

traços imperfeitos

                            






                               


                                Traços imperfeitos

            

   Me alongo das curvas que me
   escondem.
   Tomo distância à procura das faces
   da minha alma/ essência.

  Como o artista que se afasta do seu quadro
  para melhor visualizar os vazios, as imperfeições
  das pinceladas carentes de brilho e cores, me caço.

  Nos traços disformes constrói sua arte,
  sem pressa, no tempo inspirado no belo.
  No meu tempo, na aquarela de possibilidades
  componho, crio meu quadro ainda inacabado.
  Sempre por fazer.
Vou tingindo minha aura na moldura das cores dos meus pincéis.

Olynda Bassan

Dá série.. poesias instantâneas, sem retoques, nas primeiras letras. Inspirada no quadro de Pablo Picasso.. Bom dia. Abraço colorido.
olyndabassan

Naquela praia

Naquela praia

        És  silêncio

   Um rosto, em um coração
   pulsante, nas batidas da  saudade.
  Trago lembranças escondidas nas
  vestes  dos meus sonhos

  Nem sabes o quanto ele me acarinha,
  o quanto eu o aliso na face suada,
  salpicada de areia; esteira de um amor.

  Infinitos sonhos.
  Infinitos beijos
  Infinitas juras de amor
  em bocas douradas no poente.
                 É silêncio!
  Ficamos nós, nas pegadas de uma paixão
  ardente,  entre o eterno e a dor.

  Lembranças...
  Mapeiam nossa história.
  Querendo ficar, me vou só: sem Sol, nem lua.
                 És silêncio

  Aprendi a conversar com o vento.
  Ele se veste do perfume evaporado naquela praia,
  me perfuma em saudades, espreita uma lágrima
   E se vai.

                                             Olynda Bassan

O que faço?

O que faço?

O  que faço?

  Se os seus lábios
  se prolongam nos meus?

  Se o perfume não se evapora
  Passa o tempo, passa.

  Se tua retina se desenha
  nas cores da poesia?

  Se amanheço em ti,
  antes de orar?

  Se no Ipê te reinvento?
  Florido, presença. Seco, ausência

  No Sol, vida que  incendeia
  No crepúsculo, saudade

  O que faço?
  Se és estuário do meu rio
  em sonhos e desejos?

  Se não encontro saída no
  labirinto que há em ti?

     Olynda Bassan

Próximo

Próximo

       
       Próximo

       Entrelaço textos reflexivos, entre metáforas, parábolas, analogias.
O médico /escritor, ou, escritor/médico, Dr. Márcio, no relato de um de seus causos reais, vividos pelos rincões da Bahia, nos contava que chamara seus pacientes como “ próximo” e ninguém se apresentara. De nada adiantara se expressar num tom à cima. Mesmo, na ansiedade por serem atendidos, não entravam em sua sala. Chegara à conclusão que não fazia parte do vocabulário deles, tal expressão. Teria que achar outro meio, ou explicar o que lhes dizia. Não sabiam quem era o próximo. Alargo este pensamento. Eu sei?
Como armadilha retórica, fizeram a mesma pergunta a Jesus. “ Quem é o próximo”? Em parábola contou a passagem do Samaritano. Este, ao acolher e cuidar do ferido desprezou a Lei que o tornaria impuro com o sangue e apenas Amou. O sacerdote, o Levita, doutores da Lei mudaram de calçada, enraizados pela Lei. Perderam a oportunidade de chegar perto, ver, cuidar das feridas, de amar e tornar-se próximo, na compaixão.
No decorrer da explanação do Mestre o coração do homem foi interiorizando sentimentos. No final Jesus lhe devolveu a pergunta:" Quem foi o Próximo"? Responde ele, em processo de crescimento no amor: O misericordioso.
Dr. Márcio não pensou em Linguística; se preocupou em achar novo jeito de chamá-los, para que entendessem quem era o próximo. O Samaritano não pensou em discussões sobre pureza, mas parte para a ação, quando ele vê o sofrimento alheio.
Tal qual os pacientes, os doutores da Lei; sabemos quem é o nosso próximo, de perto ou de longe? Virtual, ou presencial? Digo isto, porque o leque da amizade já não se abre na proximidade do corpo, mas na afinidade de almas. Nosso desafio: enxergar a quem estirar as mãos. Quem espera o nosso olhar misericordioso? Pode estar do nosso ladinho.
Abraço da Olynda
olyndabassan
Enviado por olyndabassa