22 de abr de 2018

Versos em preto e branco



 Versos em preto e branco

Eu me agasalho na manta do luar,
me delicio com os aromas da noite,
me seduzo por inteira, por nada.
Me aconchego em ninho feito
no orvalho das magias, onde
me faço sonhadora do amor possível.
Eu só quero ser feliz.
Singro em minha alma como se fosse
um barco mirando as estrelas, em
noite de ausências, nesse meu mar
sem farol aparente.
Risco os raios com as mãos, me ilumino,
pouso amores em grãos de areia.
Eu só quero ser feliz.
Sonhos provocam sorrisos bobos, me
fazem mergulhar nas águas do lirismo.
Tu me enxugas a pele tatuada de
poemas declamados, na mímica
do Sol que se põe.
Eu só quero ser feliz.
Tu me amas no incontestável,
na poesia que silencio.
Bordas flores nos meus versos
em preto e branco.
Desenho borboletas, costuro pétalas,
acaricio as sementes – preservo a vida
do meu sagrado SER.
Eu só quero ser feliz.
Olynda Bassan

19 de abr de 2018

Honra ao Mérito

          
                      Honra ao Mérito”



Parabénsparabéns, hoje é o seu aniversáaaario. Vivaaaa a Maria Eduarda. É pic, é pic.... São 13 anos de celebração. Jáaaaaaa?
Na bênção de Deus os dias se sucedem no nascer e no poente do Sol, acumulando meses e anos, na rotina das aquarelas que se revezam em infindas cores e brilhos, emoldurando a alma, a vida.
No sublime tempo a família vai aumentando, devagarinho os netos vão ocupando os espaços com graça e felicidade. São pequeninos e um dia os percebemos na pré - adolescência: lindos, companheiros, instáveis, quase na mesma altura, ou maiores. Fazendo os pais se realizarem como pessoas neste processo de crescimento. São infantis? São maduros? Sensações que se alternam, e como !!!!! Nos escapa a frase...eles cresceram.... ainda nos olham com carinho, fecham os olhos quando nos abraçam e completamos... isto é felicidade.
Pois é. Assim cresce a nossa Maria Eduarda, a Duda.
Olhos de jabuticaba, cabelos longos, sorriso largo, corpo de bailarina. Engraçada e com personalidade forte, vai aprendendo a viver e nos ensinando a conviver com as nuances da juventude que desabrocha.
A cada ano imagino um simbolismo simples para marcar a data. Um jeito meu de amar. Que seja lembrado, como parte gostosa da história dos meus netos. Que os faça sentir...eu já era amado desde sempre.
Para 2018 o tema escolhido foi... “Honra ao Mérito”.
Medalha que a Maria Eduarda foi ganhando em Natação, Ginástica Olímpica etc... Mas para nós, você, Maria Eduarda, é o nosso - Honra e Mérito. Você é a nossa medalha de ouro. A nossa vitória, o nosso louro de celebração. Na sua existência, a nossa gratidão.
Junto ao presente solicitado, lhe dou um livro autografado pelo autor, traduzindo o momento literário vivido pela avó Olynda ( caçadora de autógrafos rs) e pelo valor da companhia de um livro. O da Maria Eduarda, “O Penuginha” foi autografado pelo querido escritor bauruense Luiz Vitor Martinello. Obrigada Luiz Vitor.
Leia o enredo, leia as entrelinhas, leia a você mesma. Se descubra nas fantasias, nas alegrias, nas aventuras, nos conflitos de um livro.
Maria Eduarda, querida, você terá muitos caminhos, muitas fantasias, sonhos, aventuras, mas uma seta nunca mudará de direção: o Amor de sua família, o ninho que a criou e que a receberá na volta de suas viagens: volta da escola, do bairro, das ruas, das cidades, dos acertos, dos erros e dos seus devaneios.
No meu abraço meu parabéns. Nele cabe o abraço de toda a família e amigos. Deus a abençoe muito, muito.
A vela percorrerá a casa dos aniversariantes. É perfumada, benta em Aparecida do Norte. Luz e aromas de Maria. Benção da vovó Olynda.

3 de abr de 2018

Fios invisíveis



                         





                                                        Fios invisíveis



Ofereço às almas- amigas que são "as rodinhas da minha bicicleta" como diz Martha Medeiros.
Ofereço às almas - irmãs que zelam por nossa amizade. Também àquelas que se foram, fazendo -me cantar " você foi um rio que passou em minha vida", ainda que rios intensos. Deram uma rodopiada no meu frágil ego. Cresci.
Se você se lembrar de alguma alma-irmã, me darei por feliz. Eu reverencio as almas que se conectam pelo amor incondicional na energia do Criador


                                                                        Fios invisíveis


Sinto o Universo conspirar a favor,
das almas ligadas pelo fio do amor
incondicional, encontrando os caminhos.
Seja ele : Eros, Ágape, Philos.
Sonhos são realizados na fusão das almas.

Alma saudosa, na brecha das horas,
se aninha num coração conquistado.
O silêncio se fragmenta em palavras.
Há o tempo – há o riso.

Não se faz buscas à alma/irmã.
Ela se imanta na afinidade, na cumplicidade.
É pele receptiva. É mão estirada.
É voz no silêncio da empatia.

Notícias traz o vento, na saudade.
Inala o perfume da amizade e se vai...
saciando a sede de afeto, aliviando
a fome de presença.

Alma amada não sangra suas mãos,
retendo o cordel que se distancia.
Na pertença não existe o adeus,
não há partidas.

Há diálogo na Lua cheia plena de gozo e 
na Minguante, na face vazia, carente.
Confidências ... um filete de luz, basta.
Almas imitem luz na centelha do Criador.

Alma sensível à dor sente o peito apertar, 
a angustia chegar. Nada sabe – mira o infinito
e pergunta por perguntar...
- É você?
Uma estrela cintila mais forte.

Alma em sintonia pisa em desertos - pântanos.
Ouve o chamado.
-- Ah, você veio... Eu sabia.
Trouxe - me o abraço de Deus.

Almas- irmãs tecem a letra e a melodia. 
Expandem o amor na unidade de um abraço, 
na harmonia do encontro. É o bailar de almas
que se amam...amam... e se amam.


Olynda
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Co

lançamento




            Amo lançamentos 

.
Lançamento da escritora Mônica Conciani- livro " Stress, Ansiedade e Irritação". Editora Scortecci.
Av Paulista SP
Noite muito agradável. Sucesso.

História de Família


             História da Família Bassan, a minha.


          Aroma de café, cheiro das raízes de minha história.
Distraidamente, pensando nem sei em quê, percebo o desenho formado pelo pó, na parede do coador de pano. A procedência do café – Minas Gerais.
Faço resgaste da memória gravada, das histórias ouvidas, num momento de melancolia repleta de saudade. Meu avô, Giuseppe Ângelo Bassan, imigrante italiano da região de Vêneto, desembarcara em Espirito Santo, com a nona, Líbera, (mulher forte, séria, corajosa) filhos e irmãos, em 6/01/1895. Não puderam fundear em Santos, porque São Paulo vivia um momento delicado com uma peste assolando o território. Foram, a princípio, para Minas Gerais. Só depois para o Estado de São Paulo, região de Bocaina. Os desafios estavam só começando. Traziam em seus sapatos fragmentos de um lugar tão distante. O mar era o campo verde, que sequer imaginavam a imensidão.
Deixaram a Itália com sua arquitetura, suas DOMOS majestosas, Cultura, História para se reinventarem em terras desconhecidas, repletos de promessas, para si mesmos. Arregaçaram as mangas e a vontade, engoliram a saudade e desbravaram terras, arrancaram toras, plantaram, construíram casas de taipas, com ferramentas rudimentares. Meus avós não frequentaram as Universidades, mas trouxeram em meio aos seus pertences, uma mala de livros. Gesto admirável de meus antepassados – simples, pobres, mas leitores.
Por certo, o meu avô Giuseppe, (eu o conheci como José) além de ser um homem esbelto, bonito, tinha a sua Cultura e era um empreendedor. De colono imigrante tornou-se fazendeiro, assim como os seus filhos. Meu pai nasceu no Brasil. Havia partilha dos bens, haja vista que os empregados da fazenda, um dia, ganharam o mundo e compraram sua gleba de terra.
Fiquei encantada! Caprichosamente, o desenho formado no coador era uma colmeia com tons dourados, azuis, abóbora... vários tons e cavidades disformes. As borbulhas do café foram se aconchegando no tecido, como sonhos procurando pouso. Os dos Bassans, foi o que pensei.
Imagino, assim como as abelhas, o quanto minha família trabalhou nessa colmeia brasileira. Formavam uma comunidade com objetivos em comum, retirando o sustento da terra, no néctar das flores do cafezal, como borboletas incansáveis. Polarizavam a lavoura que se expandia. Viviam em Colônia. Uma casa próxima à outra, tecendo uma rede de proteção e partilha. Na multiplicação dos pães, todos se saciavam, apesar da saudade da querida Itália, dos enigmas da nova Pátria. Era o desvelar do desconhecido, no poder da Fé. Rezavam, e como rezavam. No centro, o terreiro de café, onde também dançavam até o Sol querer acordar.
No passo lento do cavalo, puxando o arado - era a vida que se seguia. Nos sulcos da terra, se depositava a esperança verdejante para que outros pudessem sonhar a partir dos alicerces bem planejados por esta geração de aventureiros. Eu estaria, nesta linhagem.
A fumaça do café foi a companheira de tantas madrugadas, de tantas refeições embaixo das árvores, dos pés da café, de parola da caminhada de valentes. Tantos compadres acolhidos no véu do café, que se dissipava no Universo da amizade, pela chaminé. O café é a nossa raiz onde os pés se encardiram, criaram pele grossa para enfrentar os invernos da alma e da grama congelada. Na mão rústica, áspera da lida, se aninhava o amor. Eles amavam o Brasil e os brasileiros! Meu pai admirava os nordestinos que construíam São Paulo, em situações precárias. Ele dizia “eles sim são fortes. Nós comemos puenta con polastro, eles dão o sangue comendo farinha e rapadura”. É... era o respeito correndo nas veias do seu José.
Nossos sonhos de criança, de juventude giravam em torno desta riqueza vermelha, doce e negra. Um ano chovia muito na florada, melava e o fruto não vinha. No outro ano a geada castigava, aniquilando a lavoura. Não se tinha dinheiro pra muita coisa. A tristeza de uns era a alegria de outros, infelizmente. Geava no Paraná, subia o preço do café. A alegria era geral. A conta do Banco era suficiente para pagar os empréstimos e comprar as peças de tecido para as roupas da família. 
Para quem viveu a experiência, do que é amar a terra - que sentiu o aroma e a beleza das flores brancas e delicadas do poema chamado cafezal – o gosto da polpa da cereja - o café - não é um simples cafezinho. É História, história, estória, lembranças, gratidão aos antepassados que vieram além Mar, para que eu nascesse em uma família que me enchesse de ternura, de emoção ao dizer seu nome: Bassan. 
Quando estive em Veneza, a emoção era minha alma. Estava no porto por onde zarpou o embrião de minha existência, singrando pelo Mar Adriático, Mediterrâneo e por fim Oceano Atlântico. Difícil travessia. Os Bassans moravam a 30 km. de Veneza. Em Cavarsere Bassano del Grapa. A melhor Grapa da Itália.)
Hoje meu café teve o sabor que a minha alma quis ter. Deixei que ela se degustasse no sentido desta crônica. Ela me lê.

Olynda

Acróstico. Parabéns Filha

                           
                            Acróstico


       Path Franco, filha mia, não sou de fazer este gênero. Hoje resolvi inovar e arriscar um        ACRÓSTICO para você.
Ficou assim rssr
Parabéns, mais uma vez.

P ath, a você, fragmentos do
A mor, realinhados em poema
T ocam o seu rosto em bênçãos.
R isos de encantamento, como
I nfinda gratidão, nos lábios em prece.
C resce o sonho agasalhado na esperança que
I nicia ao amanhecer, no céu que - a cor da
A mando...amando...amando
F az da vida uma paixão intensa
R evisita avessos imperfeitos
A linhava um outro bordado.
N ada a impede de garimpar cores
C om sua Fé, no sombreamento da jornada
O nde você acontece por inteira.
Olynda Bassan Franco.

Filha, parabénsparabéns. Inicio o dia com lembranças. Palavras e sentimentos do texto, ainda vivos, atemporais. Muito carinhoso será o seu dia. Beijo da d. Olynda rsrs

Resenha - Livro " Nem Jesus sabia"



                                        Resenha


Amigo escritor Paulino, apenas considerações como leitora.



De Paulino Vergetti Neto “ Nem Jesus sabia”.
Durante a leitura fui analisando, qual seria o objeto do autor, por detrás das palavras e uma ideia foi tomando corpo. Ao fechar o livro, bati o martelo – CRITICIDADE. Este é a fio de ouro do enredo do “ Nem Jesus Sabia.”
É preciso entender o alto nível de criticidade que o livro contém em seu miolo. Do contrário, poderão nos escandalizar as denúncias proferidas, a linguagem nua e crua na voz das personagens. O autor não tem papas na língua, dentro de um contexto de exasperação. Pudera! No auge de seus 110 anos, Jesus se expressa sem censura, pelos amores prazeres, decepções, indignações , frustações estocados pelo ego.
O livro é metáfora da vida. Cenas do cotidiano. O autor cria uma trama tecida com o nome Jesus do personagem e a imagem do Jesus Cristo Sacramentado. É seu propósito criar situações inusitadas, dúbias que passam a acontecer no meio do povo fanático, simples e que faz do imaginário a sua realidade. Boatos põem o lugarejo em polvorosa. Já teria sido antecipada a volta do Jesus, o Nazareno? E Jesus, cidadão comum, se aprisiona no medo da confusão estabelecida. Adeus liberdade do ir e vir. Como enfrentar uma população que busca milagres, em um Jesus que nem santo é? Muito pelo contrário.
Neste jogo interessante, o livro carrega reflexões profundas. Critica os comportamentos paradoxais do ser humano, conforme seus interesses. Valores e ética são relativos, quando o econômico, o fanatismo se tornam essenciais.
O autor faz crítica contundente à hierarquia das “religiões”, como instituição. À “religião” quanto ao poder, ganância e manipulação em várias estâncias. Há muitas “religiões” e crenças. Em metáfora, o autor se refere às igrejas confessionais, à religião idolatrada do capitalismo, das finanças - a religião das autarquias, da administração, do governo, das classes que subjugam o garçom, o porteiro, o pedinte, entre outros - dos que usam da propina, da corrupção tanto quanto o alto escalão. A lei de Gerson que é uma ave de rapina, no desrespeito aos direitos do semelhante. Consiste em uma crítica ao macro sistema e não à individualidade desta ou daquela seita ou igreja. São personagens criadas na universalidade da fraqueza humana, dos vícios rançosos de comportamentos. Perpassa pelo vício da bebida, ruína de famílias inteiras. Ah, seu eterno amor era vítima desse infortúnio. Tinha pena, muita pena...
É ferrenho como denunciante dos manipuladores do povo em suas crenças, na sua boa Fé. Vendem a “ torta do céu” , como se fossem criadores. Na ignorância, de quem é, de sua grandeza, essa gente esperançosa, não percebe ser usada como manobra do poder do dinheiro, do status, em nome de Deus. Espiritualidade? Amor na essência da palavra? Não consta do dicionário.
O autor se coloca em provocações inusitadas, descrevendo até onde o fanatismo torna um povo escravo, alienado, alucinado. E as seitas se multiplicam, os falsos milagres se propagam, bem longe da veracidade. Fanatismo vegetativo como um grão de mostarda - se agiganta.
Não só de crítica e de denúncia é feito o enredo. Tem passagens lindas, retratando a bonita e fiel amizade entre Jesus ( personagem) e o seu amigo Sebastião. Amizade cúmplice, de pertença, até debaixo d’ água. E aí o autor vai fundo na bênção que é ter um amigo, como escudeiro.
Tem sempre alguém nomeando o autor como “ poeta do amor”. Imagina, então, contando do amor infindo e infinito de Jesus ( personagem). Um amor guardado do “lado esquerdo do peito” por anos, anos e anos, pois o personagem morre aos 110 anos e não se esqueceu de sua Rute, nem por um segundo. Amada e esperada desde sua pré - adolescência, no fervilhar dos hormônios. Nunca a teve para si. Ao contrário de seus amigos... Amor inatingível, sem a plenitude na entrega. Por timidez, por respeito? Falta de iniciativa? Deixou passar?
Até nessa longevidade, o autor nos faz refletir sobre o que é velho e o que é ser idoso. Jesus nunca foi velho. Sonhou, construiu até que o último suspiro o levasse à dimensão superior.
Ao mesmo tempo que Jesus sente imensa ternura por Rute, sendo seu poema e sua poesia, tem sua mente prenhe de raiva, de desjo, de desamparo na vida que se esvazia. Escreve, escreve, como catarse pela espera do seu grande amor pela janela da saudade, pela dor do que não fez acontecer. Uma personagem ávido de viver, com alma jovem, num corpo que se aniquila. Não pode aceitar e se exaspera, não com as pessoas, mas com o mundo inaudível dos sons do prazer. Não sossega sua libido e sofre e faz soar palavrões em alto e bom som. Afinal, pela idade se dá o direito de se expressar como bem entender. E quase sempre se arrepende, pois é um homem bom. Sinto nesta atitude do ancião, também um dedo do autor. Ele deve ser educado, gentil, ter bons modos? Politicamente correto?
E nessa obsessão pela sua Rute, o seu sonho se faz real. Tem cores, sabores de pele e sons. Não é vazio - tem história e é antiga. Ele sente sua Rute, como se fosse bolha de sabão úmida, roçando seu rosto e num instante ele a sugaria em suas entranhas. Num “ploft”, ela se romperia e sua Rute se agasalharia em seus braços saudosos. Enfim, seu amor consumado. Valeu a espera.
Eu vejo também, a personagem Rute, como uma alegoria. É o símbolo do apego de Jesus à vida. Ele não partiria, enquanto ela não chegasse. Alimenta-se dessa esperança, de sua materialidade de um dia. E por esta paixão e pela paixão à Literatura, o autor fala do amor e arranca emoções. As mais contidas.
Parabéns, querido escritor e amigo Paulino. Mais uma obra, mais reflexões sobre a vida, nas entrelinhas. Sua arma é a palavra.
Olynda Bassan Franco