12 de ago. de 2018

Olhar sensível

A sensibilidade da Maria Eduarda, na sala, de repente, no soslaio de um olhar me chama:
VÓ, VÓ, corre...Olha o seu quarto! Está rosa. Que lindo! Além da suave cor, tinha no teto o reflexo do movimento das águas da piscina. O Sol aquecia o edredom e lhe roubava a cor para embelezar as paredes frias, pálidas. Tão simples e tão belo no olhar que enxerga além.
Gratidão, minha neta
Olynda Bassan. .

Jeitos de se contar do amor

Aos pais...
Quero homenagear o pai dos meus filhos, o João que amava do seu jeito; envolto com as facas e panelas, receitas e temperos.
Conheço muitos pais que dedicam o seu tempo na cozinha à família, por amor.
Encontram caminhos....
Gratidão João, e a nossa prece

Jeitos de se contar do amor.

..
Conta-se do nosso amor por:
Palavras
Olhares
Afagos
Gentilezas
Atenção
Abraço
Um sim
Um não
Um mimo
Sorriso
Presença
De longe
De perto...
Não se têm normas para amar.
É tão peculiar.
Há pessoas que amam demais e travam a língua
nas emoções, na timidez.
Encontram caminhos...
Aquecem o amado, do amor em sabores.
Afagam com o alimento temperado com a alegria
da doação e com o seu tempo no fogão.
É a última a sentar à mesa, com as mãos carregadas
de carinho e iguarias.
É o seu jeito de amar no silêncio
de suas panelas.
Desnecessárias são as palavras no sentido do gesto.
Cozinha é o coração do seu acolhimento,
de gratidão ao redor da mesa.
Feliz é quem enxerga esse amor e se sente amado.
Querido João, este era o seu jeito de amar os seus
filhos
família
amigos.
Olynda Bassan

28 de jun. de 2018

Novas medidas

Queridos, este poema tem sua historinha também.
Assisti a uma entrevista, onde alguém refletiu sobre nossas novas medidas vistas pelo alfaiate. Na aula da querida Professora Eliane Scucuglia Arruda, do Projeto " Trilhando a Leveza" refletimos sobre o tempo que passa, o Tempo CRONOS E o tempo KAIRÓS. No final da aula nasceu a poesia. Lapidei e a encaixei na reflexão dos meus 71 anos. Em busca do autoconhecimento. Obrigadíssima a todos vocês que se entrelaçam em minha vida. Tenho um pouco de cada um. Sou feliz.
É Pic, é pic!
É níver! É vida!. 


Novas medidas
“ Meu alfaiate é quem mais me conhece”.
“Tira minhas novas medidas”.
Quem sou eu no tempo em metamorfose?
Que medidas não me cabem mais?
Quem se enlaça nos meus elos que
se fecham e em outros que se encaixam?
Será que me enxergas ou
cristalizaste teu olhar em um
instante qualquer, preso no passado?
Olha-me...
Sou o – eu - no agora.
Quantos – eus – conheço?
Sou alma em reconstrução,
no passado que se refaz.
Sou novas emoções...
Olha-me.
Um novo amanhecer no tempo de Outono.
Experimento o anoitecer nas
minhas sombras, na espiral de minha vida.
É a leveza e a robustez por onde transito
Delícia é ser experiência!
Diferentes medidas, outras roupas
vestem – me a alma
Olha-me.
Olho-me
Há energia no contorno deste rosto
vincado por cicatrizes.
Como não as teria?
Busco luz nas frestas de minhas varandas,
com ninhos de pássaros, chocando vida.
Ouço o canto das aves, levitando na liberdade do voo.
Tu assim me enxergas?
Sou prisma, sou fragmentos de cores
que se embaralham em um novo desenho
Olha- me
Olho-me.
Busco - me - em mim.
Quem sou eu?
Trago mundos em minhas medidas,
sonhos na textura flácida da pele,
coração nos passos percorridos,
papel de presente de uma vida abençoada.
Gratidão, alegria, louvor nas palavras que se espalham
em prece.
É meu aniversário. É pic, é pic...
É celebração no sentido que me é a VIDA.
                                              Olynda Bassan

14 de mai. de 2018

Qual é o nome da minha saudade?

Qual o nome da minha saudade?
Mãe, D. Malvina


O que é o meu SIM à maternidade, diante do teu SIM?
Apenas o meu enxergar em ti. Amar meus filhos como tu me ensinaste.
O que é a minha garra de viver, diante da tua?
Apenas fragmentos.
O que é o meu sublime silêncio, na tua saudade?
Apenas minha prece pela fonte de vida que foste, D. Malvina.
O que é o meu não, diante de tantas escolhas, tuas?
Apenas o norte para que eu seja feliz nos sins e nas recusas de ser mãe.
O que é meu olhar, diante do teu olhar de tigre?
Apenas pedaços de tuas raízes em mim.
O que é a minha oração diante da tua?
Apenas contas de um terço não rezado.
O que é a minha partilha diante de tuas mão estiradas?
Apenas riscos de luz, iluminando sorrisos.
O que são os meus pés, diante dos teus incansáveis?
Apenas chegadas de um caminho mais curto.
O que é a minha percepção no belo do cotidiano?
Apenas o que me transmitiste com o laço de fita, enlaçando
o buquê de flores do teu jardim, no meu aniversário.
O que é a minha mesa preparada, diante da tua farta de detalhes?
Apenas exemplo de ninho que aconchega.
O que é o meu dia, diante do teu, que tudo cabia?
Apenas recortes de um tempo.
O que é são meus sonhos, diante dos teus?
Apenas brisa que levanta poeiras, desvendando as setas
que desenhaste.
O que é minha reserva de amor, diante do amor de Maria,
que me ensinaste a amar?
O que são minhas letras diante de tua sabedoria, não escrita?
Apenas o teu interior cristalizado no meu.
O teu TUDO no meu apenas...Mãe.
No meu apenas... tudo o que sou...
Uma talha com espaços vazios, a ser preenchida pela água do amor
Materno à Natureza, à humanidade, a ti, aos meus filhos.
Bença mãe. Pelas frestas das nuvens enxergas as tuas crianças.
Teus filhos.
Olynda Bassan
C

9 de mai. de 2018

Minha neta é uma delícia


PARABÉNS 
 Minha neta
Amanhece o dia. Lá vem o Sol em aquarela, tingindo o Céu com o mais belo prisma do Criador.
Em algum risco dourado está escrito - Parabéns, parabéns....Valentine. É pic, é pic. Vivaaaa!!!! É o dia de celebrar os 9 anos de sua existência. Uma delícia...é a expressão que a define.
Mesmo longe, sinto o coração pulsar bem de pertinho. O amor é – está – não importa a hora e lugar. Este é o primeiro ano de ausência no seu aniversário, querida Valentine. Receber seu sorriso acordando para mais um ano de sua vida, é tão gratificante. Me revigora.
A vida vai nos dando presentes em abundância nos elos que envolvem os netos. É um cordão de afeto, de amor que não se explica. Apenas se sente e se emociona, e se louva a Deus.
Nas fases da Lua, a vinda da Valentine foi construída antes da fecundação. Cada graveto deste ninho foi lapidado pela mamãe Path, disposto em detalhes, para que acolhesse um amor infindo. E o papai Pedro, junto, parceiro, vivendo o mesmo momento - um só.
Ah, Valentine, tão terna, tão arte, tão carinhosa. Ela tem uma ternura no relacionamento com as pessoas que acalanta. Sua mãozinha é leve como uma pena que roça a pele. Chega a interromper a refeição para beijar os papais. Ama seus amigos e é amada. É de uma fidelidade impar.
O tema deste ano é o “Honra ao Mérito”. Você merece essa medalha com todos os louros. Na pauta da música dos acordes do violão, do som do sapateado, da fala do Teatro, da força do Judô, do estudo, do contato com a Natureza e animais, da espiritualidade, da brincadeira - cresce com responsabilidade e desfruta do belo que a vida oferece. Questionadora, descobre o mundo em curiosos olhares.
Neste ano introduzi a Literatura ao presente solicitado - um livro autografado pelo autor. Ler é divagar em sonhos, em viagens, em caminhos sob a pele.
A escritora Susana Ventura, natural de Santos, nome consagrado na Literatura Infanto – Juvenil, é quem escreveu a dedicatória para a Valentine, com muito carinho e alegria.
Querida Valentine, um abraço bem gostoso. Nele cabe todos que a amam, viu? Seja feliz, seja feliz. Obrigada, obrigada por acarinhar a nossa vida, pelo sorriso que sobe aos olhos.
Bênção de Deus, bênção da “ vó amarela”. Vovó Olynda.

Cadê?


            Cadê?

O sono se foi...a poesia ocupou o espaço... Então bom dia no improviso, sem retoques
A onda do mar no seu vai e vem
se quebra toda, para não machucar ninguém.
Cadê alguém?
A onda do mar se avoluma, vem roncando.
Se faz suave para beijar os pés
atolados na areia.
Cadê pés?
A onda do mar vem dançando,
trazendo conchas para enfeitar
o colo da moça.
Cadê moça?
A onda do mar, no enigma do seu ventre,
se faz leite em espumas, para alimentar a criança.
Cadê criança?
A onda do mar chega transparente, cantando, para alegrar o rosto
com um sorriso.
Cadê rosto?
Apenas um olhar no silêncio.
Na praia vazia, a visita da onda do mar.
Olynda Bassan

22 de abr. de 2018

Versos em preto e branco



 Versos em preto e branco

Eu me agasalho na manta do luar,
me delicio com os aromas da noite,
me seduzo por inteira, por nada.
Me aconchego em ninho feito
no orvalho das magias, onde
me faço sonhadora do amor possível.
Eu só quero ser feliz.
Singro em minha alma como se fosse
um barco mirando as estrelas, em
noite de ausências, nesse meu mar
sem farol aparente.
Risco os raios com as mãos, me ilumino,
pouso amores em grãos de areia.
Eu só quero ser feliz.
Sonhos provocam sorrisos bobos, me
fazem mergulhar nas águas do lirismo.
Tu me enxugas a pele tatuada de
poemas declamados, na mímica
do Sol que se põe.
Eu só quero ser feliz.
Tu me amas no incontestável,
na poesia que silencio.
Bordas flores nos meus versos
em preto e branco.
Desenho borboletas, costuro pétalas,
acaricio as sementes – preservo a vida
do meu sagrado SER.
Eu só quero ser feliz.
Olynda Bassan