23 de mar. de 2014

Alegria do Carnaval







                                                        fonte Google


         Neste carnaval eu me propus a viver o diferente. Resgatar o aconchego da família; voltar à minha origem onde nasci e cresci, brincando de cara para o vento, atolando na lama das ruas, ainda de terra, brigando, conquistando espaços, aprendendo a ser líder. Sim, Gália, minha cidade Natal, foi a escolhida para passar o feriado de Carnaval.
 E como me foi prazeroso! Muito bom! Desfile de blocos, carros, fantasia, bateria com muita a animação e trabalho. Mas, nesse sair para apreciar a festa nos alegramos ao encontrar amigos que há muito não víamos. Amigos de infância, ou filhos de amigas, que se perderam pela distância, mas nos reencontramos no  face.  Lado bom deste aplicativo! Neste carnaval nos abraçamos ao vivo e  à  cores...! "Oi minha amiga do  face,  e verdadeira". Sinais dos tempos.  Muitos abraços e sorrisos. Rever família, estreitar laços, “tricotar” com irmãos, fortalecer o vínculo familiar. Reviva o amor, desata os nós da carência de atenção, de afago.
     O encantamento da natureza, foi mesmo, sentar nos bancos do jardim ao entardecer. Quantas recordações me traz! O imaginário baila nas lembranças. Parece que eu conseguía ver os mesmos moradores saindo de suas casas. - Ali morava o Toninho.- Olha casa da D. Nenê, minha professora... Quem morava naquela amarela, mesmo?   
    Minha irmã Lourdes e eu, chegamos  cedo para a missa, em nossa encantadora Igreja Matriz.  Neste espaço de tempo, pude apreciar o céu mais deslumbrante que meus olhos já viram. Parecia que o mar estava de cabeça para baixo. Não se enxergava uma nuvem, apenas as estrelas, surgindo para iluminar aquele céu que estava prestes a se esconder, para humildemente dar lugar à lua prateada que já despontava. Era um degradé de azuis.  Exuberante!   Em desenhos circulares, se via desde o azul claro, turquesa, azul hortência, azul petróleo. Mas, de uma intensidade que emocionava a alma. Só um poeta descreveria tamanha beleza.  A mim, apenas sentida, pois desvendo a poesia no cotidiano, e não em palavras. Esta "pintura" emoldurada pelos altos coqueiros, me faz acreditar na presença de Deus, em cada pedacinho deste planeta.
     Minha vontade era bater no ombro de cada pessoa que por ali passava e apontar para este céu... Olhe!  Não perca este deslumbramento, presente de nosso Deus. Não olhe apenas na linha dos seus olhos, ou para o chão. Tem mais belezas acima do nosso olhar. Tem poema!  
    Em contraste a esta paz, a esta poesia, por ser carnaval, lembrava eu do barulhento "trio elétrico, com o som nas alturas embalando a moçada, na alegria alimentada pelas latinhas em suas mãos, desde o raiar do dia. Alegria pela alegria? Falsa alegria! Esta, por certo, não transborda de suas almas, de seus sonhos, ou conquistas. Quando transito entre pessoas e tão jovens ainda, se afogando em bebidas em ressacas, tenho medo! Não deveria, mas eu o sinto! Por que não me envolve a alegria?  Afinal é a juventude nas ruas, com toda a sua vivacidade. Quanta vida o Criador colocou nestas criaturas!  Por que não reconhecem a sua grandeza, o seu valor? Nem sabem quanto amor existe dentro de si e qual sua capacidade de amar.Há um endeusamento pela bebida, pelas drogas. Sinto pena!
     Que efeito estranho esta festa exerce sobre os indivíduos.  Falo daqueles que se permitem transgredir, porque é carnaval. Durante o “reinado do Rei Momo”, este jovem deixa em uma gaveta, sua alma, seu espírito; esquecendo – se, que ele próprio mora neste corpo, agora maltratado, descascado pelos excessos, muitos excessos...  Jovens que não dão conta deste corpo; mente que não elabora raciocínio.  Traça -se um parênteses, onde se permanece, dormitando por 3, 4 dias. O que diria o seu reflexo diante do espelho? Que face revelaria?
  Não, ele não quer pensar. Carnaval não combina com pensar. Nesta transgressão, presenciei ali pertinho das famílias que se encontravam, falando de suas lembranças, uma briga entre alguns adolescentes, mostrando a barbárie que o ser humano, ainda exerce, hoje, como se estivessem nas arenas Romanas. O moço cai e os demais batem em seu corpo, em sua cabeça com cadeiras de ferro, sem pensar nas conseqüências. Nem  mesmo reconhecem ,naquele ser, uma criatura,  um filho de Deus, seu irmão. Tudo se faz em nome do Carnaval. Uma mãe dizia para o filho - “Você está bebendo muito. -“Não esquenta mãe. Depois do  carnaval eu paro”. Ah!...tem caminhos outros, de se sentir feliz...Tem, sim...
   Vive-se também, no Carnaval, a alegria que não transgride, a qual é brincada em família, no salão, com amigos... Parece  que  neste momento queremos “jogar a toalha” de nossas preocupações, fardos que nos pesam no dia a dia. Uma vontade de trocar nossos deuses, nossos demônios. Um chega pra lá, no sistêmico, no jeito cartesiano de resolver nossas pendências, nossas neuras.  O toque das marchinhas, o repique dos tamborins, dos surdos,  despertam uma sensação de vibração, de arrepio pela emoção, que nos falta no cotidiano de trabalho, na correria, nos encargos. Mesmo que seja, por um breve espaço de tempo, usufruir de um jeito de viver, de sorrir, de ser mais leve, propósito de muitos réveillons.   “Deixar a vida me levar, leva eu”. Aproveitar a vida a dois, namorando, revivendo os bailes da época de paquera, de noivado. Essencial este afago, este sussurrar no ouvido de quem se ama. A alegria descontraída do  Carnaval faz aflorar tais desejos. E por que não vivê-los?  Se há tantos  risos... oh! quanta alegria... no salão?
    Vou além dos salões enfeitados.  Questiono a importância do ambiente, ao nosso redor.  Assim como o carnaval suscita o contentamento;  um ambiente, com humor, acolhedor, poético, também não exerceria  a vontade de sentir a emoção da vida, na vida, em nós? Um lugar com leveza...
    Nossa inquietação, nosso desejo louco de amar, nossa ânsia pela alegria,  de sentir arrepios, pode ser alcançada por voos altos, por fazer o que temos vontade, por mais simples que seja, sem a muleta da bebida, da maconha, da cocaína.  Sem a desculpa do não ter tempo, não ter oportunidade, estar só. E por que não ser companhia de mim?  
      Eu me recordo, com carinho, daquela senhora, nos seus 87 anos, a qual achou um caminho para ser feliz.  Não é que teve vontade de rezar alto na Igreja e não se fez de rogada? Pediu o microfone e realizou seu sonho.  Não somente rezou, mas declamou sua extensa oração,  com a emoção que transbordava de sua alma. Vivenciou uma satisfação inenarrável! Posso escolher, uma, entre tantas linguagens de ser feliz.Posso...sim ! 
     Eu mesma, posso estar me esperando, para me alegrar. Devo me apressar...
    Que pena... se eu resolver esperar até o próximo carnaval!

   


8 de mar. de 2014

Mulher... dançarina da vida



                                                                                                     fonte google




   



                                                    "Nem sempre podemos 
escolher a música que a vida toca. 
Mas podemos escolher o jeito de dançar...
Que a vida Nos reserve uma ótima dança..."



      Um abraço carinhoso, a nós mulheres, pois somos exímias dançarinas no palco desta vida de afazeres, de cobranças, de se fazer feliz, de se amar, de se conservar bela... de  ser amada. Dançarina sem medida, na arte sacrossanta de ser Mãe, de seus próprios filhos, de sobrinhos...  de  seus pais que se tornaram crianças pelo tempo implacável...

    Dançarina, rodopiando entre paixões, fantasias, amor, desenganos, frustrações, desamor...valsando, na elegância, sem tocar o chão...
       Esta mulher, por um tempo pode deslizar ao som de uma valsa; no rítmo de um bolero, que a torna doce, terna, tranquila. De repente, se reveste da força de um Flamenco, de uma batida compassada, alucinante, na qual se faz presente neste mundo de decisões, rápidas, precisas. Por entre acordes e notas musicais do cotidiano, quem dela precisar, sentirá seu abraço, seus braços fortes e ao mesmo tempo suaves, rodopiando pelos salões, pelo qual a vida abre suas portas. Ora estreitas, largas, glamorosas, rebuscadas, descascadas, esmaecidas pelo tempo. Não importa!   Haverá sempre uma mão entre as suas o conduzindo... conduzindo...


   Quem se aproxima desta mulher nunca mais será o mesmo. Sentirá o sabor da sua musicalidade, da  cadência nos passos de sua dança pela vida.  Neste movimento em espiral ela se eleva: se torna pilar, ninho, refúgio.  


Independente, das opiniões a favor, ou contra esta comemoração, reservamos a nós, o direito de nos valorizarmos... 
Eu amo ser Mulher.

6 de mar. de 2014

Tudo passa...



       


                                                                           fonte Google
                                  


   
   Tudo passa... Quando deixamos ir...
  Tudo passa... Quando o desapego se aninha e surrupia o lugar da posse que bate o pé e insiste em ficar.
  Tudo passa... Quando pelo nosso amor próprio reconhecemos que, o que termina, termina...
  Tudo passa... Quando num movimento interior buscamos caminhos de paz, de perdão, de recomeço.
 Tudo passa... Quando eu consigo acalmar as águas revoltas de um mar que carece de calmaria.
  Tudo passa... Quando acreditamos que águas doces saciarão minha sede; distantes das águas salgadas que queimaram minha pele pelo desamor.
 Tudo passa... Quando não mais represamos as águas das mágoas, rancores. Quanto mais diques  construímos,  como defesa, mais nos distanciaremos de novos portos, de novas chegadas.
  Tudo passa... Quando o “tudo de ruim” for acomodado num lugar do meu passado, porque eu mereço “tudo de bom”.
   Tudo passa... Quando percebo que a tristeza me faz doente, dando um sabor amargo à vida que deveria ser doce.
   Tudo passa... Quando colocamos as mãos em nossos trincos emperrados, abrindo as portas desafiadoras para o novo.
    Tudo passa... Quando não abro mão dos meus sonhos... do que sou... do que quero.
 Tudo passa... Quando temos consciência de que todo luto, pela perda que for, tem seu tempo para se findar.
   Tudo passa... Quando não permito que as cicatrizes façam sulcos em minha carne e na minha alma.  
   Tudo passa... Quando deixamos ir; mesmo com lágrimas, embargo na garganta, e querendo o contrário.
    Tudo passa... Quando o passado não me sombreia, mas me constrói.
  Tudo passa... Quando me liberto. Subindo até à altura que o vento me levar. Aplaino e gozo da paz que este voo me presenteia.
   Tudo passa... Quando o arco - íris surge, mesmo com suas cores tênues, e faz uma aliança de esperança, de alegria entre mim e minha alma.


           Tudo passa...


  

18 de fev. de 2014

Estorinha Infantil Ter amigos é bom...



             Ter amigos, é bom... é muito bom



                                                                           fonte Google



  Estava eu, em São Paulo, acompanhada por duas netas por conta do encerramento do ano letivo nas escolinhas. Parece que tudo começa por lá.
     Rascunhei esta estorinha, logo cedinho, em folhas de papel deixadas por ali. E como quem não quer nada, contei para Maria Eduarda e para Valentine.
       Uma... duas  vezes. E criança contenta-se, com uma só vez?
      Passou um tempo...  tomaram café e de repente eu as vejo; sentadas, uma de frente para outra. A Maria Eduarda com a folha de papel na mão, repetindo a estória. Sem entender a letra da avó, porque era rascunho, do rascunho. A Mia estava sem voz, a Valentine colocou, por conta própria.  A Maria Eduarda foi colocando a sequencia  dos visitantes, mais de uma  vez.  Eu, interferindo, fui dizendo...  tirarei  alguns toc, toc.  A Maria  Eduarda...” não  tira, não. A gente  pode não ouvir bater.”rsrs
    Para explicar sobre o que seria “acolhida”, precisava de uma referência, e porquê não, o sorriso da Luísa?. Quer um sorriso mais acolhedor? Ao falar da Mia, abaixavam a voz, quase sussurrando.
     Elas acabavam de contar a estória e já iam se dando as mãos, levantando - se e começavam a pular. Eu ficava só olhando, minhas co-autoras rsrs
        Nesta última visita da Valentine, a Bauru, me perguntou:
        - Vovó, o que é acolhida, mesmo?
        A Maria Eduarda volta e meia me dizia que a entrada dos amigos, estava diferente, da primeira vez que eu a contei.  Tive que retomar o rascunho. E ficamos trocando idéias.
        Bom... Pensei...  Colocarei esta experiência no Blog e seja o que Deus quiser. rs




             Férias...

      Vizinhos, amigas, viajando...
   A menininha Maria Eduarda está desolada. Cruza os bracinhos e reclama:       
   -  Que chato! Que chato! Fazendo biquinho para chorar.
      Não tenho ninguém para brincar.
     - Que chato! Que chato!
 De repente, coisas estranhas começaram a acontecer... Ela ouve uma batida na porta.
    Toc, toc,  toc,
    - Quem é?
   Ela sabe que não pode abrir a porta para gente que não se conhece.
   Não pode, não.
 Mamãe já explicou e ela aprendeu direitinho.
 - Eu sou sua amiga das terras distantes...a Valentine. Está aqui, também, a nossa  amiga   Luísa
   A Maria Eduarda começa a se alegrar.
    - Oba! Ter amigos é bom...
    - Entra, entra...
 -Fiz um suco bem agora; está fresquinho. Vocês devem estar com sede e cansadas...
 Entre suquinhos e frutinhas ouvem mais uma vez
   Toc, toc, toc.
   - Quem é?
  - Au, au, au... Eu sou a cachorrinha Mel...Os olhinhos da criançada brilharam!
  Amigos, animalzinho... é bom, é muito bom!
   - Entra, entra...
  A Valentine já vem correndo; como faz ao encontrar cachorrinhos na rua:         
 "Ô moço, ô moço...Ele é bonzinho?"  A Mel brinca, a derruba, é só gargalhada de criança. As duas rolam pelo chão...  A Luísa larga seus blocos de encaixar e já vem batendo palminhas... Mel, Mel... e entra na brincadeira...
  A Maria Eduarda se diverte... “Essas minhas amigas são louquinhas” rsrs
  Quando conseguem se acalmar, o toc, toc,  começa de novo
    - Quem é?
    - Eu sou a senhora alegria!
  Nossa! Amigos, cachorrinho, alegria... é bom... é muito bom!
    - Entra, entra.
 Junte-se a nós. Esta casa está ficando uma delícia!
 Mas não parou, por aí, não... Tinha mais gente para chegar.
  Toc, toc, toc...
    - Quem é?
  É o senhor abraço e trouxe a senhora acolhida.
  Abraaaaço...
  Sabemos o que é... ganhamos  muuuuuuuitos. E é bom...
    - Acolhida?
    - O que é isto?
 Uma ficou olhando pra outra com carinha de interrogação.   ?
 Nesta hora, a contadora de estórias entrou.
  - Acolhida é quando um amiguinho gosta que você fique brincando com ele. Quando você recebe um sorriso lindo. Olha para  Luísa! Que sorriso mais cativante, mais alegre! Até seus olhinhos riem.  Ela está acolhendo vocês. Quando a vovó faz panqueca para comerem com mel, está acolhendo.  A Valentine  completa. Então...quando eu crescer,  vou fazer para minha filha.rsrs. A Maria Eduarda espertinha emendou... Ah! quando eu chego da escola e tem bolo de chocolate, não é vovó ?   Isto, mesmo! Quando se abraça, também. O suco que você serviu para suas amigas, é  acolhida, viu?
    Ah! Então...  Ser acolhido e acolher é  bom, é muito bom..
   - Entra, entra...
   Maria Eduarda nem se lembrava mais de cruzar os braços e falar:
  - É chato! É chato!
  Tudo estava ficando muito divertido!
  Ela, então sugeriu... Vamos brincar?
  Mas, nisso todos ficaram espantados!!
   Ouviram um toc, toc,  bem baixinho... e  uma voz.. miau... miau...fininha...               
   - Eu sou a gatinha Mia; quase nem a ouviam...
  Uma olhou pra outra.
 Gatinho... cachorrinho, na mesma casa...   será   que vai dar certo? As opiniões se dividiam, mas já foram chegando perto da porta. A Luísa  foi a primeira; miau, miau e apontava a porta, sorrindo como sempre.
  Então a Maria Eduarda se lembrou, com ternura.
  Temos amigos, cachorrinho, alegria, abraço, acolhida... Vai dar certo!   Não tem como não dar.
  - Entra, entra, entra...
 Antes de brincar vamos dar comidinha, água para os nossos animaizinhos...  
 Quem tem... tem que cuidar, não é criançada?
     -Siiiiiiiim.
     -   Mia, você,  já  descansou? Está mais fortinha?
    - Pronto! Agora, sim...

                Formando os pares!

 A Maria Eduarda, dança com a Valentine.
 A contadora de estórias entrou na brincadeira, para dançar com a Luísa, porque  ela é pequenina.
 A Mel  dança com a Mia.
 O abraço  com a acolhida.
 E a alegria? Quem será seu par?
 Psiu... psiu... hei, você...

               Eu?

   - É você mesmo, que está lendo esta estória... 
   - Quer brincar com a alegria?
   - Ótimo! É assim que se faz... 
  
   Todos de mãozinhas dadas...
 Vamos começar a dançar... Bem  bonito !!!
  Batendo palmas... Heeeeee!

   “Vai, vai, vai começar a brincadeira
   Tem charanga, tocando a noite inteira
  Vem, vem, vem ver o circo de verdade
 Tem, tem, tem picadeiro de qualidade.”


   Convido a relembrar o tempo de criança, ouvindo a Nossa querida Nara Leão, cantando O Circo, na outra postagem. Se clicar no "inicio" a música estará em seguida. Vamos brincar !!!!



O Circo - Nara Leão

7 de fev. de 2014

Parabéns de uma mãe à sua filha.

                     


                                                            




                PATH, HOJE É O SEU DIA!!!!!!!


          No dia em que celebramos a vida de nossos filhos, nos esquecemos de todas as mazelas deste mundo, de todos os senões... Pedimos até desculpas aos sofredores. Nosso coração envolve - se apenas com sentimentos bons, de ternura, de lembranças de tudo que aconteceu pela primeira vez... e depois, e depois...  Porém, o  sentimento mais forte é o da gratidão, da cumplicidade.  Path,  falo da cumplicidade, entre sua mãe e seu pai, quando dissemos sim à sua vida. Seria menino, menina, não sabíamos... Mas seria você; única, inteira, vencedora da primeira corrida pela vida.  Filha, tão pequenina, teria mais uma batalha para enfrentar, junto comigo, ainda no calor do útero que a acalentou por nove meses, em um parto complicado. Mas graças ao nosso Deus e ao médico, inspirado por Ele,  saímos vitoriosas. Obrigada, Dr. José Carlos. Se Deus nos presenteou com a continuidade da vida é porque teríamos uma missão; a de sermos felizes e gratas. E como se não bastasse; um bebê lindo!!!   Gratidão por nos preencher com a plenitude da vida, do amor.  Com você; nasceu um pai e uma mãe; inexperientes, com todas as limitações humanas, apesar do nosso amor incondicional. Com você, entendemos um pouco mais do Amor de Deus, em relação ao seu filho Jesus. Neste rio, que é a vida, você já enfrentou de tudo um pouco, ou muito. Mansidão, correntezas, curvas, cachoeiras imensas, mas a ética, a honestidade, os valores, sempre estiveram em primeiro plano. E hoje continuamos a agradecer, a celebrar a filha; a irmã; a mãe a esposa; a amiga; a profissional; a Path,  “gente” !   Beijo, morena linda, minha filha. O abraço mais carinhoso, mais aconchegante, mais gostooooso. Aquele que nos faz desmontar...  Neste abraço cabem todos os seus irmãos, Eloisa, José, família e quem mais vier. Ah... Parabéns! Deus a abençoe,  muito, muito, viu?
Agorinha passei um café; pra você sentir o cheirinho da casa da mãe. Aceita?



                   
        

23 de jan. de 2014

"O olhar do cotidiano", perambulando pelo SPA





                                                                                                           capela



“O olhar do Cotidiano”, 
         perambulando pelo SPA


                                "A  casa  protege os sonhos do morador".
                                                                 (filósofo Gaston Bachelard)

      
    Como não percebi isso antes, em você, minha casa?  Esta frase me fez ter outro olhar pelo canto que me acolhe. Eu agradeço por ser cúmplice dos sonhos meus, minha querida. Estou com vontade de abraçá - la  por ser meu baú de lembranças, de projetos que me fazem seguir “ sempre em uma direção: em frente”.
   Desconfio de que você pensou alto demais e alguém ouviu um dos seus sonhos protegidos.  Sabe  aquele que dizia: eu me quero, para mim”?  Quero sentir a minha presença, pulsando em mim.  Ter um tempo para me   olhar  e me reolhar.  Para me revisitar. Revisitar minha Crença e crenças; o que me faz viajar de olhos abertos, de olhos fechados. Revisitar meus conceitos e preconceitos; minhas pontes, meus muros; meus vínculos. Descobrir o que ainda gosto de mim... e  o que não  me faz sentido? Então... querida   casa;  um sonho saiu pela fresta e tomou estrada a se realizar.  Eu sei que fica triste em perder um só de seus guardados, mas tenha paciência.  Um sonho de cada vez, tem que ser transformado em realidade.   De que valia, teria os sonhos, sonhados, e nada mais?  Está emburrada, com ciúmes deste sonho, deixar seu ninho? Não fica não...  colocarei outro no lugar. E correndo para chegar logo, antes que desanimasse; por adiar sonhos;por preguiça em mudar; !deixa para outra vez”, fui viver uma experiência, primeira.  Conhecer o cotidiano de um SPA (Saúde Pelas Águas).
    E nesse corre-corre o meu sonho foi parar em um SPA.  Mas, não em um  qualquer,não.  Foi logo entrando no SPA da Lú, em Piratininga.  Ah! Você vai para o SPA da Lú? Imaginava, eu, quem seria a Lú. Tão longe, antes, e tão perto, hoje.
     Ao falar meu nome, as funcionárias já sabiam que eu chegaria. Nem precisei dar muitas explicações.  A Lú vem ao meu encontro, como se eu já a conhecesse e fizesse parte do seu círculo de amizades. Bom... já me senti em  casa. E por falar em casa, mando um recado para minha “fica tranquila; estou bem’.( ela fica brava, quando não lhe mando notícias). Vou descobrindo que este lugar poderia se chamar SPA família, SPA simpatia, SPA acolhida.
     Hora do almoço. Imagine como ele é esperado! rsrs. A Lú,  chega impecável, charmosa, trazendo com ela sua meiguice, a qual vai se achegando em cada um.  A sala de refeições, lindamente decorada, misturando o antigo, com o moderno, valoriza o espaço, cria um ambiente que suaviza, descansa a alma pela arte, pelo capricho, pelo bom gosto. Esta mistura de estilos; o antigo com o novo parece nos dizer que temos historias, as quais merecem ser guardadas, valorizadas, e outras a serem descobertas e abraçadas.
   A família, ao lado dos funcionários, limpa, prepara as refeições, e sorri. Eu me senti acolhida pela receptividade. As travessinhas se apresentam tão lindinhas, tão decoradas, que degusto só as 600 calorias, (opção minha) e ainda fico feliz. Pode?  Digo opção minha, porque tudo nos é perguntado: quer se pesar? Vai fazer dieta?
  Falo, em  um  outro texto, dos presépios do cotidiano; os quais acolhem Jesus, as pessoas, a natureza, sem se preocuparem com datas de calendário.  Se ainda é Natal, ou, não.  Pois bem... este presépio eu o sinto aqui. Simplesmente, acolhem...
   Depois das refeições, parece que me coloco ao redor da mesa da cozinha, onde a família se encontra para contar os causos. E quantos causos!!   E aí... a  Lú vem, com sua voz rouca, suave, a dar explicações de reeducação alimentar, mas também com suas estórias. Imagine...  18 anos ! Tem muita história e estória neste lugar!
 Tudo acontece! Causos engraçados, boas gargalhadas. Aproveitamos e contamos as nossas gafes, episódios inusitados de viagem... assim  o tempo passa...com  uma leveza que nos acaricia.( o perambulando do título, tem sua estória, também, com muito riso)  No enviés da vida, há  partilha da pessoa que chega com cicatrizes que marcaram a carne, mas, neste ambiente familiar conhecem outras mais profundas;  e se fortalecem. Há emoção neste lugar! Muitos retornam e retornam, selando amizades.
  Conheci a Nair, que emagreceu 28 quilos, durante   7 meses e faz disto um projeto de vida. Vai e volta em semanas alternadas. Acaba fazendo parte da família. Outros vão para relaxar, quando estão fatigados, querendo deixar a rotina, como se fosse um hotel fazenda. Eram fatos desconhecidos por mim. Gente magra em SPA?
    Se a casa é guardiã de sonhos, o SPA é um palco, onde   entram em cena o bem estar, a saúde, a vaidade, o gostar de mim, ou, se descobrir linda.    Na coxia deste teatro, onde cada um narra a sua história; têm os sonhos, apressados e outros pacientes.  Cada personagem tem sua emoção, sua capacidade singular de enfrentar conflitos, ansiedade, euforia, esperança,  na busca de um novo visual. A moçada quer entrar naquele vestido maravilhoso; a noiva quer ficar linda para o casamento; outra está no final de férias e quer queimar as “gordurinhas” adquiridas. Na hidroginástica é uma farra.! Cada um fala do que almeja, com bom humor. Há também os que param a vida, e moram no SPA durante meses, para se curar da obesidade mórbida, sem cirurgias, sem dieta louca, fugaz... E se torna “filho”. E tantos outros...
   Um gesto da Lú me chamava a atenção.Ao contar os causos, principalmente os emotivos, ela fixava seu olhar na porta larga da entrada, e com suas mãos delicadas, apontava para ela, como se mostrasse o caminho das emoções vividas. Entram por aquela porta, aqueles que, querem desbravar sua alma, seus desejos.  Entram por aquela porta, partilha de alegria, tristeza, curiosidade, ansiedade, choro, perda, amizade.  E os que desejariam deitar gordo e amanhecer magro.Todos nós rsrs Há tantas vontades, indagações na mente, no coração. Eu me propus, a ter um tempo de “deserto”, para criar novos cantos, dentro de mim, ao entrar pela mesma porta. Ouvir as vozes do silêncio, que se aquietam, gritam,  ou apertam o peito.
     Lú, você, tendo esta disponibilidade, de nada impor, muito ouvir e servir,   vai se tornando “arquiteta  de vidas,  arquiteta de novas casas, ou reformando as  já existentes dentro de cada um”.  “Arquiteta” de novos olhares e reolhares,    encontros e revelações.
     Neste meu jeito de olhar o cotidiano, um SPA deixa de ser apenas um espaço de emagrecimento, para se tornar um “outro rio a navegar.” Nadamos, sim, buscando a boa forma, mas tendo a oportunidade de não ficar nas margens; de beber a água da sabedoria do viver melhor; de crescer com os nós e laços que entrosam vidas. Exercício de boa convivência. Nem sempre nossa pele sente – se amaciada por outra.  Às vezes o que se sente mesmo,     é    a   sua aspereza, mas acolhe-se mesmo assim.  E de repente você se encontra com amigas de longe, parente de parente. Amigas de faculdade e os abraços se multiplicam, vivendo aquele momento, com intensidade, único!  
    Tempo de semear, tempo de colher”. Queira Deus que eu tenha semeado coisas boas neste lugar.  Deixado o meu rastro.  A colheita, eu a fiz da melhor maneira, recolhendo o que de melhor encontrei em cada um. Tive conversas deliciosas à sombra de um pé de jatobá. Boa leitura também.
     Ah...  se  eu emagreci?  Lógico!  Mesmo não sendo minha intenção primeira.
Preciso lhes contar que, este parênteses,  no meu cotidiano ganhei de Natal dos meus filhos. O desejo deles era me proporcionar um presente significativo.   Conseguiram !!!   Eu bebi até o último gole e agradeci.
   Avisa, lá em casa, ”que eu estou voltando...” Voltando para esta energia, esta paz que sinto dentro dela. Que não são suas;     são minhas, da moradora,e ela não aceita. Teimosa esta minha casa... mas a paz e a energia são minhas, sim...