24 de nov. de 2020

Parabéns, Luísa

 Bauru, 13 de junho de 2020.

Amada neta, Luisa.
Poxa vida! A cartinha de parabéns da vovó não chegou?
Já, já chega. E sabe o que é mais legal? Neste ano você lerá o que a vovó escreveu.
Não é sensacional? Que conquista minha linda, de olhinhos de jabuticaba que sorriem.
Eu sempre digo que os netos nos encantam a vida toda. A beleza de seus passos, afundando na areia do tempo. São avanços que nos deixam babando de felicidade.
Você, Luisa, está na fase das descobertas das letras. Escreve em todo pedaço de papel, lousa, folhas de caderno, tampa de caixa de sapato... Há muitas cores vibrantes em seus desenhos, em seus escritos. Nem preciso dizer que verte alegria pelos lápis que escolhe. Adivinha quem fez a rotina de trabalho da família, durante a quarentena? A Luísa. Uma lousa bem organizada, por sinal.
Nos seus 8 anos, ainda criança, admira o nascer do Sol e o seu poente. As flores e os pássaros. Ouve a Natureza, abraça a família. Traz tanta alegria. Parece uma cantiga de roda, a girar, a girar. Tem sempre uma novidade para contar para essa vovó. – “Vem aqui, vovó, quero lhe mostrar uma coisa. E lá vou eu. Agora, me desmancho, quando pede para que eu fique mais um pouquinho perto dela, na sala de televisão, antes de me despedir. É carinho semeado nos canteiros que os pais preparam. Como diz uma amiga “emoção também se aprende”.
Querida Luísa, este ano está diferente, meu amor. Vovó não irá logo, logo cedinho abraçá-la, como nos outros anos. Mas, o papai José e a mamãe Fernanda vão lhe preparar um gostoso café. Aquele que eu gostaria de lhe presentear. E junto com o Henrique, seu querido irmão, começar o dia festejando seu aniversário. Vivaaaa!!! É pic é pic . E dizer obrigada ao Papai do céu. Passo mais tarde para levar o seu presente, olhar seu rostinho de carinha de sapeca. O que será? Heee
É uma delícia pensar no seu abraço. Você se joga, se entrega, se aconchega. Ah, como espero por esse dia!
Hoje, neste dia tão feliz do seu aniversário, queria ser um aviãozinho para escrever no céu com letras bem grandes...’ te amoooo Luisaaa....seja feliiizzzz e dar um monte de piruetas no ar. E ouvir suas gargalhadas. Essa vovó é louquinha kk
Deus a abençoe muito, muito nossa criança. Anjinho da Guarda te leve sempre para o bom caminho. Que você, Luísa vá espalhando sementes de flores suaves de caules fortes aromatizando as pessoas com o perfume do bem. As borboletas virão dançar no seu jardim, fazendo deste mundo, um espaço mais leve, mais criança, mais fraterno, justo ...
mesmo com ventania.
Um grande abraço da vovó Olynda e nele cabem o papai, a mamãe, vovôs, os titios, primos, amigos e quem mais vier.
Mil beijos da vovó
Olynda
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Carta de Parabéns, José

 Bauru, 16 de junho de 2020

                                                      Amado filho José 

        Bem sei que esta “cartinha”  o encontrará atribulado, correndo aqui, ali, reuniões, estudos, atendimentos, família... mas, espero que o encontre com fé e alento. Por certo só a lerá à noite. (risos) 

    Filho, é linda a sensação de escrever em um momento intimista, só eu e você, nas reminiscências de seus anos, na ternura dos meus. Celebrando sua vida, na graça de Deus. Vida expressa no seu jeito de ir, de ir, de abraçar as oportunidades, de amar, simplesmente amar. Penso que nasceu com este dom de agarrar o mundo.  No meu ventre consagrado pela concepção, eu sussurrava  -“seja bem-vindo José”.  Já tínhamos o nosso segredinho. Do meu amor, só você sentia, Seu pai dizia que se tivéssemos um menino, seria dado o nome do meu pai “ José Bassan”. Homenagem à dignidade de um homem. 

     O choro da vida, ainda não se ouvia naquela sala de parto, a Tiesa, sua tia, profetizava que seria um menino moreno de olhos azuis. Eram mais certezas, na espera da arrebentação da semente, que seria caule e raízes, ocupando seu espaço, no mundo azul, visto pelos seus olhos. Ela ria de orelha a orelha, quando a notícia disse que estava certa. 

   Como brincou! Não tinha muitos brinquedos.  Criava, escalava, andava nos móveis, descia escadas com colchões, se atolava na lama. Criança feliz, feliz a cantar. Tombos, dentes quebrados, uma, duas vezes, Que preocupação! Com sua bicicleta atravessava ruas e ruas, indo até ao Luso da cidade. Corajoso que só ele. Sempre ia... destemido. E a mãe louca, deixava. Juntos nas composições  de natação,  de futebol  de salão.  Atravessando madrugadas  assistindo  Airton  Sena, mundiais  do São Paulo, comendo pipoca. Fase Boa, bem vivida 

   Acho que não contei para ninguém, uma angústia, filho. Sem contar aquela da sua cirurgia de hérnia umbilical com 8 meses.  Não, foi outra.  Ao nascer o primeiro filho, se diz que nasce a mãe, se aprende a missão.  Outros falam que a experiência ajuda a criar o segundo, temperado com o mesmo amor. Eu descobri que não sabia ser mãe de três filhos. Eu os quis, porque quis.  Com três, a casa fica cheia. Enquanto cuido do bebê, as duas podem fazer arte, brincadeiras perigosas. Era o meu medo. Quem vai cuidar das meninas, Path, Elô, se estou ocupada, amamentando?  Seu pai, pela fazenda...  Então José, depois de ficarmos 15 dias acolhidos na casa da vó Malvina e do vovô José, em Gália, eu que sou tão durona, entrei no carro com os olhos lagrimando, insegura.  Tão lindos! Queria cuidar muito bem de você, de suas irmãs. Seria capaz? Longe da mãe, das irmãs, lá íamos para Bauru, com uma responsabilidade enorme na alma. Com o passar do tempo, fui me serenando com a sua calma, com o seu sorriso. Você foi me aceitando como mãe, ensinando-me a ser mãe de três. Que bebê, lindo, tinha em meus braços. Três lindezas.   Arte, das meninas? Coisa pouca rs. Depois, você engrossou a delícia que foi a infância de vocês. 

       Filho, eu fui a sua primeira morada, seu primeiro útero. Ouviu sons, vozes de gente, de animais.  Alegrias da família.  Foi conhecendo suas irmãs, seu pai também. Ouvindo as músicas  sertanejas que o João colocava para acordar suas irmãs 

  Dançando nas minhas águas, um véu de amor o protegeu de todo mal. Na casa do mundo, alegre e triste, começou a entender que o Universo não era um mar de rosas e aprendeu a conviver com os espinhos, e admirar as pétalas.   E tem navegado bem, filho, sabendo que tem medos, perdas e reconstruções, todo dia. As velas se deitam e se levantam às nuvens, todos os dias. E se fortalece.

     Hoje, encontrou outros úteros que o acolhem e o amam .A mamãe fica orgulhosa, sem ciúmes rs.

      Está na sua fase de verão, de construção, de realizações e conquistas. Mas, cuide de sua casa interior. Descanse, respire, se reconheça finito, ore. A sua família é bênção. Na clínica, seu profissionalismo, dedicação e evangelização.

 Enfim, José, não posso terminar a carta sem a palavra a Deus e a você. A palavra é  gratidão pelo dia de hoje, seu aniversário. Ele é o ontem, que o construiu, é o amanhã que semeia agora. Continue feliz. Saúde, saúde, saúde. 

 Fica me devendo o churrasco. Eu cobrarei assim  que tudo isto passar.  

      Amado filho, parabéns no meu abraço. E nele cabe toda a família, amigos que lhe querem tão bem. É feliz, não é filho? Quero continuar ouvindo sua risada.

                                          Tcháu. Fique com Deus.

                 Beijo da d. Olynda – sua mamys.

                         









         

23 de nov. de 2020

Primavera Peregrina

 Primavera peregrina

Caminho abraçada às flores
da bordadura dos meus canteiros.
Ouço na brisa o ruído das cores,
nos pés o estalar das folhas
secas do outono, nas mãos
colhedeiras minha primavera.
No néctar que deixo, pousa em
mistérios, borboletas sonhadoras
Nas pegadas, ramalhete de
sonhos em botões espalho,
como peregrina sementeira.
Voa o pólen de flores
parasitas que enlaçam a alma
de amores e aromas.
Sou poema das cores
da montanha que transponho,
do orvalho azul da paz,
das águas que cantam.
Sou esperança que hiberna
no inverno como videira,
e floresce na primavera
Nos galhos secos retorcidos implodem
flores frisadas em sensibilidade,
como a pele que me veste.
É Primavera!
Olynda Bassan
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Amar é

 Amar é...

Amar imensamente é...
Prolongamento das ramas do AMOR é...
Gratidão em louvores é...
Útero sacramentado é...
Alegria da nossa alegria é...
Horas de sono vagando é...
Encontro do tesouro é...
Bênção em profusão é...
Vida de nossa vida é...
Entrega imensurável é...
Acolhida irrestrita é...
Elos entrelaçados é...
Coração com coração é
Lágrimas de emoção é...
Aprendizagem é...
Razão de nossos dias é...
O sentido de cada frase
Vivo, sinto, experimento
Em vocês, filhos....
Path, Elô, José
Sentir que palavras não expressam.
Beijão
Mamys Olynda
João, olhe por nós.
Ache uma frestinha no céu
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Setembro Amarelo

 (setembro amarelo)

Enxergue
Escute
Acaricie
quem está fugindo da vida .
Traga-o para nova travessia.
Oi. Estou aqui
Oi amor
Não se ausente.
Não se encasule em seus pântanos sombrios.
De novo, não.
Espera...
Não abra esse trinco sem o amanhecer.
Na lágrima que salga a pele, há luz que
deixa riscos e se evapora.
Não perpetue um instante, amor.
Espera.
Meu olhar repousa em seus olhos, num amor infindo,
na quimera da vida vivida.
Meu amor, volta de seus fantasmas,
de seus espectros de medo, de ausência.
Quem lhe fala?
Me ponho em silêncio. Ouço na sua voz, o assovio
da alma em fuga.
Entre suas frestas, eu a recolho, ouvindo o eco
do seu deserto.
Nossa Lua Azul – guardiã de nossos sonhos
clareia nosso coreto, nosso banco, o pássaro do realejo.
Está vazio.
No luar- prateando nossas sombras - seremos um-
rasgando a trama do casulo, no penhasco de sua alma .
O bater das asas, espreita, eu sei.
A própria luz se desintegra na solidão, meu querido.
Não vê sua essência, nem mesmo seus contornos.
Não, não se apinche nas brumas de você, do mundo.
No sentido das névoas rompe - se caminhos.
Acredite
Não é minha pele que lhe toca; é a Fé que lhe
acaricia a vida. Tão única! Tão rica!
Flores em aquarela nos esperam.
Afinal...é Natal!
Você, meu Natal!
Escuta o sino...
Humm, que mão macia..rsrs
Olynda Bassan
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