23 de nov. de 2020

Voltar para casa

 Minha casa

Uma esquina qualquer...
tu atravessas a rua, só
Eu, taça, me escorro da alegria
Eu, pedra, me verto nas
águas da pele – lágrimas
salpicam teu perfume
Eu, ponto, me brotam os porquês
Eu, olhar, me perco nas dobras do tempo
Vagueio incrédula
Eu, caminho, retorno à casa
acobertada pela carne que treme
Eu, silêncio, busco-me na
minha própria ponte
Eu, alma, sofro a travessia
Eu, amor, ainda a te amar,
me escolho, me escuto
Eu, laço, me desenlaço
Deixo tu ires em fitas ao vento
Eu, vida, em outras esquinas
percorro minha rua
Eu, passo, apresso,
me encontro logo ali
Eu, reflexão... há dias,
que é preciso esperar o Sol
nascer de novo
Meu tempo
Em lágrima secas, por ti,
experimento saudade.
Olynda Bassan
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Acordar tão cedo, pra quê?

 Acordar tão cedo, pra quê?

Sou aposentada. O despertador só é acionado, se eu tiver compromisso. Acordo a hora que acordar. Embora me culpe pelo dia que não rende, nas horas roubadas do Sol. O mundo gira e não me espera (me disse uma amiga, madrugadora). Anotado no caderninho rs.
Mas, há dias, que a mente se agita nos momentos em que a vida se faz isquemia, que bloqueia o meu, o seu caminho. Percebo que por aí não haverá ponte, passagem para ser feliz, para harmonizar mente e alma. Rememorei “A lista” do Osvaldo Montenegro. Quantos amigos não encontro mais – em que momento perdi isto, aquilo – desejos adiados – agora não – há um coágulo andante pelo mundo. É a hora de voltar pra casa, pensar em mim, exercitar o autocuidado. Equilibrar o pêndulo entre o social e o eu mais profundo. Neste cantinho de sombra e luz, eu me acho. Assim, o sono cede o seu lugar.
Nosso guru é o silêncio, podendo surgir em uma insônia ou no meio do dia. Penso em fazer a parada, em buscar a leveza da vida. O sangue de viver encontra outros capilares para me nutrir, se me permito.
Não, não queria me levantar às 5 da madruga. Dormi muito tarde, precisava de sono, para que os olhos não me ardessem pela manhã. E o que acontece? Da procura de novos veios de tomada de decisões, começam a pipocar as crônicas, poesias. Se as escrevemos no ar, se perdem. Hoje, resolvi não procrastinar o registro. A cama não é caderno rs.
Não acendo a luz. Abro a janela, bem devagar...respiro, olho para o céu e na claridade vem a gratidão, o amor, o gosto de viver. Vem a esperança – “isto também passa”. Os instantes já são memórias, guardados do espírito que nos moldam, que nos sustentam e transformam (Bergson). Quero vivê-los bem.
Escritório. Um problema. Meu vizinho do segundo andar dorme. As rodinhas da cadeira fazem barulho com o atrito do piso. Tomo o maior cuidado. Afinal, “respeito é bom e eu gosto”. Ele também.
Quando faço essa proeza, prometo e repito...Olynda, disciplina, foco...você tem uma montanha de coisas para publicar, para acabar, para escrever. E até gosto rs
Então, bom dia, com o abraço da Olynda.
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Parabéns em carta

 Bauru, 21 de novembro de 2020

Amado neto Henrique
Espero que essa cartinha chegue em meio às suas brincadeiras e invenções.
Hee é seu aniversário! “Viva eu, viva tudo, viva o Chico Barrigudo!!! Vivaaa!!
Você, Henrique, de olhos da cor das águas azuis, traz o “príncipe, o líder, em seu nome. Traz a bênção de Deus às nossas famílias. Traz a gratidão em preces.
Você é o neto com uma história mais curtinha. São apenas 6 aninhos. Mas, divertidos, cheinho de momentos bons.
A vovó vai desfolhando as pétalas do calendário dos aniversários e chega novembro, o seu aniversário e também a sua cartinha.
Sabe que o ano 2020 me lembra você? Tem rodinhas, como os seus carrinhos, que andam prá lá prá cá, ao seu comando. E como anda, corre...
E o mais legal! O que acontecerá nos 6 anos?
Já estou sabendo...aprenderá a ler, a escrever. UAU!!!! Poderá ler as palavras que hoje escrevo, grafadas com tanto amor, como símbolos da minha alma, que escorrem na poesia da prosa.
Querido neto, não irei logo cedinho à sua casa. Não terei o encantamento de ouvir sua alegria abrindo a porta, ao som da campainha, acompanhado do sorriso da sua irmã Luísa. Ela entendia que era o seu dia de ganhar presentes; de me ajoelhar para abraçá-lo, ficar do seu tamanho, de me sentar no chão. Ligava a câmera antes, focava, para enxergar você, e não a tela do celular. Imaginava seus olhinhos curiosos, brilhantes, mãozinhas se agitando.
Já levei flores (era pequenino, acho que não entendeu, nada rs) flor se come? kk Tomamos café da manhã, feito pic-nic, apagou velinha no cupcake de chocolate, comemos o bolo de laranja feito pela vovó. E o ano da mochila, costurada por mim? Saiu em disparada, buscando carrinhos, brinquedinhos para recheá-la. Isso tudo às 7 h da manhã rs. Mas, brinquedo na escola, não pode. Deixou tudo em casa. E nem fez birra. Neste ano, não voltarei pela estrada, sem pressa, emocionada, vendo o Sol tingir pastos, árvores, prédios de rubro, dourado, alaranjado, os tons da sua vivacidade, Henrique. Momento único, só meu. Espero que um dia, você entenda esse meu jeito de amar.
Ah, mas em 2020, aconteceram coisas... abriram as janelinhas dos seus dentes. Quanta vibração! O primeiro...engoliu. Será que a fadinha do dente veio assim mesmo? O segundo? Ah, eu estava lá. De rodinhas no pé, você veio saltitando, com os dedinhos apontando as falhas. Estava em êxtase! Uma graça! Batemos palmas, com gritinhos rs.
Amado Henrique, seja feliz, meu menino de sorriso maroto, brincalhão. Continue livre em sua criatividade, em suas invenções e emoções. Um pedaço de papelão, um barbante, um palito e vem mais um brinquedo. Não tem ninguém para brincar comigo? Brinco eu. Quero lhe contar uma coisa. Em muitas fotos de família, você não está. E por quê? Correndo, brincado pelo salão. E o Henrique? Cadê o Henrique?
Seja feliz dentro da roda acolhedora, amada da sua família. Papai José, mamãe Fernanda, irmã Luísa, as mãos que se entrelaçam com as suas. E não largam.
Ah, parabéns. Feliz dia. Tudo é graça na sua vida, em nossa vida
“Anjinho da Guarda te leve sempre pelo bom caminho.”
Beeeijooooo da vovó Olynda
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Generosidade em criança

 Mais uma doação.

Cortam-se os cabelos, mas os fios não chegam ao chão. A tesoura é manipulada com carinho, pelas mãos da cabeleira, que entende o sentido do corte.
Minha neta Valentine, a amiga Vanessinha e meninas vizinhas, lá de São Paulo enviaram suas mechas para que outras pessoas possam "vestir" suas cabeças nuas, pelo câncer . A Associação Bauruense do Combate ao Câncer agradeceu esse ato de cidadãs/ meninas. Um grande beijo.
Elô Franco, Roswyta Borges Ribeiro e outras 92 pessoas
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