17 de jan. de 2017

Me reinvento





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       Uma chuvinha mansa lá fora,enlameando as ruas onde o asfalto ainda não chegou, regando raízes, que um dia florescem, esverdeando o mundo, pincelando cores, salpicando jardins. Não será um dia como o de ontem, então me reinvento no meu café. Faço diferente. Tomo em uma mesa sem aparatos, não acendo a luz, me faço prosa na penumbra, cercada pelos cadernos, livros, computador, agenda e fone de ouvido dá noite anterior. Sem pressa, molhando o pão amanhecido no café, como na casa dos meus 
dos meus pais. Aproveito o friozinho na pele, o respirar pausado, o sentido do instante que se faz calma e oração. Na caneca retrô, presente da filha, vejo a vida que, continua no novo, sem desperdiçar o passado; ombro que me sustenta. Não preciso fazer tudo igual, não preciso do Sol, da energia para enxergar a luz. Nesta manhã, a descortino dentro de mim, na serenidade do meu café e a cristalizo em crônica. Que fazer? Se ela é graxa das minhas engrenagens do pensar. Então um bom- dia queridos amigos iluminados. Abraço da Olynda

16 de jan. de 2017

Eu voltarei, Salvador







   
               
                                              Eu voltarei,  Salvador...

  

        Por que não consigo ouvir uma frase e não pensar em crônica? Já que é assim, escrevo mais uma rs.


      Minha filha Path, no momento de partir da Bahia, com a qual ela se identifica, e muito; depois de ser envelopada pelas delícias das férias, dizia ‘que já não tinha o sotaque “baianês”, mas de nordestino, pois assim se sentia. Ia para São Paulo trabalhar, para poder voltar.”
       Mais que uma declaração de amor a Salvador!  Tem muita Serotonina, muito prazer nesta frase. “Prozac” natural, sem efeitos colaterais. É o voltar para sobrepor as pegadas deixadas; onde se foi acolhido e acolheu. Onde se olhou no olho e se viu na luz. Será que baiano consegue ter depressão, no azul deste mar?
      Uma energia que a recarregará no alento, quando se levantar com os cômodos de sua alma sombreados, querendo ficar na quietude do seu quarto. É na benção do trabalho que me faço “pertença” neste mundo de concorrências e escolhas. Nem sempre o trabalho dignifica o homem, mas quem o tem já é um começo para pulos maiores.  Agora, trabalho aliado ao prazer de ir, não tem preço.
      Quando me sentia cansada, desanimada, eu pensava....”bora trabalhar Olynda, tem gente te esperando, tem um mundo lá fora para ser descoberto”. Vamos lá...”você adora empurrar carrinho no aeroporto” e isto custa dinheiro.  E se ganha com o suor e simpatia do seu rosto rsrs
      O sorriso da Path e da filhinha se incorporaram ao cenário das praias de Salvador; exuberantes! Quem? As parias, ou, os rostos com a cara da alegria? Há ambiguidade nesta frase? De jeito nenhum. Tudo exuberante na Natureza privilegiada dos baianos., no jeito de receber, e na reciprocidade, um sorriso agradecido e satisfeito.
Com conhecimento de causa, pelos momentos de incertezas vividos em 2016, onde a Fé triunfou e a deixou de pé, a Path canta folosofia em sua alma e fecha com chave de ouro, sua semana na Bahia " A vida deve ser intensa e maravilhosa, ainda que vez ou outra tenha a capacidade de ser dolorida" ( Path). Pelo visto terei uma cronista concorrente na família.


Somos retirantes na busca de nossas voltas.
                                                          Olynda Bassan


15 de jan. de 2017

Eu chorei por uma bicicleta









Moto, Viagens, Bicicleta, Turismo, Antigo, Retro




                                             Eu chorei por uma bicicleta.

     Dizem que hoje os pais presenteiam seus filhos, antes que surja o desejo. Se perde a espera, o encantamento de lutar por alguma coisa. Que se evita as frustrações, os traumas do desamparo por um não.
Há exceções. Meu Deus, como sofri por uma bicicleta. Briguei com meu irmão. Mordi seu braço porque vinha me gozar no meu choro sentindo, estirada na cama. Eu me lembro do seu rosto de “sarrista”, do quarto, da cama, como se fosse hoje.  O Pedro ria, até quando apanhava. Imagina! De nada adiantou. Sitiante, a mercê das chuvas, frio e calor, pai de 7 filhos, todos em idade escolar, não tinha como satisfazer meu tão sonhado presente.  Meu irmão punha o dedo na ferida que ainda sangrava. O tempo passou e não morri. Não sei se fiquei mais forte, ou mais tinhosa rsrs.
Dependia da boa vontade dos meus amigos em me emprestar a magrela. Lógico que havia desavenças, porque o meu tempo na vontade, não era o mesmo de quem usufruía do seu bem 24 h. por dia.
Hoje, a história se repete; minha neta chora por um par de patins.  Por aconselhamento de seu tio fisioterapeuta aguardou se aproximar dos seus quase 12 anos, para reascender sua esperança em conseguir tal façanha. Ela repete como um mantra “ eu quero meu  patins, meio cantado, meio choroso. E cadê que ele vem?  
Não se pode ostentar o que não se tem, no propósito de não frustrar, Esta é a realidade. Outras prioridades caseiras estão em jogo, neste mês e no outro, no outro..
O coração de vó fica pequenino, apertadinho na lembrança do seu desencanto de infância.
Quem sabe um dia, não é minha pequena? Você tenha mais sorte do que eu


                                                                 Olynda Bassan

Eu, e os meus verbos






                                                        Eu,  e o meus  verbos

“


 Quem sabe faz ao vivo
  Não espera acontecer”

Sair
 por aí com o vento na cara
Ser
paz, sem medo de perdê-la
Amar
Conjugado no presente
Sofrer
sem medo do sofrimento
Pisar
em qualquer torrão
conhecer meu chão.
Viajar
sem mágoa, esconderijo do ontem
Caminhar
nem ao Arroio, ou Chuí
em mim
Sorrir
em consonância com a alma
Espalhar
 o vírus, hospedeiro da alegria
Sentir
o agora e não o que desejaria
Libertar
dos desejos que me aprisionam
Ir
Com o vento na cara
nos caminhos sob a pele.

                                                           Olynda Bassan       


14 de jan. de 2017

No elevador




                              No elevador


     Na espera do elevador, a relatividade do tempo. Quanto mais  temos pressa, maior é a sensação da demora. Por que parou; parou por quê? É a fulana do quinto andar.  sempre ela. Lá vem os julgamentos.
  Somos conhecidos, desconhecidos, a única certeza é que estamos num lugar apertado com pessoas chegando, ou saindo. Ninguém parado, vendo a banda passar. Os que chegam do trabalho, e os que buscam, na esperança e sola gasta.
 Muitos sentidos são despertados dentro de um elevador. Alguns agradáveis, outros irritantemente desagradáveis. No meu prédio, a lixeira comum fica longe dos apartamentos, e apenas um elevador; o social, sendo assim, temos que transportar nossos lixos por uma única via. Nada mais desagradável que sair toda embonecada, perfumada e se deparar com sacos de lixo no mesmo espaço. Muitos moradores esperam o elevador voltar para não incomodar. Pessoas educadas, de bom senso. Outras se desculpam, pois não podem levar em outro horário. Ás vezes eles já estiveram por lá, pelo rastro do odor deixado. Em contrapartida se sente os perfumes, as fragâncias do após banho. Moças de cabelo molhado, de um frescor invejável, partindo pra noite, pra Faculdade. Despertam a curiosidade de saber onde vão, quais cursos frequentam.  Homens cheirosos; como é bom! Outros com o macacão cheirando à graxa, tinta. Trabalham! Um privilégio.
   Ah, de manhã encontramos as crianças abraçadinhas no pescoço do papai, se negando a despertar. Mal lavaram os olhinhos de sono, mas a escolinha, ou a casa da vovó as esperam. Vejo também  as bonequinhas de cabelo com trancinha, "chuquinhas", todas tagarelas, parecendo que viram passarinho verde ao acordarem; papais calmos, sem estresse, no maior papo com os filhotes.  Os meninos de super herói, puxam suas próprias mochilas. Me preocupa as caras amarradas, preocupadas. Triste jeito de se começar um dia. 
 O elevador é palco de conversas truncadas. Nunca se sabe o causo todo. Ah, se curiosidade matasse. 
 Lugar para olhar o nada. Na caixa metálica, estou no espelho e me pergunto "se teria medo de quem sou hoje". Não me reconheço nas expressões que o tempo desenhou em minha pele. Os traços da alma são mais leves, mais jovem que a mulher refletida. E não há volta. É seguir e seguir. Espaço para se começar uma crônica: que calor! esfriou né? será que vai chover?
 Do inesperado. De repente um menino falante começa a lhe falar da escola, da menina linda da sua classe, lhe fazendo de confidente. Fico sorrindo pra inocência, ainda em seus olhos. E os " filhos- cachorro"? Meus Deus, com que carinho os abraçam! Nos sentimos na obrigação de cumprimentá-los, de acariciar o pelo, de perguntar o nome, pois é o ser mais importante daquele lugar.
 Elevador, espaço de fantasias para os amantes. Beijos roubados entre um andar e outro.  Querendo prolongar o tempo para amar mais. Câmaras? Ora bolas! E lá é hora de se lembrar delas? Mas, devia. Elas revelam os que se ajeitam, os que passam batom, limpam os dentes, arrumam a meia-calça, o cinto. E até com quem estamos saindo. Não se guarda segredo em um elevador moderno.
 Ah, se elevador falasse....

                  Olynda Bassan


Um encanto

Eu me encanto com o canto em que moro. Me sinto em uma colônia de férias. No som do movimento das águas da piscina, imagino um murmurar de uma cachoeira. No balé dos pássaros, um bosque. O sábado está de um encanto só. O olhar, que bem olhado com a alma, me diz: esta é a felicidade dos instantes. Simples assim. mas, quem mora ao redor de "um clube" conhece bem o movimento das vozes que se espalham pelas quadras, as bolas que se trombam com   cestas de basquete, os gritos ao mergulharem nas piscinas. É o barulho da alegria saudável, entre amigos. Nos acostumamos à vida do condomínio. Não me incomodam. Ás 22 horas, apagam-se as luzes, como um toque de recolher. O silêncio reina novamente no espaço de lazer.  Boooom dia na brisa da minha janela, no balanço dos cabelos. Só me resta um louvor bem dado ao meu Senhor.

12 de jan. de 2017

Com avental se faz crônica






       Com Avental também se faz crônica, sabia?


    Eu me lembro da música exaustivamente cantada nos dias das mães, que a reduzia à mulher do lar, com o avental todo sujo de ovo.
Mas, existe coisa mais decepcionante que, ao passar uma roupa, perceber que está manchada de gordura e perder toda a lavagem? E volta para o cesto de roupa suja, mesmo cheirosinha.
 Tudo porque deixamos o nosso avental pendurado num gancho qualquer.
  Para não lavar a roupa duas vezes faço um propósito para 2017: colocar avental ao cozinhar. Parece simples, não é? Mas é uma mudança de hábito como outro qualquer, que nos evita gastos, tempo, também conserva melhor a roupa e não nos deixa chateadas. Ajuda na autoestima; eu consegui!
 A criatividade com que se idealizam esta peça é encantadora. Tem uma gama de modelos, cores e tamanhos. O tema passeia pelo humor, clássico, charme e época. Também têm os customizados.  Ficam uma graça e ainda são sustentáveis. Pode-se rever os costumes de época por meio dos aventais usados em cada período da História. 
 É comum presentear amigos com os aventais trazidos das viagens,  enroladinhos num canto da mala comprada só para os acréscimos da bagagem. Lembram a cidade visitada, algum filme preferido,ou o hobby do presenteado. Não faltam os modelos que as escolas confeccionam no dia dos pais, das mães, estampando os rostos dos filhos, declarando um grande amor. Um rosto suave, outros com janelinhas nos dentes, orgulho de quem já está crescidinho, deixando de ser o bebê da família. Aventais que trazem o Self do encontro de Família. Dos afagos nos cabelos,  da mão no ombro que acaricia; o olhar úmido da saudade que sentiu e da alegria por estar, em chegar.  Sem falar das frases inevitáveis; como você cresceu! Já está na Faculdade, com esta carinha de menina? Tem namorado?   Conta pra tia.
Todos nós temos uma história com os nossos aventais, mesmo que hoje, eles não nos lembrem a mamãe apenas pilotando um fogão. Têm  também, muitos ao redor de uma churrasqueira.
 E quando  se está na casa de alguém e resolve dar um jeito na pia? Bem à sua frente um lindo avental que a amiga ganhou da outra amiga que carinhosamente o trouxe do México. Você acaba de vestir o dito avental, ela diz" preciso guardar este avental" Tóim !!! E agora? Tiro, ou continuo a lavar a louça ? kk
   Minha mãe nos dava aventais feitos de sacos de farinha, com bainhas de pano estampado, com rendinhas ou bicos de crochê.  Era mais que um avental. Tinha cheiro das comidas feitas em fogão à lenha, das flores do jardim regado todos os dias, das noites velando nossa dor de ouvido, nossas cólicas, da gemada que fazia cedinho, do pão assado nas folhas de bananeira no forno redondo.
 Nunca nos deixava sem presente de Natal, ou de aniversário. Sua criatividade  externava o seu amor na simplicidade de uma máquina de costura, do pano reciclado. Havia poesia escrita naquele avental. Será que soubemos ler os seus seus versos?

                                     Olynda Bassan