19 de out. de 2016

O que faço?

O que faço?

O  que faço?

  Se os seus lábios
  se prolongam nos meus?

  Se o perfume não se evapora
  Passa o tempo, passa.

  Se tua retina se desenha
  nas cores da poesia?

  Se amanheço em ti,
  antes de orar?

  Se no Ipê te reinvento?
  Florido, presença. Seco, ausência

  No Sol, vida que  incendeia
  No crepúsculo, saudade

  O que faço?
  Se és estuário do meu rio
  em sonhos e desejos?

  Se não encontro saída no
  labirinto que há em ti?

     Olynda Bassan

Próximo

Próximo

       
       Próximo

       Entrelaço textos reflexivos, entre metáforas, parábolas, analogias.
O médico /escritor, ou, escritor/médico, Dr. Márcio, no relato de um de seus causos reais, vividos pelos rincões da Bahia, nos contava que chamara seus pacientes como “ próximo” e ninguém se apresentara. De nada adiantara se expressar num tom à cima. Mesmo, na ansiedade por serem atendidos, não entravam em sua sala. Chegara à conclusão que não fazia parte do vocabulário deles, tal expressão. Teria que achar outro meio, ou explicar o que lhes dizia. Não sabiam quem era o próximo. Alargo este pensamento. Eu sei?
Como armadilha retórica, fizeram a mesma pergunta a Jesus. “ Quem é o próximo”? Em parábola contou a passagem do Samaritano. Este, ao acolher e cuidar do ferido desprezou a Lei que o tornaria impuro com o sangue e apenas Amou. O sacerdote, o Levita, doutores da Lei mudaram de calçada, enraizados pela Lei. Perderam a oportunidade de chegar perto, ver, cuidar das feridas, de amar e tornar-se próximo, na compaixão.
No decorrer da explanação do Mestre o coração do homem foi interiorizando sentimentos. No final Jesus lhe devolveu a pergunta:" Quem foi o Próximo"? Responde ele, em processo de crescimento no amor: O misericordioso.
Dr. Márcio não pensou em Linguística; se preocupou em achar novo jeito de chamá-los, para que entendessem quem era o próximo. O Samaritano não pensou em discussões sobre pureza, mas parte para a ação, quando ele vê o sofrimento alheio.
Tal qual os pacientes, os doutores da Lei; sabemos quem é o nosso próximo, de perto ou de longe? Virtual, ou presencial? Digo isto, porque o leque da amizade já não se abre na proximidade do corpo, mas na afinidade de almas. Nosso desafio: enxergar a quem estirar as mãos. Quem espera o nosso olhar misericordioso? Pode estar do nosso ladinho.
Abraço da Olynda
olyndabassan
Enviado por olyndabassa

Fragmentos de uma busca

Fragmentos de uma busca

   E não é que se passou mais um ano, José?
   Eu “grito para todo mundo ouvir” . “ Como é grande o meu amor por   você”.rsrs
   É teu aniversário. É vida da minha vida; é lembrança de um útero consagrado ao acolher este menino moreno de olhos azuis. É vida nas bênçãos de Deus. É lembrança de uma vida que partiu tão cedo, o João, teu pai. Doador deste amor.
   Fazes uma retrospectiva deste ano e sentirás a colheita em tuas mãos, nas mãos da Fernanda, da Luísa, do Henrique. Tens a energia, o calor do verão que amadurece o fruto; que faz a chuva cair.
   Eu te ofereço um fragmento do inicio da tua caminhada profissional. Poderia ter escolhido outras palavras, outros versos, mas sei da importância desse momento em tua vida. Uma escolha silenciosa, firme. Nem aos teus pais contaste. Bem teu perfil.
  Filho, te enlaço com um abraço forte, que atinge a alma. Alma que ilumina tua aura. Nele cabe o de tuas irmãs e quem mais chegar.
Ah! Você sabe o que eu sinto, não é? Beijos, beijos, Tudo de bom e de bem, Benção de Mãe, Benção de Deus.

            Fragmentos de uma busca


  Jovem, com o coração de menino,
  na solidão das incertezas, indaga.
  Nada sabe do amanhã.
  No interior do seu silêncio,
  fertiliza seus sonhos”

  Deixa o medo da infância,
  à beira do ninho, salta estonteante.
  É tanto querer, é tanta vontade.
  Plana entre os mistérios
  Inexplorados.

  Ouve as cores do horizonte na
  turbulência do pensamento,
  nos lampejos de luz do discernimento.
  Voa sua alma, voa seu sonho

  Na cabeça, uma profissão, vai...
  Passos firmes. O sapato gasto
  lhe trinca a pele. Na calça puída
  no cinto descascado; a perfumaria
  da essência daquele moço.

  Não há cansaço do tempo sem
  férias, entre estágios e estudos.
  Desperta com o Sol, os desejos de
  uma mente em riste

  Se o desalento chega, irmãs se juntam,
  no Voo em V , como pássaros de uma asa só.
  Se fazem inteiros na asa do outro

  Tempo de verão, energia nas
  mãos que constroem, e afagam.
  Mãos que louvam e agradecem.

  E o tempo não para...
  E você, gira, gira com ele,
  na Fé e na raça, agregando
  família, amigos, profissão.
            Não é José?

Olynda Bassan

3 de jun. de 2016

Maria doce nome



                  

               



                         Maria de tantos nomes



         Um querido amigo espanhol me dizia que o Mês de Maria seria em dezembro, mas nós brasileiros seguimos a tradição de ser em Maio.
Maria de tantos nomes, de tantos amores, de tantas devoções. Vários olhares sobre seu significado na terra, na vida de Jesus: mãe de Deus, nossa mãe ou apenas senhora, mulher. Para os católicos tudo se sintetiza em uma única Maria; a Virgem que sabe ouvir em seu amor infinito de Mãe. À ela a veneração. Ao Cristo a adoração, centro da Fé.
Em seu “magnificat”, Maria exaltou o seu Deus e lhe disse Sim, na Fé de seu coração, no pouco entendimento de sua juventude, mas na grande entrega de sua confiança ao ouvir a voz do Anjo Gabriel, anunciando que seria a Mãe do seu Senhor.
O Sim sempre foi perene na alma de Maria. Esquecendo -se de seu cansaço de sua gravidez, se pôs a caminho para ficar ao lado de sua prima Izabel. Que força tem este “ se pôs a caminho”. Movimento do encontro, no despojar-se de si, estirando a mão ao próximo. Viveu a Fé na ação. Na poeira da estrada, no terreno longo e íngreme, seu pensamento era um só: atender um chamado, a voz do Amor. Apenas este sentimento nos impele a andar, a modificar o nosso interior. A mais bela sensibilidade de ser melhor, de amar mais, de crescer na experiência de Deus. Maria a viveu plenamente , como ninguém, por isso sua alma era encharcada de compaixão, de espírito de justiça, de alegria na Ação Salvífica de seu Filho Jesus. Sua primeira discípula; fidelíssima.
No Evangelho de São João, cap 2, “As Bodas de Caná” Maria assume seu papel de mediadora da humanidade. Um casamento acontece, representando o noivo Jesus e a sua Igreja, a família cristã. Jesus comparece a uma festa em seu momento de alegria, de convivência . Ele se faz um, entre nós, como o cristão que sai à rua, evangelizando com seu jeito amoroso, simpático, generoso, na pertença.
Entrava nas casas, sentava - se à mesa, juntando - se aos humildes, pecadores e necessitados. Seu olhar era nos olhos, para entendê-las e amá-las no seu coração. Nas Bodas de Caná, Jesus nos dá um recado. O cristão deve viver a alegria de se reconhecer Filho de Deus e de ser amado por Ele. Não cabe tristeza em um coração agradecido pela dádiva.
Maria, sempre atenta, percebe que acabou o vinho e não se omite como intercessora dos noivos. Na sua ternura, praticamente pede a Jesus que inicie a sua caminhada de Salvação entre os homens. Quanta obediência, justiça, existe na frase dita por Maria...”Fazei tudo o que Ele vos disser” . A Salvação está inserida neste comunicado de Mãe. Caminho de duas vias, na cumplicidade Ato que se dá no entrelaçamento das mãos; independente das religiões e crenças.
Em nós, a falta dos nossos vinhos: da misericórdia, do silêncio, da partilha, da oração, da alegria, do amor, da compaixão, do zelo pelas coisas de Deus e tantos outros. Cada um sabe o que lhes falta nesse fio de santidade, por onde buscamos a nossa amizade em Deus.
Dulcíssimo nome de Maria, rogai por nós. Daí- nos a graça de um amor filial; nos faça os braços de Maria ao encontro. Mãos na justiça que oprime os desvalidos. Maria, como asas de um pássaro, se faz grande nos agasalhando em nossos frios de alma.
Abraço. Que Maio venha com bênçãos, força e alento.
Olynda Bassan

Homenagem a um olhar




                                   



                                  Homenagem a um olhar

No silêncio do ônibus, apenas em uma das poltronas, se vê um foco de luz, iluminando um pedaço de papel onde rascunho as emoções de um olhar, neste nove de maio, aniversário da minha neta Valentine.
Olhar de Valentine
Seu olhar de criança amante da Natureza teria visto o Sol nascer atrás das copa da árvore, pintando em seus vazios, tons rubros, como se fossem incêndio, expandindo luz e explodindo calor da vida que nascerá há 7 anos.
Seus olhinhos, sorrindo, perceberiam a leveza da borboleta, pousando em flores multicores às margens da rua. Abra, abra a imagem; seja criança por um momento.
Valentine acaricia as pétalas aveludadas das flores e me presenteia com as mais bonitas, dos salpicos de cores, no chão da calçada cinza. Pessoas as esmagam. Valentine as recolhe Olhar sustentável. Jamais apanha uma flor.
Faço do seu olhar, o meu olhar e vou fotografando a sensibilidade desta menina por onde passa. Não poderiam faltar os cachorrinhos, sua paixão. Afaga um a um, tendo a garantia do dono, de que são bonzinhos.. Ainda me faltou a imagem da Lua, que a inebria.
Querida Valentine, chegou a sua vez de receber, logo cedinho o seu café na cama, preparado carinhosamente pelos papais.. O abraço, o bolinho, com vela e tudo, o ramalhete de rosas da vovó Olynda, vindo láaaaaa de Bauru.. Símbolo do meu louvor, do amor incondicional pelos netos. Um jeito de amar.
Minha homenagem a sua docilidade, simpatia e a sua ternura deste coração que se encanta pelas coisinhas simples, encanto na sua vida, que abraça gooostoso.
Grande abraço ao papai Pedro, à mamãe Path pelo sim ao amor, fonte geradora da Valentine e que por ela se doam.
Parabéns, parabéns. Que os anjos te guardem nesta alegria de alma.
Beijo da vovó Olynda ( a vovó amarela) como me chamava, bem pequenina.

Palavras do mundo



  
                                                                                          foto google



                                                            Palavras do mundo


Palavras em remoinhos

pululam pelos espaços vazios
de minha alma de filho.
Nas ausências, me aconchego
na concha do teu perfume;
aroma da mãe.


O mundo abre veios na minha alma,
nas palavras sonhadas, não vividas.
Palavras chorosas. Palavras não ditas.
Grito atrás dos montes, sem eco.
Nas palavras do mundo me escondo
nos labirintos de meus medos.

Só, no meu quarto , na prece que faço,
ouço palavras “ bálsamo”
de minha mãe, como dádiva.
Mãe alma desfaz palavras sofridas;
me abraça na paz. Sinto o amor
materno que é vida, na vida
do teu filho bendito.

Quem faria me perder e me achar;
a não ser tu, minha mãe?

Olynda Bassan.

Nevoeiro







                                             Há vida sob o nevoeiro


         Eu não os vejo.Sob este nevoeiro ouço a vida pulsar no assovio de um operário melancólico saudando um dia frio com sua melodia. Sinto a vida no som da serra, das marteladas, do concreto que se espalha. Não dá para parar a guerra para se consertar o canhão. Não se espera o nevoeiro baixar para se por a caminho. Viver é levar a vida tudo junto e misturado. Bom dia. Um abraço quentinho para começar este dia com cara de inverno, ainda no outono. No Brasil as estações também se intercalam, nos surpreendem. Sem rotina.


                                                                         Olynda Bassan