4 de ago. de 2019

ABletras 26 anos

A vida é assim..
Tira-se a havaiana, hidrata - se o pé esfoliado pela areia , calça um salto 9, para arrepio do filho fisioterapeuta e devidamente vestida em honra à Academia de Letras de Bauru, junta- se aos confrades na celebração de seus 26 anos. Noite, onde a Língua Portuguesa também se sente homenageada. A palavra é gratidão . Noite agradabilíssima! Norte de uma busca incessante pela preservação de um Símbolo de União, a nossa Língua.
Amanhã, será outro dia...quase rotina rsrs
Boa noite. Fiquem em paz

Crônica de Aeroporto

Crônica de Aeroporto.
Na próxima viagem ao encontro de Sol, praia e mar ela irá com 5 kl. Palavra de escoteiro. Quanto ao Inverno, não tenho tanta convicção do meu desapego.
À primeira vista, o fato de se cobrar pela bagagem além de 10 kl, se reduz a vaidade, se organiza em uma maleta e pronto, como diz o nordestino. Foi gerado um outro problema.
Não é tão simples assim. A bagagem de mão aumentou e com a capacidade máxima do voo, ela não se acomoda nos bagageiros.
Estávamos na fila de embarque e observamos que algumas malas, mochilas eram separadas
O coração ficou apreensivo. Terei despesa extra? Como assim? Não comprei nada. Ela voltou como foi - 8kl.
Na verdade, agora somos convidados a despachar a bagagem, sem se levar em conta o peso.
Para a Vera e eu foi ótimo. Teríamos uma conexão de 7 horas. Com o atraso de uma hora, nada menos de 8 h de espera. O banco vai ficando cada vez mais duro, desconfortável . A cabeça pesa, a cervical dá sinais de estresse, a lombar parece encolher, dando sinais que necessitam de postura mais adequada, impossível naquele momento.
Quanto à conexão, não escolhida, será tema de outra crônica.
Agora, vamos à organização da casa, pós férias. O parêntese se fecha e retornamos à rotina .
O que eu gosto mesmo é acordar, tirar fotos dos meus cantinhos, da luz que encontra caminhos pela cortina, da penumbra da sala e pensar em crônica, mesmo que não escreva no momento. Afinal, o dia também é uma criança.
Boa semana. Paz, apesar do " ses" da vida.
Abraço da Olynda

Ser feliz no simples

Fotos tão peculiares na mesma postagem? O que uma tem a ver com a outra? Separadamente...nada mesmo. Mas, se um fio imaginário desenhar um A unindo as duas imagens, se acarinha uma manifestação de Amizade.
No "dia do amigo", estava dando um trato nas minhas unhas, cansada depois de quase 24 horas em trânsito, resfriada, meio febril e percebo que a Renata Souza, querida amiga manicure, foi recortando florzinhas, pegando vidro com gliter , sem mesmo eu pedir a arte.
-- Nossa, que chic!
- É pelo dia " do amigo "
Um carinho só. Nesses anos de encontros semanais, já pulamos muitas ondas serenas e tantas outras enfurecidas. E sobrevivemos.
Ao acabar o trabalho...
Olynda, vc não está bem. À noite teria o evento dos 26 anos da ABletras.
Vc tem chá? Escolhe um . Toma e descansa
Sentiram a textura do cordão que une almas, na simplicidade de enxergar o outro? Entrelaçando símbolos?
Nesse mesmo Ateliê, no meu aniversário fuii acolhida com Parabens e bolo de fubá.
Essa demonstração de amizade me arrepia a pele, pela qual exala o perfume gratidão.
Nada no tudo
Tudo no nada.
Massageia o
coração , poetiza a vida .
Obrigada
Olynda Bassan

Um certo hotel

Estávamos em onze pessoas. É comum se formar um grupo e sair voando de quando em quando. Eu viajava pela primeira vez, em bando rs. Sabe que gostei? Pessoas especiais.
Manhã preguiçosa, nublada. Não combinava com a linda Maceió.
Mas, se é para passear, vamos lá. Num chuvisca e passa. Passa, chuvisca, os amigos aventuraram a caminhar. Eu permaneci no hotel. Faço opção por explorar o canto onde estou. Estar, me dá a sensação de pertença, mesmo que seja por alguns dias. O escrever me fazia cócegas.
Na chegada, no saguão do Hotel Ciribaí, Maceió, detalhes chamaram-me atenção. Os olhos ainda circulavam no macro espaço, quase distraídos.
Disse à atendente Raimunda, entre malas e checkin:
-- Que lugarzinho charmoso!
-- É mesmo, a d. Sônia gosta de enfeitar.
A beleza simples, aconchegante, se fazia na decoração com bom gosto.
“Cantinhos” revelam a personalidade de quem os sonham e as mãos constroem.
. Clássico, rústico, despojado vão contando do lugar
. Em frente aos objetos, escolhendo ângulos, aos quadros, caminhando, até que em uma charmosa estante, descubro um livro " Memórias de Bordo " de João Pereira Moura " Eu me sento nas poltronas convidativas à leitura, a um papo olho no olho. Folheio. O registro da vida de um pai, incentivado pelos filhos. Volto o livro à prateleira com a intenção de ler depois. Retomo às fotos.
No balcão, uma simpática mulher me observa e se oferece para tirar as fotos. Digo não ser necessário e agradeço.. Os cantinhos charmosos, misturando estilos clássicos, abstratos, regionais seriam usados em uma crônica. Sabia que o nome da dona do Hotel era Sônia.
-- Você é Sônia?
-- Sim. Os sorrisos se alargam.
__ Ah, você escreve? Apressadamente sai, dizendo que iria me dar um presente, então.
Sônia, entrega - me o livro. O sr João, autor do livro é seu pai. Dentro, o contato dele, com uma mensagem: “Este livro é seu. Ficarei honrado, se a pessoa que o ler, fizer comentários, críticas ou opinar a respeito do conteúdo”.
Sr João não é só amante da Literatura, como pinta também. Os quadros que decoram o hotel são de seu pai com 84 anos e outros de sua filha. Segundo Sonia seu pai é antenado, lúcido perante o mundo e a ele próprio. Vai do abstrato à natureza morta, paisagens.
Sob sua encomenda, fez telas sob medida, desenhos geométricos, bem alegres. Sabe pra quê? Para vestirem as caixas de energia Não é um charme?
Com os olhos úmidos, a filha me disse que por meio da escrita, conheceu seu pai.
Sai do pedestal de Pai e se encarna no homem com desejos, dores, sentimentos inaudíveis no olhar de filhos.
Eu entendi as palavras da Sônia, ao ler o livro. A fibra, o caráter do sr João foi forjado no fogo, desde a infância. O “ Memórias de Bordo”, relata o seu primeiro dia na “Escola de Aprendizes Marinheiros do Estado da Bahia até a passagem para a Reforma. Tão jovem foi alvo de injustiças, sofreu represálias, mas dizia a verdade, sempre. Assumia suas convicções da moral, da ética. Curioso, foi se capacitando e acumulando funções e experiências. Corajoso, que só ele. Vida exemplar. Lembra meu pai.
Uma vez, contando um fato para a Path, ela me disse...”mãe, desconheço isso em você, de você. Por que não escreve sua vida? Por certo nos revelaria a mãe, a mulher que desconhecemos. É.
Obrigada à equipe do Hotel Ciribaí. Ô delicia de café, de ducha, de acolhimento. Não se classifica um hotel só pelas estrelas, não.
Enxergando além do balcão, onde entrego e retiro a chave, um olhar perceptivo me faz feliz e grata, esteja, onde estiver.
Vidas humanas entrelaçadas às paredes impessoais de um hotel, ensinam a vida.
Sr, João, segue meu livro “ Almas em Versos”.
Somaremos nossas emoções reveladas na alma de escrevinhadores.
Obrigada
Olynda Bassan
13/07/2019 Maceió

7 de mai. de 2019

Tributo à mulher


Tributo à mulher

Mulher de todos os dias.
Homenagem atemporal
Mulher
És harmonia
garra
protesto
leveza
És indignação
sabedoria.
beleza.
feminilidade.
mãe
prazer
És imensa.
multidão em uma só.
pedra angular.
rocha na areia que se move
pilar na alternância das marés
bailarina além dos salões.
És útero sacramentado em poesia – no filho
maternidade da Natureza.
procriação sem filhos gerados
o canto da pedra
ÉS discriminada, violentada no SER.
desamparo de um Sistema doentio.
saco de pancadas do homem vil.
És altar na tua dignidade
És luta sem fim
És digna de fidelidade.
De ser respeitada.
De ser compreendida.
És criatura do Criador.
És o Amor encarnado.

Tributo à d. Toninha

Tributo à professora" Toninha " da Escola Manoel Gonçalves de Agudos, talvez aposentada.
Eu não a conheço pessoalmente, mas ontem à noite, ouvi palavras que me revelaram seu carisma de educadora e de alma. Não deve estar entendendo, nada. Vamos lá.
Iria tomar o ônibus para São Paulo à meia noite. Dei uma de mineira- cheguei bem antes do horário. Idosa tem que pôr o pé no breque rs.
Passando tranquilamente pelo Frans Café, vejo um jovem solitário, magro, mal vestido , com tranças no cabelo, apoiado no balcão, degustando seu pão de queijo, com gosto. Olho para a vitrine. Como, não como? . Não, e sigo para a plataforma de embarque. Me virei, quando ouvi. " A senhora parece minha professora de geografia. Com ela ninguém repetia. Ensinava até aprender. Tenho saudade dela. Fui um aluno rebelde, mas ela não me abandonava". Dei um dedo de prosa e me fui.
Na área de embarque, senti vontade de prolongar aquela conversa. Quem não gosta de elogios ao professor? Fiz meia volta, pedi um lanche e me acheguei àquele aluno que guardava no peito, o deslumbramento pela professora de geografia. Os olhos pequenos brilhavam num rosto magro, entumecido pela bebida. E conversa vai, conversa vem, o nome da professora me foi revelado - D. Antônia - D Toninha.
"Eu dei trabalho, dona, mas da aula da d. Toninha não fugia. Ninguém enforcava aula, dela. Ela sabia cativar os alunos. A aula dela era uma brincadeira. Eu procurava ela nas outras salas de aula. Tenho mesmo saudade da d. Toninha.. Aquilo que era professora. A senhora parece mesmo com ela ." Contei um pouco de mim, me despedi com a alma sorrindo em consonância com a alegria daquele aluno, que um dia se encontrou com a d. Toninha. Essa recordação talvez seja a sua grande e única riqueza.
Toninha, a sua também. Ser reconhecida e lembrada, não por um aluno que anda pelas próprias pernas, mas pelo aluno rebelde, sem estrutura escolar, é o testemunho do seu valor humano, além do educacional.
Espero que chegue até você. Parabéns querida colega de estrada
O nome do aluno?
Luciano Garcia
Olynda Bassan
Membro da ABletras

Quando o laço se desfaz

Quando o laço se desfaz ( luto)
“ Que Maria recolha nossas lágrimas, antes que caiam ao chão.
Duas fitas se encontram, se enlaçam e vão tecendo laçarotes. Algumas famílias com um, dois, três. Outras, com um tufo de laçarotes desiguais nas cores, texturas, formas, mas FAMÍLIA.
E na convivência, só se enxergam os elos engomados, todos alinhados, como se o vento não os amarrotassem, a chuva não os desfizessem. Tudo nos conformes. Está sempre tudo bem pelo Whatsapp, Messenger, ligações. Nos encontros de família, não falta nenhum. Pode conferir.
E o tempo passa... e as estações se alternam... um laço começa a se soltar. Não entendemos o porquê. Estava tão bem! Indagações não são poucas. Não importa a Estação do Ano. Há laços que voam no auge da primavera, ainda eclodindo os botões. Outros mais resistentes chegam ao Outono, Inverno. Partida que dilacera.
Tantos cuidados! Tanto amor! Mas, hoje, soltou - se um laçarote da Família Bassan - do seu José e da d. Malvina.
Terminou seu tempo neste plano terrestre, o nosso amado irmão José Antônio Bassan. Por um câncer, ele viveu a sua sexta- feira santa, envolto em uma aura de espiritualidade, de serenidade. Confirmou sua Fé, na dor de cada dia, nos desenganos de cada prognóstico. Sentiu o colo de Deus o acolhendo, sem desamparo. Sua vida foi – se cumprindo na sua crença, fiel à doutrina transmitida pelos nossos pais. No apoio incondicional de sua esposa e filhos. Que exemplo de partilha, de entrega! Gratidão, também às cuidadoras. Elas aprenderam a lhe amar.
É um momento de luto, que tem que ser vivenciado. Doído. Momento de introspecção, intimista. Dor particular de perda física, que mexe com nossas tristezas. O que nos consola que o “ Bassan” se encontra em outra plenitude, outro plano espiritual. Já não sente dor.
“ Zé Antônio”, você caminhou sua estrada de santidade e sua família percorreu junto. Há uma nuvem de ternura cingindo os corações.
Já não enxergamos o “ laço”, porque ele migrou para as entranhas do nosso amor. Que sua passagem seja de Luz. Deus contigo. Maria, que tanto amava, lhe dê seu colinho. Aqui, a saudade eterna.
No meu desabafo, cabem todos os seus irmãos, amigos, família e suas cuidadoras.
Olynda Bassan