25 de ago. de 2015

Momento Metrô




Momento Metrô

O vento" tempo" sopra a meu favor e o Universo conspira para que eu o aproveite bem . Observo o mundo, me detenho em detalhes. O metrô da Sé nos proporciona exposições, música, livros... É só enxergar. " Heróis do Clima " fala sobre os pesquisadores sobre as alterações do Clima e dos heróis do Clima no cotidiano, daqueles que andam a pé, de bicicleta, de metrô... Um casal namora sem se lembrar que existe este tal de CO 2.
Mas o fato que me emocionou, foi outro. Entra no metrô, uma senhora, arqueada, cabelo por pintar, raízes brancas que o tempo impõe, apoiada em sua cuidadora. Filha? Neta? Amiga? Quem sabe... Muitos se movimentam para lhe dar o lugar. Lindo, isto! Senta - se, estaciona a sua bengala e a perco de vista. De repente, pelos vãos dos que estão em pé, eu a vejo, fazendo palavras cruzadas, ou, caça palavras, num livrinho amarrotado, com uma grande lupa em mãos. Não será pouco o seu limite de visão, mas ainda assim, lê. Livro, lápis, lupa, palavras, leitura, naquelas mãos frágeis, enrugadas, em meio a celulares e rostos que apenas enxergam seu brinquedo. Quantos a notaram? Perde - se a oportunidade de se encantar, de se modificar com um simples olhar do cotidiano. Abraço da Olynda. Bons olhares.... A semana está só começando...

10 de ago. de 2015

Fitas soltas



                                                                                             fonte Google



          
Fitas soltas


Romance lido em páginas

Amareladas, esmaecidas
Em minh’alma bem guardado
Secreto, vivo, sem espaço
Nem tempo para se findar
Represo em saudades
O encanto de suas palavras
‘ Eu a amo como eu me amo”
Hoje, um amor de fitas soltas
Sem rumo, vagueia ao léu.
Pontas repartidas...longínquas
Não foram laços em nossas almas
Fiapos revestidos de seus
Toques, de nossos momentos
Prazer do que poderia ter sido.
Caminhos diferentes, trilhados.
Tantos anos se passaram...
Eterno amor em desencontro.
Neste “ a amo” não me tens.
.Não há você... qual trama
Que se esgarça ao vento
Eu o procuro nas esquinas
Em vão, Só deslumbro
Um coração choroso, revisitando
O passado, dos sonhos de então.
O tempo será insuficiente para
Esvaziar – me deste lindo amor
Você está. No choro e no sorriso
Largo, em lábios trêmulos
Sentimento infinito bordado
Na fita solitária, guardada.



                                            Olynda Bassan




26 de jun. de 2015

A rara poesia do cotidiano








                                                                                                             Fonte Google




A rara poesia do cotidiano
Para mim, Shakespeare é muito maior do que sua Londres, com suas noites frias e seus dias baços. O poeta cantou em seus versos a universalidade do drama e do amor como ninguém o fez. Talvez por ter bebido de fontes próximas ao seu colega português Fernando Pessoa, quem sabe? Esses dois monstros sagrados da literatura universal disseram bem o porquê de terem existido. Suas obras traduzem as faces de seus valores mais legítimos. Valeu terem vivido e produzido a boa obra. Amaram seus tempos naquilo que viveram intensamente, suas poesias.
Se eu pudesse – logicamente que se tivesse autoridade para tal – juro que faria ser obrigatório aos presidiários do país declamarem poemas como ações redutoras de suas penas. Não sei como se comportaria um serial Killer ao declamar Fernando Pessoa antes de cometer qualquer crime. Se  estamos vivendo uma época distante do simplório tribalismo do passado, estamos também desaprendendo a amar. Falta lirismo ao homem moderno e poesia no seu cotidiano, como também um novo olhar mais humano e misericordioso para com seu próximo. Aprendemos bem demais a sermos egoistas globalizadamente. Vivemos pelas faltas e agimos pelos excesso. A emoção tem sido um bem mórbido que temos usado para viver os dias atuais.
Se furtarmos o amor da necessária e esperada convivência humana, teremos nossas próprias almas roubadas de tudo o que nos for mais essencial ter nessa mesma convivência já deficitária, que é a de hoje. A fé anêmica que exercitamos na atualidade é a principal causa de vivermos em desalegria e desencanto. Estamos nos isolando de Deus e a vivendo  ilhados pela hipocrisia e o egoísmo que alimentamos dentro de nós.
Se não engendrarmos um novo e promissor reolhar nas cousas da vida, padeceremos tanto que nos será capaz, ao banharmos com o luar, olharmos para o céu das noites e sequer enxergarmos as estrelas. Se os desejos importunos estão nos desviando do real compromisso cristão para com a vida, que nossa vontade impere e realize uma obra nova e proveitosa para o convívio de todos.
Amigos continuamos a ter, mas sem a coragem e o compromisso que destilavam nas amizades feitas no passado. Tudo mudou, até a natureza. Não sabemos mais quando nos é conveniente o choro ou a gargalhada.
E por acreditar tanto na vida renovada é que prego essas reformas espirituais para todos nós e nelas me incluo. É cabido a todos promover uma mudança rápida e profunda no modo de vida. O que adotamos nem  sempre presta e está nos levando a maus lugares e péssimas horas. A oração mais forte que podemos exercitar é a traduzida em obras sociais lícitas, convívio são, apadrinhamento responsável. Ao estirarmos as mãos para a ajuda social, estaremos garantindo um suporte digno para quando doutras mãos estivermos necessitando.
 Quem comete o crime é o homem. Portanto, cabe a ele reestruturar-se e reaprender a conviver dignamente. É lícito, pois, fazer-se o poema cheio da poesia da vida e declamá-lo no cotidiano novo que carecemos tecer. A doação, a fraternidade, o amor ao próximo, tudo isso está nós faltando para voltarmos a ser humanos.
Passa pela instituição “família” esse reaprender produtor. Fora dela continuaremos ilhados e tristes e sem rumo algum. A ordem de cada um deve estar na ordem de todos. O amor, portanto, continua sendo a solução mais simples para os nossos mais complexos problemas do cotidiano.

                                                                    Escritor Paulino Vergetti  Neto


Fonte:Jornal "A Comarca"  de Monte Aprazível Paulista


8 de jun. de 2015

Aquela Mulher

          




                                                                                          foto Google


          Aquela mulher!




 Chega  em  seu outono
Que seca pele, marca
Desbota pétalas...
Aquela mulher acoberta entre
Vestes, tecidos e pudor
Seios alvos, macios, roliços
Quase de primavera
Roça o céu da minha boca
Fruta cultivada...
Suculenta, que se morde
No sabor de mulher e perfumes
Degusta-se  bem devagar
Na sedução que incendeia
Desejos  quase  secretos
Revelados pela pele
Que fala de amor, no arrepiar
de   pelos e nuca.
Pernas entrelaçadas
Seios  oferentes
Saudades...
Daquela mulher...


                       Olynda Bassan





30 de mai. de 2015

Eu refiz

     






                                                                                          Fonte Google



   Eu refiz....

    Inverno combina com avó, agulhas e lã. A cada ponto uma gota de amor, um sorriso, vislumbrando o rostinho da Maria Eduarda,  da Valentine, da Luísa, do Henrique. Mas nem tudo são flores na arte de tricotar, de crochetar.  Haja paciência!!!
      Nesta semana dediquei o meu dia todo a completar um pulôver. Pressa! Chegaria uma onda de frio! E ao chegar o final daquele dia, nada deu certo. Nem o ponto, nem o tamanho. Desolada comecei a puxar... a puxar o fio. Tantas horas, perdidas. O novelo de lã se enchia novamente! Sensação de mãos vazias, de missão não cumprida. O ventinho frio que entrava pela fresta da janela,  gelava meu pé. Apenas uma certeza eu tinha: absorver a decepção e recomeçar.
      No livro de José Saramago, “Ensaios de uma cegueira”,  diante de um conflito entre os cegos, a mulher disse” o mundo está aqui”. Pois bem, enquanto desmanchava, refletia que, em algum momento precisamos nos desmanchar para que peças novas se encaixem no  quebra – cabeça de nossa existência. O mundo está se desmanchando, levantando tapetes, descortinando podridões nos valores, na ética, na honestidade. E por aí vai.... Pessoas desmancham seu comodismo ao acolher, ouvir, sair em busca de gente, de cultura, do bem estar, da espiritualidade, de si mesmo. E por aí vai....
     Tanto no caos da minha linha emaranhada, quanto no caos de nosso “eu”, dos homens, aliado ao querer, poderá surgir uma nova ordem, uma harmonia de pontos e cores.   “O mundo estará aí.” Em um só fragmento da peça de inverno existe  a totalidade dos nossos sonhos, da nossa persistência, do amor em aproveitar a  chance de ser melhor.  
     Na beleza da arte do fazer  acariciei  em minhas mãos a maciez do pulôver que agasalha e aconchega avós, netos e quem mais vier.

    Mas o que eu queria mesmo era me desmanchar em um abraço....rsrs.  No desmanchar e refazer...desejo  um bom final de semana aos meus amigos de longe e de perto. Olynda

21 de mai. de 2015

Busco-me

        


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                                          Busco-me...


    Subo à montanha
    Elevo-me à voz do silêncio
    Repouso  minha alma
    Para orar o meu deserto...
    Emoções tórridas, gélidas
    Qual vento que assovia Estações
    Na mansuetude do infinito
    Transpasso - me, invado-me
    Não sou bula,  “checklist”
    Não me defino, busco - me
    Sou alma inquieta
    Pulsando em sonhos
    Fico entre o que sou
    E o que almejo...
    Deus sobe comigo
    Guia-me nos atalhos
    E fendas de mim
    Meu fecho de sustentação
   Deslizando-me de Suas mãos
   Benditas, coloco-me de pé.
   Retorno ao vale dos meus dias
   Onde me enxergo...


                                                                         Olyndabassan

7 de mai. de 2015

Um novo coração

                  




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                                 Um novo coração que Deus me deu

E se a vida te entregar desesperanças, o que fazer? Até os sábios choram. Há diferenças nas lágrimas dos que amam. Há dores e há dores e o horizonte nem sempre nos permite chegar muito longe. Mas para Deus tudo é possível.
Há anos tive um infarto agudo do miocárdio. Puseram dois stents em meu coração, em duas arteriazinhas finas que haviam entupido. Sofri bastante, senti a morte de perto, mas continuei a luta e ganhei muito mais fé em Deus. Arregacei as mangas e com quinze dias estava na labuta e comecei a enxergar esperanças novas, dessa vez, logo no comecinho do horizonte. Vida nova, nova vida, um descortinar mais alegre do mundo. Resolvi que iria amar-me um pouco mais e entender que a vida nos cobra coisas fortes para que possamos ter uma vida decente, saudável, longeva.
E o tempo passou depressa e me descuidei novamente e voltei a engordar e até acreditava que com aquelas mangueirinhas no coração jamais teria outro infarto. Os remédios foram abandonados, passei a comer tudo, e, certa manhã o peito voltou a doer. Nem acreditei que aquele mal estaria e volta. Fiquei entre a dúvida e a certeza. Uma coisa me iludia. Levaram-me ao hospital. O colega que me atendeu achou que não se tratava de um caso de infarto agudo do miocárdio. Mas era o mal. O mal havia voltado. Meu coração adoecera mesmo. O pior é que dessa vez em proporções muito mais perigosas.
Lá estava novamente deitado em um leito de UTI. Era a segunda via-crúcis. Havia perdido oitenta e sete por cento da função cardíaca. Aos pés de meu leito hospitalar, chegou um colega cardiologista e, dirigindo-se a mim, confessou que deveria submeter-me a um cateterismo, mas que o risco de insucesso era alto e por isso necessitaria de consentimento dos familiares. Gelei. Era tudo ou nada. Acabava de perder meu chão e o horizonte, aquele mesmo horizonte aonde havia recuperado as esperança e que cria, haveria de levar-me a um lugar cheio de vida.
Dia seguinte e lá estava eu na sala imensa, cheia de luzes. Um velhinho se aproximou de mim. Cabelos branquinhos. Identificou-se como sendo o anestesista que iria induzir meu sono. Um sono do qual poderia jamais retornar. Um homem calmo. Tecia palavras de fé e de esperança. Era a coisa mais importante que queria ouvir, ou melhor, que necessitava ouvir. Exame feito e lá estou voltando a UTI, ande passei os mais longos quinze dias de minha vida, ou de minha quase vida.
Os dias passaram, recebi alta da UTI e fui passar mais alguns dias em um leito hospitalar, na área dos cardíacos graves. E foi aí que recebi o veredicto. Meu cardiologista me informou que estava inválido, não conseguiria mais viver normalmente com o resto de músculo cardíaco que me restava e que era o mais novo candidato a transplante cardíaco. Gelei, chorei bastante e nenhum consolo me servia. Meu horizonte havia se escurecido. A morte me rondava.
Conheci um anjo de luz. Dona Francisca Batista Leite, minha sogra. Um ano atrás eu havia ido enterrar sua mãe, uma velhinha muito querida. Morava no alto sertão paraibano. Vi-a chorando muito, retirei meu lenço limpo de um dos bolsos da calça e o ofereci para que enxugasse suas lágrimas. Recebeu-o após me agradecer. O tempo passou e me esqueci daquele lenço. Continuei meu tratamento cardíaco. Ela havia feito uma promessa com Nossa Senhora e cobrira uma imagem da Sagrada Família com aquele lenço que lhe havia ofertado no velório de sua mãe.
Meu primeiro retorno ao cardiologista foi com 30 dias. Estava bem melhor e ele se surpreendera com a involução das lesões do meu coração. Segundo, terceiro, quarto mês. Até ouvi dele que não daria mais um atestado de invalidez a mim. Ouvi dele que algo de estranho estava acontecendo e que jamais teria a coragem para me levar a uma sala de cirurgia e realizar um transplante cardíaco. O que teria acontecido? Era a minha vez de dizer ao Doutor Fulano que Nossa Senhora havia operado um milagre em minha vida. Disse-lhe: Acredito em um Deus. Um Deus imenso, criador de todas as coisa do mundo. Um Deus que, dependendo da fé de cada um, cura para sempre os que Nele crê.
Hoje faz cinco anos do milagre e estou com a vida novamente e consigo enxergar milhares de estrelas no horizonte de minha vida, como se Deus quisesse dizer aos que não creem que É maravilhoso. Todos os dias ponho a mão no peito e rezo um Pai Nosso bem diferente dos outros. É em Sua homenagem e em homenagem de Dona Francisca, a outra Nossa Senhora que Deus pôs em minha vida.
Se eu pudesse, daria um montão de minha fé, aos amigos que tenho e que se proíbem a si mesmo de crer na magia inenarrável de um milagre e no outro coração que ganhamos quando Nele acreditamos sem nada temer. Sou uma prova viva de que Deus é imensamente misericordioso.



    Relato do escritor Paulino  Vergetti Neto. Texto reflexivo, de Alerta, de Fé. Emocionante, caro amigo, também poeta, cronista, romancista....