13 de set. de 2015

Vida Celebrada

Vida Celebrada 



Três filhos singulares. Três poesias peculiares.
Não conseguiria reproduzir um verso escrito anteriormente. 
 Cada filho, um seu jeito de ser, entrelaçado no mesmo elo do AMOR
Elô, este é seu ! ( a do meio)  Parabéns minha querida.


      

 Vem setembro, parto em flor
 Pólen ao vento se espalha...
 Vida em fecundidade
 ****
 Vibra de contentamento
 Meu útero ninho
 Eu, você um só tecido
 ****
 Segundo filho, vive a
 Extravagância no amor
 Em continuidade, Você
 ****
 Chega suave, pequenina
 Com tantas dobrinhas magrinhas
 Pele de pêssego, emoção!
 ****
 Olhos verdes, esmeralda
 Joia incrustada na alma
 Onde as palavras não explicam
 ****
 Eloisa, nossa Elô, cresce
 Em graça, sorriso contagiante
 Corajosa, risca caminhos
 ****
 Hoje, “nosso” coração se faz poesia
 Entrelaça nas palmas e na melodia
 Do Parabéns a você
 ****
 Seu rosto/Alma desejado
 Nas entranhas de um querer
 Hoje, Mulher! Forte na Fé
 ****
 Na minha sacralidade, Graça
 Se conduz a Deus em gratidão
 Por ser sua Mãe.
                                             Olynda Bassan

"Vidas que se acabam a sorrir"


Ao me deitar a música  'Luzes da Ribalta" me veio à mente e com ela vieram os "refugiados". Eu me levantei e teci esta poesia, triste, mas poema.








“Vidas que se acabam a sorrir
 Luzes que  se apagam e nada mais”


Noite fria, já é amanhã, ainda escrevo.
A música me faz  lembrar  dos “refugiados.”
Vidas vão sendo ceifadas pelos mares encapelados.
Ondas se projetam ao céu. Desconhecem o inferno
Das almas que navegam... Nada, é o mais...
Nada deixam... Pátria,  casa...
Nem provedores.  Será que saudades?
Quem sou?  Um errante?  Um rótulo?
Carrego o de “refugiado” Um número.
Expurgo de um nome, de uma identidade
Sem rosto. No meu nada;  estatística.
Sonhos alimento no direito à  VIDA
Um canto  aonde vejam  minha humanidade.
Travessia doída.  Mãos se desprendem como                                     
Laços de fita seccionadas no  sangue da esperança
Rostos que se distanciam, olhares se afastam.
No meio do mar; queima a pele, a alma
Sem alimento, sal em demasia. Massa de gente
Cadê meu menino? Cadê meu pai? Minha mãe?
Cadê minha boneca, minha bola?
Um  nome...uma brincadeira...
Na terra prometida, o meu MANÁ!
Não desisto do meu “TUDO”
Sou GENTE! Sou Esperança!

                                                             Olynda Bassan







27 de ago. de 2015

Noite em poema




                              Noite em poema





 É noite
 Em mim  poemas vazios
 Em linho amarrotado
 Dedos deslizam nas contas de seus  versos
 Nas dobras, nós,  em metades
 Buscando- nos por inteiro
 Braços sedentos
 Asas da paixão
 Abraçam nossos poemas
 Impressos nas lágrimas
 Dos meus olhos solidão.
 Boca úmida, em rima
 De doces beijos, carícia
 Minha alma, poesia plena
 Plana em devaneio de você.
 Na ausência de pele... fantasia

                     Olynda Bassan

25 de ago. de 2015

Mampituba

         








        Mampituba


Longe...bem longe
Lampejos de ti
No olhar de quem o ama
****
Mampituba
Multiplica lua e luares
Prateando a negritude
Descortina suas águas
****
Lúdico! Criança!
No colorido dos balões
Se  diverte, ri; não os alcança
****
Aquarela no entardecer
Pinceladas douradas ao lilás
Você, prisma do Criador
****
Desapego.... o deixar ir
Na corredeira do tempo
Águas passam... contornam pedras
****
Mampituba retrato
Fragmentos de lembranças
Singram em barcos ...saudades
****
Emoção, cores, oração...
Se  faz tela e moldura
Poema e poesia
****
Tu  rasgas  as terras de Torres
Na fertilidade das águas
O “ pólen  que fecunda”
****
Névoa em incenso
Versos de um rio
Sou teu...sou vida.

                     Olynda Bassan





Menina do interior









Menina do interior
Descortina o mundo
Vislumbra o mar
****
Não sabe do mar
Mas sabe do Amar
No cheiro da terra
****
Da relva, do jasmim
Do canto dos pássaros
Conhece bem...
****
Menina do interior
Não sonhe só
Vá amar no mar
****
No caminhar, carícias
Da areia morna
Vento que desalinha
****
Tempero das águas
Acalma sentidos
 Amacia a alma
****
Vista - se da canga leve
Na brisa sensual que sopra
Se veja mulher
****
Menina do interior
Em mim, em você
Anseios... horizonte...caminho

Espelho






                    

                                           Espelho



Ah! Espelho, és implacável!
Vai me diz, vai,  que meus 20, 40 anos
Distantes estão...
Da juventude, linda, graciosa
Luzente! Lembranças...
Entremeio a perdas e ganhos
Do caminho que trilho
Fisgo o que me faz feliz
Faço o entusiasta jogo do  mas..
O dedo entorta, mas aponta o amanhã
A pele enruga, mas a vitalizo com alegria
Prega nos lábios? Que me importa? Sorrio
Síndrome de solidão?
Busco-me companhia.
Não me tiras, o precioso tempo.
Compasso da Sinfonia do meu Deus.
Pequeno, ou longo, não sei...
Mas o suficiente para viver
Intensamente meus instantes
Efêmeros, mas singulares.
Ah! Espelho, espelho meu...
Conhece meu exterior, apenas papel
 De uma alma que acoberta, ainda
Inebriada de amor, o prazer pela vida
 o gosto por vocês.
De mim, nada sabes...


                                    Olynda Bassan

muro, ou ponte







Muro, ou ponte!!!

Saio da copa, da sala, deixo o celular. Sento- me na escada sombreada por muros descascados, esmaecidos pela chuva, pelo tempo. Tomo um drink, sozinha, que me importa? Hoje é sábado. À minha frente um paredão cinza, mas imponente que não me deixa ver as árvores, flores dio Zoológico. Ah! Parede de concreto! Você pode ser meu eu, meu ego aprisionado, contrito, confinado em mim, na luz que não se expande, que não gera calor.. Um obstáculo intransponível, o qual me insere num mundo minúsculo, nesse Universo imenso. Um olhar cerceado, sem sonhos e querer. Ostracismo fincado.
Opa! Vejo uma folha verde - cana de uma amoreira contumaz no seu desejo de crescer na fresta do cimento duro da escada.. Esperança! Há vida neste lugar.
Olho para a pilha de tijolos e penso que ela pode ser o que eu quiser. Por que não?
Projeto nele os paredões de Torres, o arco esculpido pelo tempo, em Capri, as belezas do Brasil, mar e sertões, o lago da minha cidade, a voz da minha vizinha.
As grades marrons? Não mais lembranças de prisão, de isolamento. No meu imaginário me são apoio para escalar e transpor em busca de horizontes, templo de momentos de prazer, de ser feliz, de gratidão. De encontros com pessoas nas quais sentirei o que tenho de melhor e o meu pior. Nas trincas deste reboco, minhas cicatrizes, minhas rugas, marcas de um tempo, que não me espera.... Passa!
Ainda há vontade, ânimo para tornar muros em pontes. Como dizia minha neta " lá vu eeeeuuuu". Nossa! Acabou meu drink e nem percebi. Mas escrevi minha crônica. Tenho roupa no varal...desço as escadas, por ora....
Bom domingo. Abraço da Olynda.