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19 de set. de 2019

Parabéns Elô

filha do meio? Mas, o médico não aprovou a ideia. Paciência rs. É um dia sensorial nas lembranças, na atitudes do presente, no sonho de amanhã. A Elô, uma batalhadora leva uma vida renhida, de Fé. Tem uma personalidade de bambu. Enverga , mas, não se arrasta pelo chão . Tem sua praticidade de viver bem como necessita de momentos de quietude, de silêncio, onde o mundo para. Um lugar, onde onde a atmosfera é um sussurro, onde o elástico afrouxa a rigidez de si mesma. Busca o vazio.
Filha, me banho da sensibilidade, porque nessa celebração, as palavras encurtam - parecem esconder - se. Desde do útero, eu a amo e lhe desejo o melhor da vida, com a Graça de Deus. E quando as ondas forem maiores que o seu barco, Deus na infinita bondade, lhe dê sabedoria para conduzir o Leme . Sorria, que o seu sorriso, acolhe o mundo. Parabéns
Tem festa? Não. Isso não impede da mamys cozinhar um prato preferido. No simples, o sentido da vida
No meu abraço - a família, amigos alunos , colegas e quem mais vier. Seja feliz. Beijos

Viajando, viajei

Viajando...viajei
É de manhã.
Café à mesa.
Engole o pão.
No passo, o sonho pousa.
Desce a ladeira.
Sapato comendo a meia.
Paralelepípedos espreitam
a ponta do sapato, prevendo
tropeços.
Gália, âncora de lembranças.
Estação de Ferro, pequena, charmosa.
Cheia de gente, espiando ao longe.
Lá vem o trem epopeico.
Azul e branco.
Locomotiva acerejada.
Farol reluzente, som estridente
pedem passagem
Plac, plac, um barulho só.
O dragão de ferro
Expele fumaça.
Chuá, chuá...
aquece os trilhos, lambe gente .
Degrau alto.
Irmãos dão as mãos.
Upa, subi.
Olhos faíscam encantamento.
É o carro “Pulman”
Poltrona de couro vermelho.
Enorme. Giratória
Perninhas balançando, girante.
Eu tão pequenina.
--Bilhetes por favor.
--Temos carro restaurante.
“Café com pão, café com pão
Força, muita força maquinista”
Piui, piui, lá vai o trem.
O adeus da estação
“Passa boi, passa boiada”, vales e montes
Acelera maquinista
“Café com pão, café com pão.”
Sou eu quem passa?
Árvores correm?
Tenho pressa.
Bauru majestosa.
Eu tão pequenina.
“Café com pão, café com pão”
Chuuuuu...chuuuuuu.
Vai parando...parando...
Misto quente, disputa de lugar.
Aperto de gente - a chapa quente exala fome .
Objeto de desejo.
Casas Americanas.
Encontro das cidades.
Psiiuuuu tudo é silêncio
Trilhos secos
Era 1999...
Último suspiro de um trem.
--Senhores passageiros do Expresso de Prata.
--Queiram ocupar os seus lugares.
Espectros da saudade
rondam as cidades.
Vida: poema em movimento.
Novos ventos, outros encontros.
Cafeterias, barzinhos, salões
Bauru, novo porvir.
O amor que nos faz ir...ir...e ir
Olynda Bassan
Poema citado: “Trem de Ferro” de Manoel Bandeira

7 de mai. de 2019

Tributo à mulher


Tributo à mulher

Mulher de todos os dias.
Homenagem atemporal
Mulher
És harmonia
garra
protesto
leveza
És indignação
sabedoria.
beleza.
feminilidade.
mãe
prazer
És imensa.
multidão em uma só.
pedra angular.
rocha na areia que se move
pilar na alternância das marés
bailarina além dos salões.
És útero sacramentado em poesia – no filho
maternidade da Natureza.
procriação sem filhos gerados
o canto da pedra
ÉS discriminada, violentada no SER.
desamparo de um Sistema doentio.
saco de pancadas do homem vil.
És altar na tua dignidade
És luta sem fim
És digna de fidelidade.
De ser respeitada.
De ser compreendida.
És criatura do Criador.
És o Amor encarnado.

21 de fev. de 2019

Afeto


          Afeto


No afeto não há vazios.
É poema no olhar.
É abraço de algum lugar.
É perfume de lembranças.
É toque de pele.
É alma que silencia.
É palavra que acaricia.
Bom dia, no afeto que lhe tenho.
Olynda.

"A lista"

Amo, apesar das distâncias
“A Lista”
É entranha esgarçada,
na lista apagada.
É emoção / é saudade.
É lembrança de rosto e voz.
Confidências - olho no olho,
na luz virtual.
É gratidão/ é experiência amada.
É lágrima/ é sorriso de um dia.
É sentir o gosto de querer de novo.
É cheiro de encontro.
É abraço de ausência.
É a ida não permitida.
É adeus não consentido.
É nome riscado.
Era escrito em ouro.
É pergunta sem resposta.
É aprendizado.
A vida é mesmo travessia.
Uns ancoram na margem de cá.
Outros encontramos lá...
no aceno de chegada.
Outros dividem espaços
e juntos espreitam o Sol
beijar a água na correnteza
da vida.
Mãos entrelaçadas, apesar de...
No afeto não há vazios.
Nas linhas em branco,
minha alma lê nomes
entre ausências e saúda
a lista de amigos de
tempos atrás.
No afeto não há vazios...
Olynda Bassan
Membro da Academia Bauruense de Letras

Não se ausente



             Oi amor


Não se ausente.
Não se encasule em seus pântanos sombrios.
De novo, não.
Espera...
Não abra esse trinco sem o amanhecer.
Na lágrima que salga a pele, há luz que
deixa riscos e se evapora.
Não perpetue um instante, amor.
Espera.
Meu olhar repousa em seus olhos, num amor infindo,
na quimera da vida vivida.
Meu amor, volta de seus fantasmas,
de seus espectros de medo, de ausência.
Quem lhe fala?
Me ponho em silêncio. Ouço na sua voz, o assovio
da alma em fuga.
Entre suas frestas, eu a recolho, ouvindo o eco
do seu deserto.
Nossa Lua Azul – guardiã de nossos sonhos
clareia nosso coreto, nosso banco, o pássaro do realejo.
Está vazio.
No luar- prateando nossas sombras - seremos um-
rasgando a trama do casulo, no penhasco de sua alma .
O bater das asas, espreita, eu sei.
A própria luz se desintegra na solidão, meu querido.
Não vê sua essência, nem mesmo seus contornos.
Não, não se apinche nas brumas de você, do mundo.
No sentido das névoas rompe - se caminhos.
Acredite
Não é minha pele que lhe toca; é a Fé que lhe
acaricia a vida. Tão única! Tão rica!
Flores em aquarela nos esperam.
Afinal...é Natal!
Você, meu Natal!
Escuta o sino...
Humm, que mão macia..rsrs


Olynda Bassan
Membro da ABletras.

12 de set. de 2018

Museu Nacional - Homenagem

Minha homenagem...Museu Nacional
No meu verso...um lamento...
Queimei...queimaram-me
Sou cinzas...sem Fênix
Sucumbia...ignoraram-me
Gritei...fizeram-se de surdos
Denunciei...mãos encolhidas
Socorro...Cultura sem voz, nem vez.
Resisti...como um mandacaru
Feneci...no descaso dos homens
Suspiros embevecidos...calaram-se
Tesouro esplendoroso... desvalido
Soluços enegrecidos...fumaça, silêncio
Lágrimas incandescentes...minha face desfigura
Beleza...eu a tinha num semblante majestoso
Em cada canto ... um encanto da História.
Desolação...em cada fagulha que se apaga
Esforço, pesquisa... arquivo da humanidade
Águas destroem sementes e frutos... escuro deserto
Me resta o luto...às sombras da Ciência
Labaredas...serei luz para preservação de outros?
Hoje a bem-te-vi não cantou nas Palmeiras Imperiais
A chama crepitante não aquece os pesquisadores
nas noites frias das florestas e nas escavações gélidas.
Ilumina os destroços da angustia cultural inenarrável.
Restauração...novo teto, novas tintas...apenas moldura
Acervo irrecuperável...folhas mortas,
quebradiças pelos pés daqueles que
esmagam a escrita, a Cultura de um povo.
o enredo da História mundial.
No arquivo vivo que se foi...não verei a Fênix.
ganhando o céu com a envergadura de suas asas.
“Agora é cinza, tudo acabado e nada mais...
o sopro do passado se desfaz
Eu chorei”... Saudade...
Olynda Bassan

12 de ago. de 2018

Enamorar

Abraço aos enamorados


Enamorar-se
Coração enternecido: ama-me.
Gotas de amor: amem-me.
Enamoro-me.
Namoro-me
Encontro ombros
Toco em ombros
Enamora – me a vida
A vida se faz sentir, no enamorar-se.
Na mo ra da da Natureza me inebria o belo.
Amo-me
Amo-te
Flores à paixão, à vida, eternamente
Uma pétala em perfume se solta
Pinto meu próprio jardim
No meu quintal enamorado.

Olynda Franco

parabéns no meu abraço

José, o seu aniversário foi ontem, mas estivemos juntos.
Vivemos o amor entre irmãos, entre família - sua paixão. O melhor presente. Assim, hoje venho ao computador registrar minha homenagem a você, filho amado. Chegou o dia do seu acróstico rs.
Tu és nossa semente e nossa colheita. Parabéns no meu abraço enlaçado com as palavras gratidão e louvor. Deus o abençoe em abundância.

Para você.


J oio e trigo. Tu és trigo dourado no raiar do dia.
O s vales se almam com os tons de tua luz, filho, e
S e revestem da vida que brota do útero santificado.
É s essência da semente de trigo, José. Germina -te.
B endita sementeira que floresce em bênçãos no
A zul do teu olhar, a paz dos trigais.
S uas passadas afofam os canteiros arados pela coragem.
S eu foco nos sonhos, traz à tona seu vigor interior e
A esperança que em ti transborda, é prece derramada.
N ascestes, José, do pólen que engravida o mundo de amor.
F orça e Fé irrigam tua pele, vertem alegria na alma da gente.
R etiras a seiva da paixão, do trigo que é família e
A o sentido que dá à vida, enamora-se.
N ão temo me deitar no celeiro de tuas virtudes,
C omo versos que me revestem de gratidão. És “nosso” filho.
O meu canto por ti, é o eco do amor...amor...amor....
Beijo infindo de sua mãe Olynda

O melhor da vida


                                                             O melhor da vida


Eu construí caixas sombreadas,
onde presente e passado entrevados
adormecem.

Vasculhei o interior com mãos inquietas
e seus bilhetes de amor
amarrotados, não mais estão.

Na ausência da paixão em palavras,
ouço nossa música não tocada na
lembrança de um poente.

O amor se foi como um trem
no silêncio de seu sino, no 
desvio de seus trilhos.

No vazio, restou-me a fumaça que o céu aspira
e me foge do olhar.

No embarque e desembarque,
nas abas abertas – meu presente desperta. 
Pareio de minha alma amante, da 
vida em atalhos.

Sofro saudade e sigo no pêndulo
do tempo. 
Tempo “ do melhor da vida – ela mesma”.

Blim blom...blim... blom...
Olynda Bassan

Jeitos de se contar do amor

Aos pais...
Quero homenagear o pai dos meus filhos, o João que amava do seu jeito; envolto com as facas e panelas, receitas e temperos.
Conheço muitos pais que dedicam o seu tempo na cozinha à família, por amor.
Encontram caminhos....
Gratidão João, e a nossa prece

Jeitos de se contar do amor.

..
Conta-se do nosso amor por:
Palavras
Olhares
Afagos
Gentilezas
Atenção
Abraço
Um sim
Um não
Um mimo
Sorriso
Presença
De longe
De perto...
Não se têm normas para amar.
É tão peculiar.
Há pessoas que amam demais e travam a língua
nas emoções, na timidez.
Encontram caminhos...
Aquecem o amado, do amor em sabores.
Afagam com o alimento temperado com a alegria
da doação e com o seu tempo no fogão.
É a última a sentar à mesa, com as mãos carregadas
de carinho e iguarias.
É o seu jeito de amar no silêncio
de suas panelas.
Desnecessárias são as palavras no sentido do gesto.
Cozinha é o coração do seu acolhimento,
de gratidão ao redor da mesa.
Feliz é quem enxerga esse amor e se sente amado.
Querido João, este era o seu jeito de amar os seus
filhos
família
amigos.
Olynda Bassan

28 de jun. de 2018

Novas medidas

Queridos, este poema tem sua historinha também.
Assisti a uma entrevista, onde alguém refletiu sobre nossas novas medidas vistas pelo alfaiate. Na aula da querida Professora Eliane Scucuglia Arruda, do Projeto " Trilhando a Leveza" refletimos sobre o tempo que passa, o Tempo CRONOS E o tempo KAIRÓS. No final da aula nasceu a poesia. Lapidei e a encaixei na reflexão dos meus 71 anos. Em busca do autoconhecimento. Obrigadíssima a todos vocês que se entrelaçam em minha vida. Tenho um pouco de cada um. Sou feliz.
É Pic, é pic!
É níver! É vida!. 


Novas medidas
“ Meu alfaiate é quem mais me conhece”.
“Tira minhas novas medidas”.
Quem sou eu no tempo em metamorfose?
Que medidas não me cabem mais?
Quem se enlaça nos meus elos que
se fecham e em outros que se encaixam?
Será que me enxergas ou
cristalizaste teu olhar em um
instante qualquer, preso no passado?
Olha-me...
Sou o – eu - no agora.
Quantos – eus – conheço?
Sou alma em reconstrução,
no passado que se refaz.
Sou novas emoções...
Olha-me.
Um novo amanhecer no tempo de Outono.
Experimento o anoitecer nas
minhas sombras, na espiral de minha vida.
É a leveza e a robustez por onde transito
Delícia é ser experiência!
Diferentes medidas, outras roupas
vestem – me a alma
Olha-me.
Olho-me
Há energia no contorno deste rosto
vincado por cicatrizes.
Como não as teria?
Busco luz nas frestas de minhas varandas,
com ninhos de pássaros, chocando vida.
Ouço o canto das aves, levitando na liberdade do voo.
Tu assim me enxergas?
Sou prisma, sou fragmentos de cores
que se embaralham em um novo desenho
Olha- me
Olho-me.
Busco - me - em mim.
Quem sou eu?
Trago mundos em minhas medidas,
sonhos na textura flácida da pele,
coração nos passos percorridos,
papel de presente de uma vida abençoada.
Gratidão, alegria, louvor nas palavras que se espalham
em prece.
É meu aniversário. É pic, é pic...
É celebração no sentido que me é a VIDA.
                                              Olynda Bassan

14 de mai. de 2018

Qual é o nome da minha saudade?

Qual o nome da minha saudade?
Mãe, D. Malvina


O que é o meu SIM à maternidade, diante do teu SIM?
Apenas o meu enxergar em ti. Amar meus filhos como tu me ensinaste.
O que é a minha garra de viver, diante da tua?
Apenas fragmentos.
O que é o meu sublime silêncio, na tua saudade?
Apenas minha prece pela fonte de vida que foste, D. Malvina.
O que é o meu não, diante de tantas escolhas, tuas?
Apenas o norte para que eu seja feliz nos sins e nas recusas de ser mãe.
O que é meu olhar, diante do teu olhar de tigre?
Apenas pedaços de tuas raízes em mim.
O que é a minha oração diante da tua?
Apenas contas de um terço não rezado.
O que é a minha partilha diante de tuas mão estiradas?
Apenas riscos de luz, iluminando sorrisos.
O que são os meus pés, diante dos teus incansáveis?
Apenas chegadas de um caminho mais curto.
O que é a minha percepção no belo do cotidiano?
Apenas o que me transmitiste com o laço de fita, enlaçando
o buquê de flores do teu jardim, no meu aniversário.
O que é a minha mesa preparada, diante da tua farta de detalhes?
Apenas exemplo de ninho que aconchega.
O que é o meu dia, diante do teu, que tudo cabia?
Apenas recortes de um tempo.
O que é são meus sonhos, diante dos teus?
Apenas brisa que levanta poeiras, desvendando as setas
que desenhaste.
O que é minha reserva de amor, diante do amor de Maria,
que me ensinaste a amar?
O que são minhas letras diante de tua sabedoria, não escrita?
Apenas o teu interior cristalizado no meu.
O teu TUDO no meu apenas...Mãe.
No meu apenas... tudo o que sou...
Uma talha com espaços vazios, a ser preenchida pela água do amor
Materno à Natureza, à humanidade, a ti, aos meus filhos.
Bença mãe. Pelas frestas das nuvens enxergas as tuas crianças.
Teus filhos.
Olynda Bassan
C