3 de jun. de 2016

Somos momento

Há dias em que o céu não se tinge de dourado
Pão quente não se tem a toda hora.
Nem sempre temos Sol.
A brisa fresca às vezes se vai.
De repente um solavanco, o inesperado. 
De repente uma alegria imensa nos surpreende.
Somos momentos...
Vivê - los em sua plenitude nos faz fortes no crescimento, no sentido da vida .
Dizem que a oportunidade tem cabelo de um lado só. Não a esperemos virar a cabeça...
Abraço da Olynda



18 de abr. de 2016

tudo é seu


Parabéns querida., minha neta amada.

Maria Eduarda, pelo caminho, até lhe entregar a orquídea, bolo, com velinha, abraço presencial, simbolismo deste ano, fui fotografando o amanhecer do seu dia. Cada flash, um mergulho na VIDA que existe em seu interior. Pelo retrovisor vejo a luz que era uma faixa estreita na notícia da gravidez. A intensidade da luz se agiganta e explode no Amor Maior, você. Parabéns, parabéns. A luz do Espírito Santo em toda ação, pensamentos e sonhos. Sonhe muuuuito. Beijão da vó Olynda. É tudo seu.

Palco de imagem








Palco de imagens, sem som.
 Alma silente, espia a luz
trespassada pela janela.
Espetáculo de luz e sombras,
projetando na parede fria
minha  nudez sem
 adornos.
 Refletida a silueta viva
de minhas sombras, onde
 me  encontro  e me revelo.
Sombra diáfana. Deixo a luz
 penetrar  as entranhas
das  minhas dúvidas e perguntas.
Me  vejo  nua nos meus sonhos
 de pé descalços, livres para o amor
que  amo amar.

Olynda Bassan
           18/04/2016


11 de abr. de 2016

Orquídias e Amoras

                                    








            Orquídias e Amoras                      


         Na entrevista com a escritora  Noemi Jaffe, o entrevistador Edney Silvestre disse a ela que nunca   pronunciara o termo “ebífica" “ na televisão, citado em seu livro.         O que seria?
    Noemi explica que “ebífica” é a principal característica das orquídias. As raízes  agarram -se  a objetos,  dos mais variados;  não sendo dependentes da terra para se desenvolverem. Esta era a característica da sua personagem no Livro “Irizs, História do Comunismo”. Suas raízes não fincavam em terra firme.
   Num canto da escada cresce a amoreira.  Deslumbro- me  ao ver flores prenunciando amoras roxas, doces, naqueles galhos franzinos  que parecem se quebrar na insistência do  vento.  Imagina o êxtase de se catar fruta no pé, bem ali no meu quintal, no arbusto tão pequenino! Seria o manjar dos deuses.  Mas, meu encantamento pouco dura ao perceber as flores que ousaram implodir, já murchas;  sem a robustez  da seiva irrigada . O termo “ebífica’ retorna ao meu pensar, justificando meu desapontamento. A amoreira, não sendo planta aérea, “ebífica”, não é. Tem como necessidade a terra que a abrace, e nutrientes singulares, para  que nos agracie com seus frutos saborosos e medicinais.  Se ali estivesse a requintada  orquídia por certo  teríamos cores exuberantes   à  rústica escada. Não desprezaria as brechas de sobrevivência  que a vida lhe emprestaria.  
 .  O sucesso de um peixe não pode ser medido pela exigência dele subir em árvores, assim como o beija- flor não  atinge os altos cumes. Imprescindível é a busca do autoconhecimento, no qual me ancoro e zarpo ao mar desconhecido que é o amanhã, ou a um instante.  Que ponto de luz sou na constelação familiar, no Universo que me cerca? Do que se alimenta minha alma? Chego, porque sou um explorador de caminhos?   Humildemente olho para os meus pés e me busco no estilo das minhas raízes.  Existo no agarrar cascalhos, isopor, rolhas, ou no viço que me vem da terra fofa e adubada?   Ah, posso até ser um cacto, de pouca exigência.  Imprescindível me achar onde pareço me perder na falta de identidade.  Parasitas sugam a seiva alheia, desconhecendo a viscosidade de sua própria. “ O céu tem muitas moradas”; a vida inúmeros  cantos nos cantos desta terra. Sendo “ebífica” ou enraizada, nasci por um sentido, e por ele,  o melhor de mim, na vida.



                                                                          Olynda Bassan





7 de abr. de 2016

Estou cansada, muito cansada










                Estou cansada, muito cansada.
                 

      Estou cansada de me sentir conduzida pelos avessos, com linhas emaranhadas pela corrupção, pelos interesses próprios e não públicos. Poxa, na escola me ensinaram que política era arte, ciência, administrador de interesse público, um bem comum.
   Cansada de brincarem de casinha com o meu dinheiro, de “repartirem as vestes entre eles”, deixando-me à deriva da estrada, com minha nudez de símbolos, de arquétipos que me inspirariam a dizer: “quando eu crescer quero  ser como eles.”
    Cansada de conceber a dúvida, se temos várias constituições. Tantos entendimentos e  vereditos  sobre o mesmo fato. O verso e o reverso são  provados  pela  Constitucionalidade , assegurando a supremacia da Carta Magna, fazendo uso das “ brechas da Lei”. Um puxar a sardinha para a sua brasa, mais incandescente que a outra.  Trava-se o País,
   Cansada de ler as estatísticas sobre inflação e constatar que a conta não fecha com o meu bolso, que parece estar furado e não há costureira que dê jeito. As agulhas entortam no tecido duro da realidade.
   Cansada dos conchaves que vão além das colisões partidárias e das parcerias necessárias para a governabilidade. O toma lá, dá cá, usurpando o erário público  (leia –se nosso).
   Cansada da profissionalização dos mandatos na vereança, deputados e senadores.  Poucos, com muito poder durante décadas; os caciques da política os manda – chuva. Acima do bem e do mal.
   Cansada da imprensa tendenciosa. Esconde-se  informações de acordo com interesses. Mas, aonde irei me informar dos fatos, que não seja pela imprensa falada e escrita? Vou lendo as notícias, desconstruindo discursos, com dois pés atrás e um na frente.
   Cansada de ouvir a frase: a corrupção é cultura brasileira  desde o descobrimento. Sim, ela está presente em todos os partidos, ou seria em quase todos?  Os partidos são edificados por rostos, almas. Não estou, neste desabafo simplório,  analisando partidos, mas pessoas, políticos que disputam o meu voto, no qual outorgo uma procuração universal para os devidos fins, na confiabilidade.  Talvez não aja “ 5 justos” que impediriam a destruição da moral, mas o ser humano tem vontades, discernimento e capacidade para mudar  o quanto quiser.  Precisa se repetir exaustivamente o mesmo proceder?
    Cansada da justificativa do A, declarando que o B, C, D também realizam as mesmas ações ilícitas.  Quer dizer, se todo mundo rouba, a conduta dirime a culpa.  Que as águas das investigações banhem  de A a Z e seja tudo devidamente esclarecido.
      Cansada de observar o jeitinho brasileiro, a Lei de Gérson nas pequenas infrações ao virar a esquina; no uso indevido das vagas especiais; pequenos subornos; o passar na frente, e por aí vaaaaii
    Cansada de muitas e muitas coisas... Busco na Física Quântica o amparo para que a minha esperança não se esmoreça diante das mazelas caóticas. A partir do caos, do poço, que sequer se enxerga o fundo, uma Nação pode se realinhar em meio às atitudes aparentemente desastrosas. Remexidas as águas, o lodo sobe, e é bom que suba, e que na transparência das águas se dilua. Mesmo que aconteça no espaço de gerações.
    O povo foi às ruas pelo A e pelo B. Não se iludam!  Também sairá pelo C.
   Cansado está!
    Enquanto escrevo penso na frase de John F. Kennedy “ Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer pelo seu país”.
 Reflexão oportuna.
   Brasil, quero vê-lo como uma Fênix, voando após cantar o seu canto da morte.

                           Olynda Aparecida Bassan Franco


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4 de abr. de 2016

Porta entreaberta

            









               Porta entreaberta


   Gira, gira o mundo em  ciclos.
   Lua cheia prateia.O  Sol doura a vida.
   As marés balançam o mar.
   Ciclos findos: vida que  renasce.
   Ciclos partidos: porta entreaberta.
   Respira-se passado, saudade
  

   No apego sofredor  se distancia
   e se regressa,  à mesma fresta.
  Amores mal resolvidos na alma
   carente, silencia a poesia
   do hoje e do amanhã,
  

  Sonhos não resistem ao passado 
  arrastado, sem roteiro, nem lugar.
  No viés se sofre de novo e de novo.
  Catarse do não.

 Na coragem de se chavear a porta,
 na  lágrima  ao som de um trinco,
 se arvora o desapego; nova história.

 A  vida quer vida, nas possibilidades 
  do  poema novo que se tece. 

                          Olynda Bassan









3 de abr. de 2016

poetrix chuvas de mim










        Chuvas de mim



  É madrugada, chuva pesada
  Enigmas em minha alma
  Lava - me
   ****
  Chuva se derrama intensa
  Coração enternecido palpita
  "Alma-me"
   ****
  Gotas de cristais
  delicadas, translúcidas
  Ama-me
    ****
  Som forte das águas

  canta  meu sonho.
  Ouça -me
  ****
  Chuva, sono, um olhar...
  gosto de grafar palavras
  Inspira-me

  **** 
 Verso riscado em
 respingos de cor e rítmo
 Poetiza-me.

                      Olynda Bassan