1 de set. de 2014

Angústia, de onde vens?





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                  Angústia, de onde vens?




    Angústia, entrelaça à alma
    busca em vão...
    de onde vem,
    nem mesmo sei.
    Sufoca o peito,
    aperta os lábios,
    Sorriso não tem
    Cerra os olhos
    baço, sem brilho,
    arrocha as vísceras
    chega ao coração
    suspiro e lamento
    o ar não vem, foge.
    no ar que falta
    encontro saudades



                                         Olynda Bassan

Poeta, não é seu verso








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Poeta, não é o seu verso


 O poeta como um caleidoscópio,
 desdobra, embaralha  facetas de
 Brilho e cores, num espetáculo
“fingidor” na ficção de seus sentimentos
“Fingidor”, segundo Fernando Pessoa.
 “Criador” de sentimentos, como  preferem outros.
 Tem o poder de nos atordoar com sua síntese, antítese
 Palavras com verso e reverso
 Umedece o papel com a lágrima que não
 Cabe em seus versos.
 Há momentos que" sai o poeta e fica a dor".
 Não procure o poeta no homem
 Não garimpe o homem no poeta
 Pepitas de ouro, com  quilates diferentes
 Não exija do poeta os seus versos
 Ele canta a poesia do amor de todos os povos
 Chora a dor de todas as almas
 Conta dos desejos inconfessos
 Sublimados nos  corações ardentes
 Terá musas inspiradoras, ou não...
 São poemas sem dono?
 Na solidão de buscador de almas,
 de  diversas cores e raças,
 Filosofando, apaixonado
 Encastela-se em sua literatura
 Horas de vigília envoltas pela paixão
 De escrever, pensar a vida, o amor...
 Em cada canto de seu verso, a melodia
 Eternizada, a qual não o fará  morrer..
 Poeta, criador do mundo das letras, as quais se juntam,
 e se espalham como um cata-vento em movimento,
 no universo daqui e de lá...
 alucinam,  encantam,  apaixonam, fascinam
 missão  glorificada de um poeta
 Como um alquimista, poetiza tudo o que toca, e nos toca...
 Ama seus poemas, sinta o sabor, o cheiro, o frescor de sua poesia.
 O poeta, ama-se pela essência,  pelo que é...
 Desnudo do encantamento de sua inspiração
 Não ame o poeta tão somente pelos poemas
 Ele é de carne e osso, com seus anjos e demônios
 Com o lirismo da sala de visitas e a poeira dos porões.
 No entrelaçar de sentimentos... há poemas e há poetas...

 Admire, sem o enfeite da toalhinha de crochê.



                                                                   Olynda Bassan

Paixão de um


   Paixão de um...




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                 Paixão de um...


  Na intensidade da paixão de um,
  Ama- se,  por dois...
  Assim  é...
  Paixão de um,
  Noite interminável
  Espera pelo raio de sol,
  Não chega nunca...
  quer   luz,  quer vida.
  deslumbra  seu corpo sombreado,
  por    um fio de luz que espia
  pelas   frestas da janela


 Quando se ama  só
 Assim é....
 Sufoca, noite sem cor
 Insônia do sono, de ruídos
 de   amor,  de sede.
 Paixão de um,
 Alma silente, sem eco...
 Perdida no labirinto dos sonhos...
 Em caminhos encruzilhados...
 No desencontro... um   só.

                                 Olynda Bassan


Coração Nordestino








                                     Tela de Eduardo Lima, pintor baiano. Gentilmente autorizou - me a ilustração desta poesia. Uma honra para mim, Ele retrata o amor do Nordestina cantado em versos, neste  poema. Há sempre o verde, a flor no coração deste povo. Obrigada, Abraço, Eduardo Lima. Sucesso, pintor, brasileiro





           Coração Nordestino



       Coração
       Chão batido, chão duro
       Terra em fendas
       Falta água, falta gosto
       Falta sombra que refrigera

      Coração
      Árido, inteiro  seco.
      Sol escaldante.
      Até o “vento sente sede”
      Queima a pele, esturrica o corpo
      Ainda assim, sonha com o corpo, seu.

      Coração
      Nuvem de areia, desamor
      Arranha, castiga , fere
      Seca o olho, seca a boca
      E ainda assim guarda em si,
      O desejo, de um beijo seu

      Coração.
      Range, como galho fosse
      Sem vida, sem seiva, quebradiço
      Ainda assim, espera, sonhando
      Com lindo sorriso, seu.

      Coração
      Chuva, que mansa cai...
      Há de florescer
      O amor na fenda deste coração sonhador
      Embalado pelas cirandas, boi-bumbá,maracatú...




   Inspirado no romance "Ópera dos Fantasmas d o escritor alagoano Paulino
Vergetti Neto.
No livro “ Pelas frestas do telhado” do escritor baiano Marcio Leite.


    Há sempre esperança, amor, alegria, no coração de um nordestino.

Ecos de mim





                                                                                                  Fonte google
     
                              Ecos de mim....


Canto as dores do horizonte
De um mundo não pensado
Canto a minha própria dor
No silêncio do meu mundo oco
Dor maior,  ou menor, não sei...
É, a que me arranha, maltrata e
Umedece o meu triste olhar
Descontente de mim
Me  derramo  dentro  do espaço
Sagrado do meu quarto
Ninguém sabe, não me enxergam
Só eu ouço o gotejar das lágrimas
Deste telhado ora de vidro, ora de argila
Na dualidade de luz e sombras
Suspiros confundem-se com o meu respirar
 à espera da paz que virá...
No criado- mudo, desnuda de tudo Repousa  minha alegria
Tão  muda quanto ele
No  despojamento de minha alma
Empobrecida...
Há reflexão no grito deste silêncio
Tênue, como as flores de um ipê amarelo
Sentindo a florada, quando as folhas caem
Não há vendas, não há faz de conta...
Guardo em minhas mãos
Trêmulas e gélidas
Os  Ais... ecos de mim...de mim...de mim



                                                    Olynda Bassan









16 de ago. de 2014

Como chuva, não...

Como chuva, não...




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Como chuva, não...




 Olho a chuva atrás da vidraça
 Aninha-se em minha alma
 Eu me sinto chuvosa,
 Pingos e respingos de incertezas
 Do seu silêncio, nada sei
 Na ausência de você, o meu
 Recolhimento na ânsia da espera.

 Chuva escorre fria pela ladeira
 Ao encontro do rio e do mar.
 Lágrimas debulham, eu sei
 Regam o jardim das minhas saudades
 Haja água a regar...
 Não sou chuva mansa
 Há de me  amar na minha inquietude
 Nas minhas tempestades
 Entre brisas e ventanias

 O amor amado em pontos de luz na escuridão
 Chuva cai, não volta em seu adeus
 Não o quero, como chuva...
 Quero-o como o ar da manhã que me desperta
 Com poema e poesia.
 Melodia que acalanta meu sono
 Atmosfera de amor em fina sintonia
 Braço, que me abraça, no meio da tarde.
olyndabassan





Reencontro











Reencontro



 Coração ancorado
 Sem partidas, nem chegadas
 Repousa em águas tranquilas
 Não navega, não deslumbra
 O nascer do Sol, nem seus poentes


 Navega  pelo  face, com o paradoxo
 De sentir-se junto e  sentir - se   só.
 No espanto, um clic a mais
 Reconhece  um rosto, que na memória traz..
 Anos e anos se passaram...

 Coração desavisado, acelera
 Reencontro do primeiro amor
 Entram emoções, navegam lembranças
 Neste barco, que desconhecia
 A saudade que ainda sentia.

 Sensação estranha, de medo gostoso...
 Da emoção aflorada, na face rosada
 Medo de quê?
 Se um dia foi prazer, por que
 Silenciar, a alegria do encantamento?

 Com um pé atrás, ou, os dois no chão
 Vontade imensa de se reviver
 O grande e ingênuo amor
 Sentir a juventude que ele expressa
 No amar de novo... e de novo...

 Vá coração, singrar em novos rios
 Descubra suas nascentes,
 Veja as cores do poente
 Ante o medo que arrepia,
 Celebre a coragem que inebria.

Olynda Bassan