7 de abr. de 2016

Estou cansada, muito cansada










                Estou cansada, muito cansada.
                 

      Estou cansada de me sentir conduzida pelos avessos, com linhas emaranhadas pela corrupção, pelos interesses próprios e não públicos. Poxa, na escola me ensinaram que política era arte, ciência, administrador de interesse público, um bem comum.
   Cansada de brincarem de casinha com o meu dinheiro, de “repartirem as vestes entre eles”, deixando-me à deriva da estrada, com minha nudez de símbolos, de arquétipos que me inspirariam a dizer: “quando eu crescer quero  ser como eles.”
    Cansada de conceber a dúvida, se temos várias constituições. Tantos entendimentos e  vereditos  sobre o mesmo fato. O verso e o reverso são  provados  pela  Constitucionalidade , assegurando a supremacia da Carta Magna, fazendo uso das “ brechas da Lei”. Um puxar a sardinha para a sua brasa, mais incandescente que a outra.  Trava-se o País,
   Cansada de ler as estatísticas sobre inflação e constatar que a conta não fecha com o meu bolso, que parece estar furado e não há costureira que dê jeito. As agulhas entortam no tecido duro da realidade.
   Cansada dos conchaves que vão além das colisões partidárias e das parcerias necessárias para a governabilidade. O toma lá, dá cá, usurpando o erário público  (leia –se nosso).
   Cansada da profissionalização dos mandatos na vereança, deputados e senadores.  Poucos, com muito poder durante décadas; os caciques da política os manda – chuva. Acima do bem e do mal.
   Cansada da imprensa tendenciosa. Esconde-se  informações de acordo com interesses. Mas, aonde irei me informar dos fatos, que não seja pela imprensa falada e escrita? Vou lendo as notícias, desconstruindo discursos, com dois pés atrás e um na frente.
   Cansada de ouvir a frase: a corrupção é cultura brasileira  desde o descobrimento. Sim, ela está presente em todos os partidos, ou seria em quase todos?  Os partidos são edificados por rostos, almas. Não estou, neste desabafo simplório,  analisando partidos, mas pessoas, políticos que disputam o meu voto, no qual outorgo uma procuração universal para os devidos fins, na confiabilidade.  Talvez não aja “ 5 justos” que impediriam a destruição da moral, mas o ser humano tem vontades, discernimento e capacidade para mudar  o quanto quiser.  Precisa se repetir exaustivamente o mesmo proceder?
    Cansada da justificativa do A, declarando que o B, C, D também realizam as mesmas ações ilícitas.  Quer dizer, se todo mundo rouba, a conduta dirime a culpa.  Que as águas das investigações banhem  de A a Z e seja tudo devidamente esclarecido.
      Cansada de observar o jeitinho brasileiro, a Lei de Gérson nas pequenas infrações ao virar a esquina; no uso indevido das vagas especiais; pequenos subornos; o passar na frente, e por aí vaaaaii
    Cansada de muitas e muitas coisas... Busco na Física Quântica o amparo para que a minha esperança não se esmoreça diante das mazelas caóticas. A partir do caos, do poço, que sequer se enxerga o fundo, uma Nação pode se realinhar em meio às atitudes aparentemente desastrosas. Remexidas as águas, o lodo sobe, e é bom que suba, e que na transparência das águas se dilua. Mesmo que aconteça no espaço de gerações.
    O povo foi às ruas pelo A e pelo B. Não se iludam!  Também sairá pelo C.
   Cansado está!
    Enquanto escrevo penso na frase de John F. Kennedy “ Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer pelo seu país”.
 Reflexão oportuna.
   Brasil, quero vê-lo como uma Fênix, voando após cantar o seu canto da morte.

                           Olynda Aparecida Bassan Franco


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4 de abr. de 2016

Porta entreaberta

            









               Porta entreaberta


   Gira, gira o mundo em  ciclos.
   Lua cheia prateia.O  Sol doura a vida.
   As marés balançam o mar.
   Ciclos findos: vida que  renasce.
   Ciclos partidos: porta entreaberta.
   Respira-se passado, saudade
  

   No apego sofredor  se distancia
   e se regressa,  à mesma fresta.
  Amores mal resolvidos na alma
   carente, silencia a poesia
   do hoje e do amanhã,
  

  Sonhos não resistem ao passado 
  arrastado, sem roteiro, nem lugar.
  No viés se sofre de novo e de novo.
  Catarse do não.

 Na coragem de se chavear a porta,
 na  lágrima  ao som de um trinco,
 se arvora o desapego; nova história.

 A  vida quer vida, nas possibilidades 
  do  poema novo que se tece. 

                          Olynda Bassan









3 de abr. de 2016

poetrix chuvas de mim










        Chuvas de mim



  É madrugada, chuva pesada
  Enigmas em minha alma
  Lava - me
   ****
  Chuva se derrama intensa
  Coração enternecido palpita
  "Alma-me"
   ****
  Gotas de cristais
  delicadas, translúcidas
  Ama-me
    ****
  Som forte das águas

  canta  meu sonho.
  Ouça -me
  ****
  Chuva, sono, um olhar...
  gosto de grafar palavras
  Inspira-me

  **** 
 Verso riscado em
 respingos de cor e rítmo
 Poetiza-me.

                      Olynda Bassan


As nuvens passam



                    As nuvens passam; passamos nós.




 Hei, cadê o ursinho que estava ali? Virou leão. Bem ali tinha um cavalo, sei que eu vi; agora enxergo um homem deitado. Ah, mas minha fadinha, com varinha de condão, está ao alcance do meu olhar. Não acredito! Se foi...não consegui nem um clic. Como tudo muda tão rápido, não é? Num piscar de olhos e " bum" o que era, não é mais. Danada esta vida. Prometo, ah, se prometo, palavra de escoteiro: arrancar a tela é me agarrar na imagem que for: cavalo, ursinho, fadinha, mas que me encha os olhos, que eu pense: isto me faz feliz! Num repente.... Bom dia, bênçãos nas nuvens que se transformam, só o AMOR de Deus é infindo. Abraço da Olynda. Opa! Mudou de nooovo rsrs
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Saudade do que não tive







   

                Saudade do que não tive




No avarandado da casa,

a brisa acaricia minha face
Fecho os olhos e tu vens.
Saudade de um rosto,
saudade de uma boca linda,
do beijo que não beijei.
Meu coração sentiu o teu
no abraço imaginado.
Tudo foi dito sem dizer.

Sim, saudade de quem
nunca me tocou a pele.
Sinto tua alma, sem estar.
Te visito em sonhos;
mais que sonhos.
Como cego te percebo e amo.
 Me  apercebo em ti,
 no adeus da lágrima

 Saudade da tua alma
 na minha alma; 
  da nossa história,
 em uníssono silêncio
 Amo o que não tive.

                                   
Olynda Bassan
                                               

Mãe, sementeira

                          

                         


                                                 Semeia flores

     
      Aquela mãe se levanta junto com o Sol que doura o mundo e dele recebe a energia para pisar o chão, que  sonha ser areia fofa e morna.
     Na folhinha pendurada na parede descascada da cozinha, os dias são riscados um a um. Seria mais um, ou menos um?   Com a xícara de café e a fatia de queijo em mãos a mulher olha pela janela e nos olhos marejados pela saudade, se lê a oração. A mãe fixa o infinito como se não houvesse nada além dela.  Cristalizado em seu olhar está o dourado da medalha reluzente  sobre peito do filho. No amor gerado no primeiro útero, a mãe enxerga o invisível e espera..espera...
            Nas suas  idas e infindas vindas ao portão da casa  ela  assola a terra, pisoteia  a grama como se fosse as uvas, no preparo  do vinho festivo. No sorriso  da alma, planta, semeia  flores; decora o caminho.
           Hoje, as flores perfumam a prece.

                                                          Olynda Bassan

Não li seu olhar





                            Não li o seu olhar



  Vejo um rosto viajador em
  imagens flutuantes nas
  nuvens inquietas.
  ****
  Nos flocos enigmáticos,
  alvo algodão, sonho com
  seu perfil contornado.
  ****
  Em que momento eu perdi, você?
  Em devaneios me distraí, sua
  despedida não percebi.
  ****
  Ausente na sua alma,
  sou morada em alma vazia.
  Seu olhar eu não li.
  ****
  Pelos céus eu persigo
  a poesia que tão perto
  esteve, e não senti.
  ****
  Quisera ouvir o seu silêncio,
  seus vazios nas entrelinhas,
  o não dito em palavras.
  ****.
  Como um fugidio poema,
  beijo a saudade em versos
  na expressão do coração.
                   Olynda Bassan