2 de fev. de 2017

Walquíria ( ópera de Richard Wagner)







                 Walquíria  

                                                                         
                                                                                  
                                                                        


Combatente valente, marchas
entre trincheiras, em postos desconhecidos.
Vertes da tua pele os sonhos feridos.
No amor em luta guerreias, sublimando- te
no escudo de tuas defesas.
Feres-te enclausurado em silêncios.

Sinto-me a musa Walquíria em cavalgada,
 retirando-te da batalha entre os
 melhores guerreiros feridos.
Repouso-te no meu templo sedução,
 banho-te com bálsamos e unção
do meu Universo, em desejo

Faço-me bela ao me encantar por ti,
à espera do teu coração que pulsa,
na vida  que te retorna.
Sentes nos meus beijos mornos, tua cura
Oferenda aos deuses, de tua musa, 
na cura de si mesma.

Círculos de fogo não me atormentam
na guarda de tua alma amante.
 Em minha paz cavalgarás
acima do mar e da terra.
Abraça-me.





                                               Olynda Bassan



30 de jan. de 2017

Eu ri muito

Eu ri muito....
Viajar é muito divertido. Se vê de tudo e mais um pouco. Renova os ares, as alegrias. Se aprende e se ensina.
Não está esquisito uma banana muito bem instalada no armário de mantas e toalhas de banho? A mim também causou esquisitice. Mas, enfim, lá estava.
Nós fomos a um encontro, com algumas amigas. Orientadas quanto ao quarto que ficaríamos, nos acomodamos, então, me dirigi para o refeitório, seguindo o cheirinho do café sempre acolhedor depois de 3 horas de viagem. Bem, na volta, assim que abri a porta do alojamento me deparei com a senhora banana. Pensei...minha querida amiga deve ter uma alimentação politicamente correta: comer a cada três horas, hábitos saudáveis, muita água. Ela deve ter saído e retorna para pegá-la. Quem não conhece o valor nutricional desta fruta, dos quitutes doces e salgados, tendo a banana como ingrediente?
Mas, comecei a ficar intrigada porque a amiga saía e voltava, e de novo e a banana nada de ser retirada do seu lugar nada adequado. Onde que se pensa a banana? Na cozinha, fruteira, na copa. Geladeira? Acho que não combina muito, mas para não estragar está valendo. Até me lembrei do bolo que o João fazia e que as professoras do De Michielli amavam. Fecho o parênteses; voltemos para o quarto. Depois de idas e vindas resolvi esclarecer o caso “ banana”. Malu, foi você quem colocou esta banana no armário? “Foi”. E você não vai comer? “Não”. E agora desvendarei o mistério. “ Olynda, os quartos são todos iguais. Então coloquei a banana como um diferencial. Assim que abrimos o quarto, o identificamos como nosso.” Gente, mas eu ri gostoso e muitas vezes. Conhecia as mil utilidades da banana. Pra mim, esta é nova, mas que foi útil, foi. Dava segurança. Fica a dica, mesmo que não seja uma banana. E ainda deu crónica, lógico. Obrigada, amiga. Não falo que viajar é uma delícia? No final das atividades arrumamos as malas e ela já pode ser retirada daquele lugar inusitado. Sabe que eu não sei, se ela voltou para a frasqueira, ou se minha amiga a devorou? Olynda Bassan

26 de jan. de 2017

Arquétipo



Arquétipo
Há dias que se amanhece vendo o Sol brilhar, enquanto nuvens se desmantelam em suas comportas e lavam ares e terras. Até ouvimos um passarinho verde a chilrear. Outros reflexivos, diante de um estado de alma que nos incomoda. A quem estamos permitindo, que nos aflore o desamparo da infância, a insegurança da adolescência, a criança rejeitada no corpo de adulto? E sofremos por projeções imaginadas, na ausência da serenidade. E dá-lhe insônia, olhar com farol baixo, uma ruga de expressão e prece de libertação. Quebrar correntes e “buscar os desvios, pode ser interessante”, uma boa dica.
De repente, no meio do dia sentimos a falta de um chão, das nossas raízes ,que nos dizem quem somos e de onde viemos. Resgate da nossa identidade, da nossa autoestima e valorização, ou, apenas saudade dos nossos ombros, dos nossos estaleiros. Onde um guardanapo sob uma xícara de café, com pires, ou não, queria dizer; você é amada. Ontem fui à casa de uma amiga querida. Quando ela trouxe uma toalhinha bordada com ponto atrás e um bolo de fubá, ela nem sabe a emoção que me causou, o quanto me senti acolhida, na lembrança da D. Malvina, minha mãe.
Hoje, retirei do meu baú de guardados, a toalha da minha mãe, trançada nos desfiados de suas bordas. Trama da paciência na arte caseira. Precisava de um ninho. E qual o melhor arquétipo de ninho, de agasalhamento, se não, o da mãe? Ali está, ornamentando meu banheiro no sentido de pertença, acalentando minha alma. No conforto de ser amada, abençoada.
Chove chuva, esfria minha casa exterior, mas o calor permeia os cômodos da Fé, do sentido da vida, na alegria de sentir-se Sol, na gratidão. Bença mãe, bença pai. Há frestas, sim, no cinza destas nuvens. E vamos pra chuva. “Tens medo de chuva?” Não. Só das Nações. Abraço da Olynda.

19 de jan. de 2017

Em legítima defesa



                            Em legítima defesa.

Frase postada pela amiga Angélica. “ Confesso que já assassinei vários sentimentos em legítima defesa”.( Zack Magiezi)
Poxa! Um bom tema para uma crônica.
Parece uma novela, mas quem já não foi escritor e personagem deste combate insano, forjando um desejo que nos contradiz: eu não amo, quando se ama; eu quero ir embora, querendo ficar; o não quer dizer sim. Eu já superei, quando se está entranhado no desamparo até o pescoço. Palavras que só valem no momento, não se internalizam na discordância das escolhas. Mas o dia “do basta”, e não o “dia do fico” tem que sacudir o coração ferido, porque a pessoa que o machucou, não virá assoprar a dor, por mais que se espere no silêncio das insones madrugadas. No instante em que a decisão passa do coração à razão, enterramos a mala abarrotada de sentimentos que já pereceram além da esquina. Jogamos a última pá de cal, para que não definhemos nós. Ah, este amor próprio que vem a passos de tartaruga, deixando rastros inenarráveis de angústias e incertezas romanceadas.
No meu romance quero ser um escritor que incorpora ao seu personagem o seu lado mais drástico. O assassino inconfesso, que enrola os sentimentos e lança na vala do esquecimento libertador. E quando eu ouvir o último canto do cisne, como um “escritor fingidor” que mascara sua dor, estarei com uma taça de cristal, bem bojuda, girando a lágrima do vinho que escorre densa. Na sala ecoará uma gargalhada, ao som do “Aleluia de Handel”, como uma missa de exéquias. Na histeria me dou o direito de fechar as cortinas do primeiro ato.
E a vida segue como um teatro de muitos atos, com cenários construídos na arte requintada de se reescrever, no balanço das cortinas de veludo vermelho, que se fecham e se abrem na sequência do nosso enredo. Se no primeiro ato da opereta se debulha em lágrimas, procurando um lenço na bolsa, às vezes em vão; nos que se sucedem, o riso se faz presente num palco, até sem plateia, iluminado pelo brilho de um olhar verde esperança. Não serei mais o “escritor fingidor”, mas aquele que cavouca o que há de mais terno, de mais verdadeiro em mim, na gaiola de portas abertas.
No início um assassinato em legítima defesa, no pseudo egoísmo de se amar primeiro. No final, o voo da águia mulher, que transcende a coxia do espetáculo dantesco e rompe a imensidão de um novo mundo, no qual o seu baço olhar não sonhara.
Pela busca de si mesma,
na trilha da autoestima,
num sonho instigante,
declaro a ré inocente.
Olynda Bassan.

17 de jan. de 2017

Me reinvento





A imagem pode conter: tabela e área interna













       Uma chuvinha mansa lá fora,enlameando as ruas onde o asfalto ainda não chegou, regando raízes, que um dia florescem, esverdeando o mundo, pincelando cores, salpicando jardins. Não será um dia como o de ontem, então me reinvento no meu café. Faço diferente. Tomo em uma mesa sem aparatos, não acendo a luz, me faço prosa na penumbra, cercada pelos cadernos, livros, computador, agenda e fone de ouvido dá noite anterior. Sem pressa, molhando o pão amanhecido no café, como na casa dos meus 
dos meus pais. Aproveito o friozinho na pele, o respirar pausado, o sentido do instante que se faz calma e oração. Na caneca retrô, presente da filha, vejo a vida que, continua no novo, sem desperdiçar o passado; ombro que me sustenta. Não preciso fazer tudo igual, não preciso do Sol, da energia para enxergar a luz. Nesta manhã, a descortino dentro de mim, na serenidade do meu café e a cristalizo em crônica. Que fazer? Se ela é graxa das minhas engrenagens do pensar. Então um bom- dia queridos amigos iluminados. Abraço da Olynda

16 de jan. de 2017

Eu voltarei, Salvador







   
               
                                              Eu voltarei,  Salvador...

  

        Por que não consigo ouvir uma frase e não pensar em crônica? Já que é assim, escrevo mais uma rs.


      Minha filha Path, no momento de partir da Bahia, com a qual ela se identifica, e muito; depois de ser envelopada pelas delícias das férias, dizia ‘que já não tinha o sotaque “baianês”, mas de nordestino, pois assim se sentia. Ia para São Paulo trabalhar, para poder voltar.”
       Mais que uma declaração de amor a Salvador!  Tem muita Serotonina, muito prazer nesta frase. “Prozac” natural, sem efeitos colaterais. É o voltar para sobrepor as pegadas deixadas; onde se foi acolhido e acolheu. Onde se olhou no olho e se viu na luz. Será que baiano consegue ter depressão, no azul deste mar?
      Uma energia que a recarregará no alento, quando se levantar com os cômodos de sua alma sombreados, querendo ficar na quietude do seu quarto. É na benção do trabalho que me faço “pertença” neste mundo de concorrências e escolhas. Nem sempre o trabalho dignifica o homem, mas quem o tem já é um começo para pulos maiores.  Agora, trabalho aliado ao prazer de ir, não tem preço.
      Quando me sentia cansada, desanimada, eu pensava....”bora trabalhar Olynda, tem gente te esperando, tem um mundo lá fora para ser descoberto”. Vamos lá...”você adora empurrar carrinho no aeroporto” e isto custa dinheiro.  E se ganha com o suor e simpatia do seu rosto rsrs
      O sorriso da Path e da filhinha se incorporaram ao cenário das praias de Salvador; exuberantes! Quem? As parias, ou, os rostos com a cara da alegria? Há ambiguidade nesta frase? De jeito nenhum. Tudo exuberante na Natureza privilegiada dos baianos., no jeito de receber, e na reciprocidade, um sorriso agradecido e satisfeito.
Com conhecimento de causa, pelos momentos de incertezas vividos em 2016, onde a Fé triunfou e a deixou de pé, a Path canta folosofia em sua alma e fecha com chave de ouro, sua semana na Bahia " A vida deve ser intensa e maravilhosa, ainda que vez ou outra tenha a capacidade de ser dolorida" ( Path). Pelo visto terei uma cronista concorrente na família.


Somos retirantes na busca de nossas voltas.
                                                          Olynda Bassan


15 de jan. de 2017

Eu chorei por uma bicicleta









Moto, Viagens, Bicicleta, Turismo, Antigo, Retro




                                             Eu chorei por uma bicicleta.

     Dizem que hoje os pais presenteiam seus filhos, antes que surja o desejo. Se perde a espera, o encantamento de lutar por alguma coisa. Que se evita as frustrações, os traumas do desamparo por um não.
Há exceções. Meu Deus, como sofri por uma bicicleta. Briguei com meu irmão. Mordi seu braço porque vinha me gozar no meu choro sentindo, estirada na cama. Eu me lembro do seu rosto de “sarrista”, do quarto, da cama, como se fosse hoje.  O Pedro ria, até quando apanhava. Imagina! De nada adiantou. Sitiante, a mercê das chuvas, frio e calor, pai de 7 filhos, todos em idade escolar, não tinha como satisfazer meu tão sonhado presente.  Meu irmão punha o dedo na ferida que ainda sangrava. O tempo passou e não morri. Não sei se fiquei mais forte, ou mais tinhosa rsrs.
Dependia da boa vontade dos meus amigos em me emprestar a magrela. Lógico que havia desavenças, porque o meu tempo na vontade, não era o mesmo de quem usufruía do seu bem 24 h. por dia.
Hoje, a história se repete; minha neta chora por um par de patins.  Por aconselhamento de seu tio fisioterapeuta aguardou se aproximar dos seus quase 12 anos, para reascender sua esperança em conseguir tal façanha. Ela repete como um mantra “ eu quero meu  patins, meio cantado, meio choroso. E cadê que ele vem?  
Não se pode ostentar o que não se tem, no propósito de não frustrar, Esta é a realidade. Outras prioridades caseiras estão em jogo, neste mês e no outro, no outro..
O coração de vó fica pequenino, apertadinho na lembrança do seu desencanto de infância.
Quem sabe um dia, não é minha pequena? Você tenha mais sorte do que eu


                                                                 Olynda Bassan