21 de fev. de 2019

"A lista"

Amo, apesar das distâncias
“A Lista”
É entranha esgarçada,
na lista apagada.
É emoção / é saudade.
É lembrança de rosto e voz.
Confidências - olho no olho,
na luz virtual.
É gratidão/ é experiência amada.
É lágrima/ é sorriso de um dia.
É sentir o gosto de querer de novo.
É cheiro de encontro.
É abraço de ausência.
É a ida não permitida.
É adeus não consentido.
É nome riscado.
Era escrito em ouro.
É pergunta sem resposta.
É aprendizado.
A vida é mesmo travessia.
Uns ancoram na margem de cá.
Outros encontramos lá...
no aceno de chegada.
Outros dividem espaços
e juntos espreitam o Sol
beijar a água na correnteza
da vida.
Mãos entrelaçadas, apesar de...
No afeto não há vazios.
Nas linhas em branco,
minha alma lê nomes
entre ausências e saúda
a lista de amigos de
tempos atrás.
No afeto não há vazios...
Olynda Bassan
Membro da Academia Bauruense de Letras

Noite bem dormida


     E amanheceu

 Raio da manhã, iluminando  o chão, risadas dos funcionários cuidando do nosso quintal, como costume dizer..
Nossa, a noite se foi e não senti.
Sonho meu...Sonho meu...cantam alguns. Ou muitos. Os que sofrem com a insônia onde se arrata a noite.  São sinais, são letras que nos contam do nosso quanto interior, de nossa alma inquieta.
Ontem, participando de um bazar de artesanato, declamando poesias, como momento cultural do evento, em conversa, uma simpática senhora, me perguntou:
- Escreve crônicas? Sobre o quê?
Assim...assuntos simples...do cotidiano...de um olhar em retalhos, em detalhes...que podem ser filosofia de vida. Para ser feliz, no simples, no pouco.
Ver Deus aqui e ali. Na flor, no perfume, no companheiro da dor e do amor. Dar sentido na partida e na chegada. Sentir gratidão no murmurar da cachoeira, no silêncio do lago prateado, na ave que plana .

Bom dia. Abraço da Olynda com y.





Noite de Louvor




Luz...

para me autoconhecer,  me amar, me iluminar na fé, na esperança. 
Guiar  no amor que irradia o mundo.
A minha luz lhe dou. A sua luz eu recebo
E juntos, na Luz de Cristo, em nossas sombras e em nosso brilho.






Minha fonte_ meu sonho

                                       O murmurar da cachoeira


      Surpresas, alegrias ou tristezas surgem num piscar de olhos. Tudo passa e tudo pode chegar.
Existem sonhos tão simples, mas adiamos a concretude pelo custo, nem tão alto, mas há opções na cadeia de prioridades. “ depois eu compro”. Assim acontecia com o meu gosto em ter uma fonte. Pequena, mas que entrasse na minha sala, no meu quarto - sei lá - resolveria quando a trouxesse embrulhadinha, carregando-a com o maior cuidado do mundo.
E como tudo pode chegar...
Era aniversário do meu cunhado José Aurélio, na Barra Bonita. Peguei estrada e lá fui eu. Explorando o quintal, admirando as orquídeas da minha irmã, o pomar em vasos, o minhocário, me deparo com duas fontes apagadas, silenciosas, num canto. Pensei alto.... “quanto tempo sonho com uma fonte”. A Bruna estava por perto... contou para o meu cunhado. Ele, prontamente, me disse que poderia levar uma, mas não sabia se estariam funcionando. Lógico, que rapidinho, vivi a experiência de ouvir a água jorrando, as luzes brilhando. Ô alegria! O aniversariante era ele - eu ganhei o presente. Obrigada de coração. Ganhei meu dia.
No barulhinho das águas que caem e voltam, quero me lembrar do murmurar das cachoeiras que visitei, que me revigoraram com a massagem da queda. Quero imaginar aquelas que rondam meus sonhos, as que encantam as chapadas e até pertinho de Bauru. Entrar no rio com roupa e tudo, lavar as marcas da pele, as cicatrizes do tempo, revigorar o ânimo, elevar as mãos em forma de prece. Abrir os braços, erguer em direção ao infinito e gritar ao mundo....Obrigadaaaa !!! E me secar ao Sol, no caminhar que prossegue em trilhas e curvas.
Quero me deitar na penumbra da noite, no silêncio da casa, me recolher na solidão de minha alma. Cerrar os olhos e sentir meu corpo relaxar... acalmar a ansiedade na respiração profunda e pausada, de quem enxerga seus limites e seus exageros. Repousar no espírito, no momento que Deus me presenteia. É só dizer SIM...
Eu preciso disso...
Ah, a fonte está no meu escritório... que o som do movimento das águas me inspire, me faça escrever a alma, o encontro comigo mesma e com os outros. Que eu possa, nas cores da luz suave que se alternam, entender que a aquarela dos dias tem muitos tons. Há cores de sombreamento e outras de luminosidade.
Em prece, rogo para que eu não perca o encanto na alternância de cores e brilhos.
Abraaaçooooo da Olynda.

Novo Canto




 Meu sonhado canto

Eu, com três quartos, não dispunha de um canto , meu, para escrever, para guardar meus livros.
Mas havia uma cama que me reportava à infância de meus filhos. Não queria me desfazer.
Assistindo o programa "É de casa", vi uma cama igualzinha a minha sendo transmutada para um banco. passei a incubencia ao "Studio Márcio Galli de Designer de interiores e móveis " para que embalasse meu sonho. Transformar a cama em banco. Márcio aceitou o desafio e o banco gracioso decora minha sala. Ganhei mais dois lugares. É não é que ficou bonito? Obrigada. O Futon foi confeccionado na " Casa do Sofá "
Neste canto da sala tem a mesa da nossa infância, com cem anos, o criado - mudo dos móveis do meu casamento e a cama das crianças. Três gerações. Mas isto, cabe em outra crônica. Para o quarto foi a bancada, também planejada e produzida pelo Studio.
Meu canto tomando forma, Nele, o registro de ideias, de inspiração que podem surgir em uma madrugada, na janela, no carro, num olhar...e na bancada, também. Poesia navega sob a pele, o texto se cria nas entranhas. Passa pela alma e se esparrama pelo papel de celulose, ou virtual.
ABRAÇO da Olynda




Advento

Lembrança atemporal. Passamos por muitos adventos : caminho, saudação, encontro





Quarto domingo do Advento
Acende-se a quarta vela: a de cor branca. Nela se insere o simbolismo da
paz, pureza, reverência, união. E sobretudo a simplicidade, a plenitude do Menino Jesus.
Completa -se a Coroa do Adento na caminhada de espera. No círculo, a eternidade, o Sol, o prêmio pela vitória. Nos ramos verdes um hino à Natureza que se renova, à luz que vence as trevas, hino a Cristo. Hino à vida que brota da verdadeira Luz. As velas dispostas como pontos cardeais simbolizam o Universo. Ele é. Ele está. Ele vive.
Desde o início a Coroa do Natal teve um forte apelo do compromisso social, promoção dos pobres, dos marginalizados. Cuidar da VIDA, onde estiver.
Domingo da Luz .Cristo vem como feixe de luz para nos tornar um corpo luminoso no amor, na fé. Luz que se propaga aos nossos irmãos necessitados, ainda que não marginalizados. É o Natal de todos os dias.
Leonardo Boff diz: Por que Advento se o Cristo já veio há dois mil anos? Em sua reflexão escreve que a Luz que irrompeu continua chegando, como um feixe de luz para cada um. Hoje, ainda é Advento. Ainda há homens vivendo no Antigo Testamento à espera do Messias, da Salvação cantada pelos profetas. Ainda não abrimos nosso coração para que Deus possa escrever sua VIDA, como sonhava os profetas e nós também. A reconciliação do homem com o homem, com a Natureza, é ainda um suspiro dolorido. Diálogo com Deus uma quimera. Ele nos espreita, sorri e estira sua mão, como o poeta em sua poesia. Ele nos lê.
Vivemos o Advento de nós próprios; espera da nossa reconciliação com o nosso EU, com o nosso EGO; desejo de redenção, ânsia da libertação. Trilhar na leveza do desapego, do que nos engaiola e nos impede de amar de ser feliz. Deus nos quer felizes. É Natal.
Vela branca...sobreposição de todas as cores, de tudo que somos. Ela não é ausência, o preto, sim. Oremos para que o branco se faça presente, que a negritude se torne opaca diante da LUZ que converge e nos encontra, mesmo pequenos, mesmo imperfeitos.
É Advento!
Abraço da Olynda

Uvas diferentes

Passeando pela grama orvalhada do jardim, misto pomar... com olhar de poeta, que não perde uma emoção do cotidiano rs
A mesma seiva, o mesmo Sol, a mesma raiz - tempo diferente de colheita. Conviver em harmonia, saborear o fruto que a Natureza nos presenteia, devagar... sentir a diferença no amadurecimento de nossas metades em construção...É Natal.
Simples assim...Abraço