3 de abr. de 2016

Mãe, sementeira

                          

                         


                                                 Semeia flores

     
      Aquela mãe se levanta junto com o Sol que doura o mundo e dele recebe a energia para pisar o chão, que  sonha ser areia fofa e morna.
     Na folhinha pendurada na parede descascada da cozinha, os dias são riscados um a um. Seria mais um, ou menos um?   Com a xícara de café e a fatia de queijo em mãos a mulher olha pela janela e nos olhos marejados pela saudade, se lê a oração. A mãe fixa o infinito como se não houvesse nada além dela.  Cristalizado em seu olhar está o dourado da medalha reluzente  sobre peito do filho. No amor gerado no primeiro útero, a mãe enxerga o invisível e espera..espera...
            Nas suas  idas e infindas vindas ao portão da casa  ela  assola a terra, pisoteia  a grama como se fosse as uvas, no preparo  do vinho festivo. No sorriso  da alma, planta, semeia  flores; decora o caminho.
           Hoje, as flores perfumam a prece.

                                                          Olynda Bassan

Não li seu olhar





                            Não li o seu olhar



  Vejo um rosto viajador em
  imagens flutuantes nas
  nuvens inquietas.
  ****
  Nos flocos enigmáticos,
  alvo algodão, sonho com
  seu perfil contornado.
  ****
  Em que momento eu perdi, você?
  Em devaneios me distraí, sua
  despedida não percebi.
  ****
  Ausente na sua alma,
  sou morada em alma vazia.
  Seu olhar eu não li.
  ****
  Pelos céus eu persigo
  a poesia que tão perto
  esteve, e não senti.
  ****
  Quisera ouvir o seu silêncio,
  seus vazios nas entrelinhas,
  o não dito em palavras.
  ****.
  Como um fugidio poema,
  beijo a saudade em versos
  na expressão do coração.
                   Olynda Bassan

Peça rara

  




Peça rara




  Estava eu por aí,
  distraída, nem pensava
  em me apaixonar, como
  um lenço de seda pura,
  vogando ao vento.
  Olhava, mas não enxergava.
  Nem te vi.
  Como me encontrou?
  Me apanhou com o
  desejo de bordar sonhos,
  costurar ilusões, na trama
  de meus fios.
  Delicadamente em seu colo
  sou seda, resvalando
  em deslizantes amores,
  afago macio em suas mãos,
  beijo em lábios que tocam
  a textura, como se fosse peça rara.
  Um bordado, cuidado, guardado
  em teu coração relicário,
  preciosidade do amor.
 Não mais balanço ao vento...
                                                  Olynda Bassan

Páscoa, sempre

              






                          E Páscoa, sempre

   

  Feliz Páscoa
Somos passagem, transformação; andantes de uma existência onde se busca o sentido de quem somos e para onde vamos.
Somos botão trazendo em nossas pétalas fechadas uma dívida de Amor pelas graças recebidas, pelos nossos ancestrais, pela VIDA que pulsa.
Dívida de Gratidão por um Deus apaixonado, por um Cristo, sem medo, que se partiu e se repartiu no Amor supremo de entrega do seu Corpo, Alma e Espírito. Venceu a morte, e está entre nós, VIVO, em cada rosto, em cada olhar. Cristo reconciliação do humano com o divino.
As pétalas desabrocham no seu tempo, peculiaridade em encantamento de cores e aromas. Assim é festa da Páscoa.
Do botão à flor. Da cruz à Luz. Da tristeza à glória.
A caminho, sempre a caminho...da Salvação no Amor, na Fé em Deus e nas pessoas, na Esperança, nos Sonhos...
Abraço da Olynda.
olyndabassan

Ginástica Olímpica de Bauru


        Ginástica Olímpica de Bauru


      Aconteceu no dia 19 a primeira competição interna da Ginástica Olímpica de Bauru, comandada pela competente técnica Débora. Noite artística, prazerosa, mas não pude deixar de refletir no que meus olhos enxergavam e minha alma sentia naquele evento.
    Nos Textos bíblicos encontramos a frase “Olhai as aves do céu: não semeiam, não ceifam...e o vosso Pai Celeste alimenta-as”.
    Mensagem de serenidade, de confiança construída na maturidade emocional, na maturidade da Fé, na resolução dos conflitos, mas, não será a ideia do “não fazer”, de deitar - se na rede e esperar que o Maná  caia  do céu.  Aplica-se se ao esporte também, o qual requer muito empenho e perseverança, moldados num espírito de garra, de paciência.
    Estou vestindo os sapatos da Ginástica Olímpica de Bauru com a entrada recente da minha neta, à equipe de treinamento desta modalidade de esporte. Eu estou tomando ciência das dificuldades encontradas no cotidiano esportivo. Durante a competição vivi o paradoxo do belo e do feio; da vontade da comunidade e do descaso público; do brilho e das sombras.
     Era visível o contraste dos atletas, desfilando vaidosos em sua performance, com olhar de “tigre”;  com  a feiura das instalações físicas.  Faltava estilo, cores no ambiente.  Não tinha o viço das ginastas.
    A imagem do Ginásio de Esportes Guilherme Dal Colletto é de abandono. Não tem passado por lá equipe de limpeza, de manutenção. Os pais, atletas, organizados em “Associação de amigos da Ginástica” se cotizaram na limpeza do local, que não é pequeno, para que se tivesse o mínimo de higiene, de organização para o acolhimento das pessoas. Mexeram e remexeram  nos inúmeros colchões, independente das dores do joelho, da coluna. A vontade era maior que o desconforto.   A Ginástica Olímpica portadora de medalhas e que propaga o nome de Bauru em Jogos Regionais, merece valoração.
    Os holofotes estavam apagados e eram poucas as lâmpadas acesas. A penumbra entristecia a apresentação em meio a aplausos.  Som precário: nada profissional.  Ali era a raça, o acreditar, o amor é que impeliam o espetáculo.
    A parceria da comunidade é salutar na moderna gestão, mas a infraestrutura, o apoio logístico acredito que esteja a cargo do Poder Municipal, proporcionando, assim, condições adequadas à pratica do Esporte, no entusiasmo, no sentimento de pertença. O Ginásio é amplo, existem aparelhos adequados, e, em quantidade, mas falta a manutenção, o olhar cuidadoso da Instituição responsável. O querer sentir: “eu sou valorizada”. Não há verba destinada a este setor? Que estrutura poderia ser acrescentada? Talvez um encontro entre as partes?
  Este é um olhar in “in loco”, vivenciado no dia a dia dos treinos, também.
  Parabéns à equipe da Ginástica Olímpica de Bauru.  Trabalho sério a caminho de conquistas.
 Encerro com um apelo à SEMEL: passa por lá. Não é  muito  o que a comunidade pede. Acredito que essa Secretaria tenha condições de prover uma melhor qualidade de vida esportiva à Ginástica Olímpica bauruense. Quero sentir o belo naquele lugar.
       O amor dos atletas é inenarrável ao levantarem os braços com tamanha graciosidade, nos movimentos limpos, sorriso largo, que iluminam o olhar de quem faz o que gosta.

                                                       Olynda Aparecida Bassan Franco



 




Um nome, uma missão

             Um nome, uma missão



Linda é a canção que diz
“Como são belos os pés do mensageiro”
 que anuncia a Paz”.
Seus pais por certo estavam em estado
de alma elevado, ao dar àquele bebê
 o nome de Ângelo, o mensageiro.Por que Ângelo?
 Surgiu no coração, na tradição, em homenagem?
Quase que pela imposição das mãos,
sua missão era desenhada com as
contas do terço  de Maria, na glória.
Há nomes que fazem o homem.
Há homens que constroem o nome,
nessa arquitetura  que é a vida.
 Você a edificou na sua vocação, na família, nos amigos.
O bebê cresceu e se cristalizou na missão do seu nome,
como mensageiro da boa nova, na crença
Inenarrável do Seu Deus, no silencio da oração.
 Como um anjo, preserva a Espiritualidade
Marianista na fé de Maria, em Maria, por Maria.
 Alegre, perseverante a propaga
  atrás dos montes, além dos muros da casinha.
 Incansável! Sonha! Sabe da sua missão.
 Olha pra frente. E vai. E Maria junto.
Angelo, o nosso abraço, gratidão
Mensageiro, amigo, assessor,
Felicidade. Continue, continue...




Nome, risca-se









Nome; risca-se




Risca do teu caderno,
o meu nome,
antes que o meu travesseiro
 o esqueça.
Derradeiro porto de saudade,
confidência
das lágrima mornas,
 fantasias do estar sem amar.
 Amar, sem estar.
Alma andarilha no sopro
que te leva e traz,
trespassa nuvens diáfanas de mim;
 me tocas
pelos vãos avarandados
 que deixo.
Me  abrace, diga que te dás todo
 pra mim. Só a mim.
Poderei morrer em teus braços.
Mas...
Se morto for o amor,
Sem nome, nem dor,
será a noite.
 

     Olynda Bassan