27 de mar. de 2015



 "Uma cama sem limites" Paulino Vergetti Neto

                                                                                         




        Resenha do  Livro “Numa cama sem limites” de Paulino Vergetti Neto
            Uma resenha espontânea, sem crivo e conhecimento do autor. Sensações, reflexões sobre um bom livro, uma boa leitura.
          Eu a escrevo com palavras e sentimentos que são alma e  coração. Nada técnico. Palavras!!! Quando as quero plenas elas me parecem frias e vazias no muito que gostaria de dizer desta obra de Paulino Vergetti Neto. Eu a ofereço como um “mimo”, querido amigo. É sempre um prazer saborear seus escritos
        Tive o privilégio de ser a primeira a ler o “Numa cama sem limites”.

        Paulino Vergetti Neto  escritor com estilo próprio, corajoso, desafiador, desafiante, que se lança de corpo e alma a projetos onde o entendimento da alma dos personagens sempre será o cerne do enredo.   Deixa “ o que vão falar” em nome da ousadia de provocar  reflexões sobre o comportamento humano “santo e pecador” nos meandros de suas sombras e luzes, uma das características pontuais em suas obras. Constantemente resgata a alma em seus transes,  doentes, e a quer feliz.  O romancista tem a sensibilidade que nos comove e constrói.
       Em seu mais  novo lançamento” Numa cama sem limites” foi fiel ao título. Ele o teceu sem limites, sem preconceitos,  sem sombreamento nas palavras na volúpia de seus personagens. Um livro erótico, o qual descreve  com todos os is, esses e erres o relacionamento sedução  na “linguagem” erótica, nada angelical contextualizada na história, instigante, provocativa.  Quando pensamos que já vimos de tudo, ele nos surpreende com fatos novos, inenarráveis neste espaço.   No avançar  da leitura desvendamos em seus personagens o amor “ágape” bem como o filos,   exacerbados na mesma medida. Se assim não fosse, não seria obra de Vergetti. Leitor de nossos silêncios, de nossas almas, de nossos desejos. Digo que ele é um garimpeiro  de sentimentos.
        Paulino vai tocando o corpo, dilatando os poros onde vertem as mais inusitadas, arrojadas fantasias sexuais entre os casais, suas trocas de parceiros, numa pretensa  liberdade consentida entre os  envolvidos, às claras, em confiança mútua. No palco, do teatro ficção, se apresenta a natureza humana, com todas as emoções desconcertantes, que transcendem à razão “ do pacato cidadão”.
       Vem à tona o conflito entre ser conservador nos costumes, valores caseiros enraizados na criação familiar, religião, crenças quanto ao  que nos faz feliz e, entre o vale tudo para conquistá-la.    Qual é o limite deste voo,  para que não nos percamos da referência do que somos,  em nome da modernidade.  A leitura de “Numa cama sem limites” será provocador neste sentido. Não seremos os mesmos  depois de bebermos sua essência, além do erótico. O autor não se coloca no status “assexuado” diante do romance.  Ele  se desnuda, como em outros romances de sua autoria e partilha sua experiência de prazer ao escrevê-lo, estimulando  o leitor a sentir o mesmo, a se conhecer.  Espírito, corpo, psíquico, humano, divino. Somos tudo isto. Como negar? Cada um expressado em sua singular linguagem. Assim os personagens vão construindo suas histórias.
         O romancista Paulino além do sexo insaciável de seus personagens,  nos presenteia  páginas e páginas onde o sexo forte e contundente, cede espaço ao amor,  reflexão,descrito em frases poemas,  nas quais afloram emoções, ternura, como estas.´: “ O amor consegue juntar as pessoas e é difícil separá-las. O prazer de servir e ser servido chega com força da cumplicidade e a mulher olha o homem e ele retorna o olhar e procuram ser felizes”... “ Minha mulher era  a minha outra alma.” E assim vai nos encantando.
         Na segunda parte do livro, em um rico  apelo psicológico,  relata a esquizofrenia  de uma das personagens com muita doçura, compaixão, quando ela sai de si mesma, dando espaço à doença que a consome, a desestrutura  como mulher,  como ser pensante, não mais a possibilitando que ame seu marido com todas as suas forças de amante.  Ela é o seu próprio mundo desabando. Na solidão de si mesma ela diz à sua mãe. “ Mãe às vezes eu me acho tão sozinha que eu até procurando minha alma eu não a encontro e por isso procuro o meu corpo. Esse eu sempre acho”. “Na minha doença desaprendo de viver.” O marido desolado, sofre,  pois o “amor não suporta a decadência do ente querido”. Neste episódio dolorido o autor questiona até que ponto a violação dos nossos princípios; nossa mente suporta. Não seria peso demais para os nossos ombros? Transformar -se    a partir de coerências e respeito pelo nosso verdadeiro “eu”. O “eu” da nossa essência o “eu” do equilíbrio: mente, coração, emoção, razão. O desafio de todos os dias. Paulino faz isto com maestria e nos põe a pensar nas desconstruções e  reconstruções de nossas casas interiores. Que viga angular a personagem  não deveria ter derrubado. Há enigmas entre o passado e o presente, como um labirinto desenhado no baú desconhecido do nosso inconsciente. Lendo o livro o leitor tomará  ciência do fato que a fez desmoronar bem como seu desalento perene.
      Interessante o jeito de escrever de Paulino Vergetti Neto.  Ele vai tramando, onipresente, um  diálogo entre o autor, narrador e leitor sem perder a cadência da história, sem quebrar o ritmo, a sonoridade do enredo. Ele resgata o leitor do sofá e o coloca dentro do livro, num acolhimento singular, fazendo-o próximo de si. Dá vontade de responder às suas  indagações,manter um bate papo.. então... Paulino....rssr
     “Numa cama sem limites” prende, fascina o leitor ao saboreá-lo.  Há de ser lido sem preconceitos, sem o julgar por julgar, numa ficção onde se enxerga além das palavras, além da propositura natural de um livro erótico. Nele há o SER pleno com  desejos desenfreados de alguns, comedidos de outros .O ser humano não se repete, nem a ele próprio. A ação  dos personagens jamais faríamos por princípios, pelo jeito de enxergar a vida, por instintos morais, valores, mas pertencem a eles. No VER validei meus sentimentos, não os reprimi. No JULGAR eu o li  como leitora. Deixei a Olynda mulher do lado de fora.  Sentei-me na plateia,  e não perdi uma cena da peça bem escrita e produzida.   No AGIR  A este eu risco a estrada com o prazer na verdade  que me convier.
     ‘Numa cama sem limites”,  um livro tecido com esmero, cuidado, carinho de um escritor perfeccionista em respeito aos seus leitores. Este é Paulino Vergetti Neto. Nesta primeira leitura muito refleti, muito questionei,  emocionei-me, me senti algumas vezes.
     Sucesso amigo Vergetti. Nós leitores seremos gratos por mais uma obra enriquecedora da Literatura Brasileira. Enriquecedora de nós mesmos.
                             Olynda Ap. Bassan Franco

 
   
olyndabassan
Enviado por olyndabassan em 12/01/2015
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4 de fev. de 2015

Olhares distantes





               

                                     

 Igreja São Miguel Arcanjo

 Praça João Mendes- São Paulo





                           



                                          Olhares  distantes...




     Nas viagens de turismo  nos   extasiamos ao visitar igrejas e mais igrejas, museus, castelos, praças... Porém, no cotidiano não olhamos para o espaço no qual pisamos. Não percebemos  a história do lugar que nos acolhe. O olhar está sempre distante...  Por tantas vezes caminhei pelas ruas do bairro da Liberdade.  Transitei pela  praça  João Mendes e apenas passava... Observo  a arquitetura dos prédios comerciais e das igrejas. Coloco minha bolsa colada ao corpo e me admiro com o estilo barroco, neo clássico...  Verdadeira relíquia arquitetônica da arte brasileira, ainda com influência europeia. Nesta quinta- feira  subi as escadas de uma pequena igreja  para rezar. Que surpresa! Eu me senti num pedacinho de Minas com sua arte barroca, em meio  à Liberdade nipônica. Uma igreja linda, aconchegante, com altares e portais, todos trabalhados em madeira de branco leitoso  e tons dourados. Igreja São Miguel Arcanjo. Se enxergássemos mais a  cidade sentiríamos sua arte, sua voz, sua beleza camuflada  nos ruídos, na pressa, na poluição visual e climática. Esta igreja não será mais esquecida por mim. Redescubro São Paulo em pedaços de sua vida.
    Do outro lado da rua a majestosa Catedral da Sé com sua pompa e história centenária. No pátio ornamentado com palmeiras imperiais, esculturas, vou  abrindo caminho nas  escadarias repletas de mendigos, “drogaditos”  esparramados pelo chão, com mãos sem força, estiradas à procura de moedas, de migalhas que caem da mesa do banquete. Entro  na Sé para rezar, vivenciar meu diálogo com Deus no louvor, na gratidão, no perdão e por que não na petição.  Cristo mesmo nos disse que pedíssemos. Ao sair  vem o paradoxo: a  ação da Fé. A minha impotência diante das mazelas do mundo. Como cristã, ou como simplesmente cidadã  não posso olhar e não sentir compaixão. Mas teria que ir além de sentimentos.  Até aonde vai a minha culpa na omissão em transformar uma realidade lastimável. Rezo e não me curvo ao próximo que sofre.  São homens, mulheres da rua, sem  identidades. Reflito ainda sobre o contraste da alegria ou pelo menos esperança do artista de rua, com sua flauta peruana enchendo o ar com sua melodia suave, encantadora!  O  cantor sertanejo vestido com traia de cowboy,  com música raiz, ou de dor de cotovelo se faz ouvir. Bem diante deles corpos inertes que  morreram à vida, antes mesmo de se transformarem em outra dimensão. Para eles, adormecidos, a música, o belo  não tocam, não tem encantamento.  Não se inebriam com a  melodia no seu estado de inconsciência. Não percebem  a luz ofuscante do sol, nem a suavidade do luar. Olhos cerrados, baços, sem lavar.  Envelopes  de almas, com seus desejos e individuação roubados pela droga, por desalentos do desamparo, da falta de perspectivas no viver. Olhares vagos, disformes. Sorrisos sem alegria, como se espasmos fossem de um estado de delírio, de decadência da dignidade humana. Não, ali não está a Maria, a Franklin, a Rosineia, o Paulo, o Antonio. Saíram de si mesmos, não se reconhecem mais. São números de estatísticas dos Projetos  Sociais, do banco de dados do Estado, ou das Casas de apoio. São “inúmeros” .
    Eu me apoio na palmeira  imperial e tristemente penso nestes “cristos’ sem manjedouras acolhedoras. Estão à beira da cruz sem a mãe Maria, sem o amigo João, ao pé da cruz, dizendo estamos aqui. Mesmo que eu quisesse meus dedos não conseguiriam entrelaçar os seus. Os meus enrijecidos pela impotência de levantá-los da postergação em que se encontram. Seria possível a interação com esta jovem que se arrasta envolta em cobertores sujos, como o mundo que a envolve? Eles, com dedos endurecidos como a alma mergulhada na escuridão, de uma vida que se finda na insensibilidade humana, na omissão dos projetos do Estado,  na desestrutura familiar. Na ganância desumana do narcotráfico.Do meu engajamento social.
      Um dia... nasceram “anjos”: pacotinhos azuis, rosas, no afeto de colos de mães esperançosas, com sorrisos de felicidade. Outros já nasceram com a herança do craque, do desequilíbrio de morte anunciada. Que vida é esta que se transforma numa aventura tão perigosa à margem da estrada, dos que têm oportunidade de sonhar?
     Que esperança tenho,  que haja um interesse pelas Universidades em parcerias com Entidades de Bem Estar em estudar o fenômeno das drogas no seu caráter sociológico, psicológico, antropológico, já que as iniciativas do Governo estão falidas. Olhá-los como pessoas, com alma e vontades. São andarilhos sem caminhos...  nem idas, nem vindas.

      Passei...vi...senti...e me distanciei... Apenas mais um olhar, entre tantos e o balançar da cabeça... uma  lágrima...quem sabe? Na próxima viagem por certo os encontrarei, nos olhares distantes...
 
  




20 de jan. de 2015

Perfuma-me Poetrix






                                                                                                   Fonte Google


Perfuma-me...


Toque de pele
Perfume Chanel
 Sedução
****

 No enigma de ti
A certeza de mim
Sedução
****

Dois corpos em laços
Encontro de almas
Volúpia emoção
****

Desbrava-me ao luar
Navega no Chanel
Um rio... meu lugar
****

Frascos  mistérios
Desnuda-me
Perfuma-me
****

Perfume que me enlouquece
Fogo que incensa
Arrepio da pele
****

Perfuma-me...







5 de jan. de 2015

Borboletas

          







           Borboletas...



   Ainda que em bosque  solidão
   Pousam em rosas botão
   Borboletas grávidas de amor,
            de ternura,  paixão
   Na leveza de um balé tremulam
   Em trilhas despercebidas.
   Silenciam em sua beleza
   A vida, no desejado parto emoção

  No perfume dos lírios
 Nas pétalas aveludadas e espinhos
 Na magia do pólen  aos ventos
 Como uma varinha  condão
 Renasce um mundo grávido
 De sonhos e suave ilusão.

 Borboletas trilhando leveza...
 Ecoando a suavidade em mim


Amiga, Eliane  querida
Trilhe com leveza uma vida de
Emoção: no amor, na amizade,
Dos que a tem como ninho.

  Parabéns pelo aniversário

                                                       Olynda Bassan




O espelho de minha imagem





Apareço-me na ilusão das imagens,
certas imagens faltosas de um espelho.
A vida me exigiu ser feito
dessa matéria espelhada, nem tão cheia de graça,
mas matéria!
Nasceu do medo que tem coragem de ter o medo diferente
que há nas outras imagens pardacentas dos homens claros,
transparentes,
medrosos também, com os alguéns ansiosos.
Apareço na ilusão do espelho
porque sou imagem rara de mim,
a que só minha alma conhece,
Porque me analisa todos os dias
diante do espelho dos olhos
e das sombras do coração.
Meu medo é feito do espelho da vida
Refletida para que os outros me encontrem,
mesmo que não me achem jamais.
Paulino Vergetti Neto

Meus poemas, meus mundos






Me contenho na escuridão desta sombra
que me escuta sonolenta nesta casa
onde tudo não se enxerga.
Procuro induzir-me aos movimentos e então me sinto,
sei que estou vivo em pleno pranto
e por isso, acordo e  canto.
Ouço o ar do mundo e me convenço
de que se o mundo está triste e não me entendo
porque meus poemas moram nele.
Hei de construir sonhos extravagantes e pôr o surreal em nossa mesa
e quando quiserem chorar do real, os farei medo
e o mundo voltará a ter outro semblante.
Meus poemas se auto desenham com a face da alegria
e se saem tristes, não é por mim, é por tudo,
São pelas tempestades e pelos absurdos,
No que vejo da dor na face alheia.
 Autoria do poeta Paulino Vergetti Neto

Não vieste buscar as flores que colhi





pediste-me que colhesse flores e virias buscá-las com urgência.
coloquei-as com cuidado em dois vasos de porcelana da Síria
com um pouco de água
para que se mantivessem frescas.
mas não vieste buscá-las.

de tristeza elas murcharam e o meu coração se partiu.
penso levá-las a ti e em seguida atirarei os vasos ao chão
sob teus pés com as flores mortas.

tu foste meu norte
meu leste.
por ti buscaria sedas da China.

não vieste buscar as flores que colhi...
agora não sei o que será de mim.


Este poema está no livro Todos os Dias são Úteis, que ora republico.

J Estanislau Filho
Enviado por J Estanislau Filho em 11/09/2013
Reeditado em 07/11/2014
Código do texto: T4477725
Classificação de conteúdo: seguro